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  • Tina Felice: 40 anos de arte

    Tina Felice: 40 anos de arte

    A arte de Tina Felice faz parte do imaginário, das memórias, das ruas e da história da capital gaúcha. Suas “Meninas” são uma marca-registrada. Ao completar 40 anos de arte, Tina mostra um pouco do tudo que já produziu, com esculturas impressionantes, as tradicionais “Meninas” e suas criações em arte abstrata, inéditas para o público gaúcho. A exposição “Tina Felice: 40 anos de arte” tem vernissage no sábado, 30 de maio, das 11 às 13 horas, na Galeria Bublitz. A mostra fica no local até o dia 30 de junho, com entrada franca.

    “Essa exposição não é só uma homenagem a uma grande artista gaúcha, mas também uma oportunidade de o público conhecer outras faces de Tina Felice e admirar sua produção”, destaca o marchand Nicholas Bublitz. “Também vamos fazer uma homenagem ao Carlos Alberto Pippi da Motta, que faleceu recentemente. Ele foi o padrinho que nos aproximou e tornou essa exposição possível”, revela.

    A seleção de obras em exposição na galeria é formada por trabalhos escolhidos pela própria artista e que fazem parte do seu acervo. Formada em Direito, Tina fez da arte sua profissão. Aprendeu com os grandes mestres da arte do Rio Grande do Sul, como Vasco Prado e Xico Stockinger, além de Cláudio Martins Costa, seu professor no Atelier Livre. Sua trajetória artística começou em 1986 e foi marcada pela superação, em função da talidomida, e pelas adaptações que fez ao longo da carreira. Em vez de pincéis, o rolo de pintura e o cabo de vassoura viraram suas ferramentas de trabalho. Mas a deficiência não a limitou. Ao contrário. Tina é conhecida por esculturas gigantescas que ocupam espaços públicos, como a obra “Túnel do Túnel”, localizada junto ao Túnel da Conceção, e o “Monumento aos 100 anos da Escola de Engenharia da UFRGS”.

    Na foto, Diana da Motta, Carlos Alberto Pippi da Motta, Tina Felice e Nicholas Bublitz. Divulgação

    As famosas “Meninas” nasceram há 25 anos e marcam o ingresso de Tina na pintura, quando resolveu enfrentar uma tela em branco pela primeira vez. Os rostos alongados, com olhos expressivos e boca pequena reproduzem características físicas da própria artista. “Mas não são um autorretrato”, avisa Tina. Tais como Monalisa, as “Meninas” de Tina Felice conversam com quem as vê e suscitam múltiplas interpretações. “Tem gente que acha que elas são tristes, mas são pensativas, às vezes até debochadas e seguem se transformando”, conta a arista.

    A artista Tina Felice. Divulgação

    Além das pinturas mais marcantes e das esculturas, Tina apresenta suas criações em arte abstrata ainda inéditas no Brasil. São obras que carregam também a identidade da artista com formas orgânicas e diferentes cores e que foram exibidas apenas em uma mostra em Londres, até o momento.

    Exposição: “Tina Felice: 40 anos de arte”
    Local:
    Bublitz Galeria de Arte
    Endereço: Av. Neusa Goulart Brizola, 143
    Vernissage: sábado, 30 de maio, das 11h às 13h.
    Visitação da exposição: segundas às sextas, das 10h às 18h, e sábados, das 10h às 13h
    Período da exposição: até 30 de junho.
    Entrada Franca

  • Mostra com vários artistas inclui nova experiência na organização das obras

    Mostra com vários artistas inclui nova experiência na organização das obras

    Numa exposição que reúne nomes reconhecidos como Britto Velho, Cláudia Sperb, Leandro Selister, Paulo Favalli, Leonardo Loureiro e o uruguaio Gustavo Tabares, entre outros, no Espaço Físico, em Porto Alegre, a curadora Ana Zavadil dispõe as obras, de diferentes linguagens, de maneira inovadora: “Menos pela tentativa de unificação conceitual e mais pela construção de uma experiência espacial compartilhada”, explica ela.

    Idealizadora do Espaço Físico (Rua Felipe Camarão, 700, sala 101), a curadora da mostra “Entre passagem e permanência” usa o local expositivo não como suporte neutro, mas como proposição ativa. “Em vez de organizar as obras a partir de um conceito temático único, a curadoria assume a própria arquitetura como eixo articulador: o espaço determina a forma de encontro, o ritmo do olhar e a experiência do corpo diante das obras”, esclarece Ana.

    Obra de Paulo Favalli. Foto Divulgação

    Assim, o percurso da exposição começa no corredor, que funciona como um dispositivo curatorial: um espaço que cria tensão, expectativa e sequência, fazendo com que o olhar seja constantemente ativado e reposicionado.

    O ambiente a seguir rompe a linearidade e introduz outra presença. “Se o corredor sugere passagem, esse espaço final sugere permanência. Nesse ponto, a exposição se expande: o percurso não se encerra, mas se reorganiza”, diz Ana, que foi curadora-chefe do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS), curadora-chefe do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS) e curadora assistente da 10ª Bienal do Mercosul, em 2015.

    Obra de Brito Velho. Foto Divulgação

    Essa é a terceira exposição no Espaço Físico, dirigido por Ana, que o inaugurou em janeiro deste ano. “A diversidade de obras da mostra não é ruído: é matéria de relação. As obras coexistem em um mesmo território, porque o espaço, ao conduzir e redistribuir a atenção, cria um campo comum de leitura”, afirma a curadora.

    Obra de Simone Barros. Foto Divulgação

    Artistas participantes

    São as(os) seguintes artistas que participam da exposição: Alexandra Eckert, Britto Velho, Cátia Usevicius, Cláudia Sperb, Cleci Altermann Serpa, Fernanda Martins Costa, Gustavo Tabares, Heloísa Biasuz, Jane Maria, Juliana Desconsi, Jussara Moreira, Leandro Selister, Leonardo Loureiro, Márcia Marostega, Mylène d’Huyer, Paulo Favalli, Rita da Rosa, Sílvia Brum, Simone Barros e Wischral.

    Obra de Leandro Selister. Foto Divulgação

    SERVIÇO:

    Exposição “Entre passagem e permanência”

    Curadoria: Ana Zavadil

    Abertura: 30/05 (sábado), das 10h30 às 12h30

    Visitação: de 1º de junho a 1º de julho, de segunda a sexta, das 14h às 19h

    Local: Espaço Físico

    Endereço: Rua Felipe Camarão, 700 – sala 101 – Bom Fim, Porto Alegre/RS

    Agendamento pelo whatsapp: (51) 999145819

    Entrada gratuita

  • Teatro Bruno Kiefer reabre após reforma de R$ 3,6 milhões

    Teatro Bruno Kiefer reabre após reforma de R$ 3,6 milhões

    Inteiramente reformado, ao custo de R$ 3,6 milhões, reabriu na quarta-feira (27/5), o Teatro Bruno Kiefer, no 6º andar da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), em Porto Alegre.

    O governador Eduardo Leite, do secretário da Cultura, André Kryszczun, e da diretora da CCMQ, Adriana Sperandir participaram da reinauguração.

    A obra contemplou restauração integral da plateia, adequações às normas de acessibilidade e substituição de poltronas, carpetes e forros. As melhorias também alcançaram o foyer, o telhado, as portas de segurança e as instalações elétricas. No palco, foram realizadas intervenções que incluíram a renovação da iluminação, a instalação de um novo rack de comando e a recuperação do assoalho – o que modernizou a estrutura e qualificou as condições para artistas e público.

    “Não basta defender a cultura no discurso, é preciso transformá-la em prioridade nas políticas públicas e no orçamento”, disse o governador .

    Os convidados puderam conferir também o teaser de um vídeo institucional sobre o Projeto de Restauração do Teatro, que será lançado na versão completa em breve. O material, produzido pela produtora Ocorre Lab, conta com imagens da obra captadas no último ano, depoimentos de integrantes da classe artística e registros de atividades educativas realizadas em 2025, vinculadas ao projeto de restauro.

    Restauração

    O Teatro Bruno Kiefer é um dos principais espaços culturais do Rio Grande do Sul e grande referência para a cena artística e teatral. Ao longo de décadas, consolidou-se como local de encontros, trocas e produção para artistas, técnicos e público, contribuindo para a formação de espectadores e para o desenvolvimento das artes em Porto Alegre.

    A reforma começou em fevereiro de 2025, com projeto assinado pelos arquitetos Flávio Kiefer e Joel Gorski. Ambos são autores também do plano que transformou o antigo Hotel Majestic na CCMQ, nos anos 1990.

    Programação do segundo semestre

    Nos próximos meses, o teatro recebe diversos espetáculos de música, artes cênicas, drag e dança. Dentre eles, projetos selecionados no Edital de Ocupação dos Teatros da CCMQ; espetáculos de curadoria, organizados pelo Núcleo de Administração dos Teatros da CCMQ; festivais de artes cênicas; e uma programação alusiva aos 120 anos de nascimento de Mario Quintana.

  • Programação especial para marcar centenário do Espaço Força e Luz

    Programação especial para marcar centenário do Espaço Força e Luz

    Uma programação especial, a partir desta sexta-feira, 29, vai marcar o centenário de um dos pontos mais tradicionais do centro histórico de Porto Alegre, o Espaço Força e Luz, na rua da Praia.

    Projeto do arquiteto Adolfo Stern, o prédio começou a ser construído em 1926 e foi concluído dois anos depois.

    Foi projetado originalmente para a ampliação do famoso “Clube dos Caçadores”, um cabaré-cassino, que se tornou famoso ponto de encontro de intelectuais e políticos da época.

    Por sua condição de casa de jogos, ficou popularmente conhecido como o “Palácio das Lágrimas”.

    Em 1929, o edifício foi alugado pela Foreign Light and Power, empresa americana, concessionária de energia em Porto Alegre.

    Quando a Light foi encampada pelo então governador  Leonel Brizola, nos anos 1960, tornou-se a sede da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), o que deu origem ao nome atual.

    De estilo eclético, tem forte influência da arquitetura francesa do início do século XX, com adornos e  cabeças de leão na fachada. Foi tombado como patrimônio histórico  em 1994.

    Em 2002, passou por uma completa reciclagem, em projeto assinado pelo arquiteto Flávio Kiefer, reabrindo suas portas como centro cultural. Atualmente, é conhecido como Espaço Força e Luz e abriga de forma permanente o Museu da Eletricidade do Rio Grande do Sul e o Memorial Erico Verissimo..

    Ao completar 100 anos, o Espaço Força e Luz promove uma exposição comemorativa que convida a população a revisitar experiências ligadas ao edifício e ao próprio desenvolvimento da cidade.

    A programação inicia às 10h30 e foi pensada para aproximar o público da trajetória do prédio por meio de experiências acessíveis e atividades de participação coletiva.

    A fachada está em reforma para as comemorações do centenário;

    Entre as atrações previstas estão a instalação de uma fachada comemorativa alusiva ao centenário, gravações especiais com participação do público, distribuição de brindes e ações interativas ao longo da manhã do dia 29/05.

    Pela tarde, será realizada uma apresentação sobre a história do edifício, contextualizando sua importância para Porto Alegre e sua relação com a memória energética, cultural e social da capital.

    Como parte da programação educativa, o evento contará ainda com uma oficina em celebração ao Dia Mundial da Energia, promovendo reflexões sobre sustentabilidade, conscientização e o papel da energia na vida cotidiana.

    A comemoração terá momentos voltados ao caráter afetivo da data, com uma atração surpresa às 11h, distribuição de mimos ao público e sorteios de brindes e kits comemorativos. 

    A programação é gratuita e aberta ao público.

  • Brasileiro sente o peso das mudanças climáticas e cobra proteção do governo

    Brasileiro sente o peso das mudanças climáticas e cobra proteção do governo

    Oito em cada dez pessoas (85%) já notam interferências das mudanças climáticas em seu cotidiano, sendo que quase metade (46%) julga esse impacto “intenso”. 

    Os dados são de uma pesquisa do Aurora Lab e da More in Common, que será lançada na próxima quarta-feira (27), em São Paulo.  A Agência Brasil teve acesso ao resultado.

    Foram ouvidas 2.630 pessoas que apontaram como consequências das mudanças climáticas no seu cotidiano:.  

    • Ter que arcar com um custo maior de vida – 53%
    • Problemas de saúde física – 45%
    • Obstáculos ao acesso a seu local de trabalho – 40%
    • Adoecimento mental – 32%
    • Perda de renda – 17% 
    • Perda de emprego – 10%

    A proporção de brasileiros que confia que o governo deve ser a principal figura a garantir a proteção de trabalhadoras e trabalhadores nesse contexto é de sete a cada dez (67%).

     Outros indicados a essa função são empregadores (7%) e grupos auto-organizados, como os de direitos socioambientais (menos de 6%).

    A preferência pelo Estado como o agente mais adequado para apresentar soluções de mitigação e outras medidas pertinentes surpreendeu os pesquisadores.

    “Também é um dado muito preocupante, porque ele tira ou não coloca a responsabilidade em cima dos empregadores. Cada vez mais a gente vai ter eventos climáticos extremos e eles têm um papel muito importante em garantir a proteção dos trabalhadores no processo de transição também”, complementa a diretora-executiva do Aurora Lab, Gabriela Vuolo.

    O levantamento ainda demonstra elevada consciência (93%) de que os modelos de produção e consumo da sociedade precisam ser transformados para se enfrentar a crise climática. No total, 74% concordam totalmente com tal afirmação. 

    Uma parcela de 67% acredita que essas mudanças trarão bons frutos para a classe trabalhadora, em termos de abertura de vagas. Somente 10% discordam disso e pensam que terão o efeito contrário, de redução dos postos de trabalho.

    As entrevistas também sondaram a avaliação das pessoas sobre a ligação entre a transição e a configuração social do país. A maioria (45%) acredita que a passagem para outros estágios energéticos promoverá redução das desigualdades sociais, contra 40% que acreditam que haverá uma manutenção ou, então, um aumento das desigualdades (23% acham que vão aumentar + 17% que não vão mudar).

    Segundo Gabriela Vuolo, parte dos respondentes imagina que até mesmo os salários poderão aumentar.

    De acordo com a pesquisa, mesmo em uma era de disseminação de fake news, os brasileiros ainda confiam no que a ciência diz. Universidades e cientistas são a fonte com mais credibilidade para 69% dos entrevistados, enquanto as redes sociais são o principal meio de informação de 65% deles, quando o assunto é clima. 

    A pesquisa Clima, Trabalho e Transição Justa será compartilhada no encontro “Quem move o Brasil? Debates sobre Trabalho, Energia e Desenvolvimento”. 

    As entrevistas realizadas para a análise contaram com a participação de pessoas com 16 anos de idade ou mais, de nove capitais: Belém, Brasília, Fortaleza, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. O questionário foi aplicado entre maio e setembro de 2025.

    (Com Agência Brasil)

  • Porto Alegre sedia debate sobre transparência na comunicação pública

    Porto Alegre sedia debate sobre transparência na comunicação pública

    No dia 1º de junho de 2026, a capital gaúcha receberá o 1º Congresso Gaúcho de Comunicação Pública. O evento presencial ocorrerá no auditório da Associação dos Auditores-Fiscais da Receita Municipal de Porto Alegre (AIAMU), no Centro Histórico, com transmissão virtual para todo o país. O encontro visa qualificar gestores, secretários e assessores, transformando a comunicação institucional em ferramenta estratégica de transparência.

    A programação contará com especialistas para debater temas urgentes do setor. As inscrições estão abertas no site oficial do evento e as vagas presenciais são limitadas a 200 participantes. Entre os debatedores, Soraia Hanna comandará o painel sobre gestão de crises, enquanto Daniela Machado abordará o combate à desinformação. A simplificação de termos técnicos para o cidadão será discutida por Maria José Finatto, e Rodrigo Abella apresentará diagnósticos de maturidade digital baseados em evidências, entre outros destaques.

    Em entrevista ao JÁ, o professor e escritor Adeli Sell, um dos organizadores do Congresso, fala da importância deste encontro.

    Adeli Sell

    JÁ – O que podes nos falar deste 1° Congresso, os objetivos?

    Adeli – É o primeiro, por isso, enfatizamos na chamada, pelo ineditismo e ousadia. Nosso objetivo é atingir o máximo de pessoas. Será presencial aqui em Porto Alegre, por isso, “gaúcho”. Mas terá transmissão online.

    É um congresso que vai debater uma temática ampla para falar com dirigentes públicos de todas as esferas – do Executivo e do Legislativo. E como não é só estatal, é público em geral, queremos falar com os que fazem a mídia em sindicatos e Ongs.

    JÁ – Qual é o principal mote?

    Adeli – Quando falo com as pessoas, começo pelo velho bordão do Velho Guerreiro Chacrinha – os mais jovens não devem saber quem foi José Abelardo Barbosa, com seu inigualável “Cassino do Chacrinha”, mas o que ele dizia continua atual segundo leituras minhas: ‘Quem não se comunica se trumbica’. É isso, comunicar melhor.

    JÁ – E quais os temas que vocês vão abordar?

    Adeli – Recentemente, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) instituiu o Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples, para eliminar o uso do juridiquês. O objetivo é tornar decisões judiciais, documentos e o atendimento ao público mais claros, diretos e acessíveis a todo cidadão, garantindo o direito à informação e facilitando o entendimento da Justiça.

    E a também uma lei (Nº 15.263, novembro de 2025) que institui a Política Nacional de Linguagem Simples nos órgãos e entidades da administração pública direta e indireta de todos os Poderes da União. Ou seja, vale em todas as esferas governamentais, para todas as pessoas.

    Dias atrás, em uma audiência pública sobre o Plano Diretor, um sujeito abre o evento dizendo: Vamos tratar aqui de “recuo de jardim”, “volumetria”, “área permeável”, etc, etc. Entendeu? Pois então, como já disse em outra entrevista: “a Lei passou meio distante da população e da imprensa corporativa”. Creio que ainda teremos um grande caminho pela frente.

    JÁ – Então, o tema da Linguagem Simples, vamos sublinhar aqui para nossos leitores…

    Adeli – Especificamente sobre a “linguagem simples”, teremos um painel que pretende mostrar como aos cidadãos podem encontrar, entender e usar as informações publicadas pelos órgãos e entidades da administração. A lei torna obrigatório que órgãos públicos se comuniquem de forma clara, objetiva e acessível, usando técnicas como frases curtas, palavras comuns e recursos visuais para facilitar o entendimento e o acesso à informação.

    A palestra será de Maria José Finatto que vai nos conduzir para transformar linguagem burocrática em texto que o cidadão compreende, metodologia premiada pelo Google. Finatto é doutora em Estudos da Linguagem e especialista em Acessibilidade Textual (UFRGS). Pesquisadora premiada pelo Google.

    Já na fala da Daniela Machado, vamos entender como identificar, barrar e corrigir desinformação antes que ela comprometa a credibilidade da sua instituição. Pois, em tempos de “fake news”, manipulações, mentiras e falsificação histórica, é essencial informar com verdade,
    precisão e simplicidade. Daniela é jornalista e especialista em Letramento Digital e Coordenadora do EducaMídia.

    JÁ – E a comunicação pública propriamente dita?

    Soraia Hanna

    Adeli – O Congresso pretende ser inédito e ousado, porque em geral se fala genericamente de comunicação. E aí, quando vêm uma crise – enchentes, um secretário que desviou recurso, etc,- aí é a crise, e no geral junto vem o caos. Por isso, vamos ouvir Soraia Hanna para não perder tempo e nos dizer o que fazer nas primeiras horas de uma crise: protocolos testados em quatro governos estaduais. Soraia é autora do livro “Gerindo crises, construindo reputação”. É também sócia da empresa Critério.

    Sandra Bitencourt vai começar a conversa do dia para mostrar como a imagem pública de uma instituição se constrói e desmorona, nos momentos de instabilidade política. Sandra é doutora em Comunicação (UFRGS), e assessora do Tesouro do Estado (RS).

    Como neste mundo líquido estamos todos navegando nas águas muitas vezes turvas da Internet, estamos trazendo Rodrigo Abella para nos dizer como medir o que realmente importa: diagnóstico de maturidade digital e os indicadores que revelam se a comunicação está blindada ou exposta. Abella é diretor-executivo da Social MedIA Gov. Especialista em comunicação baseada em evidências, estágios de maturação digital e sintonia fina com o público.

    JÁ – Podemos ter participação até da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação), certo?

    Adeli – Em não sendo possível ouvir especialistas nas três esferas de poder estatal, optamos pela vinda do representante da EBC, Leandro Rolim. Vai nos falar de como a TV 3.0 e a mídia pública nacional podem ampliar a voz da sua instituição além das redes sociais.

    E ao falar de mídia pública, é obrigação falar de dados, de segurança, de transparência. Por isso, Gustavo Ferenci irá dizer como usar transparência e LGPD como instrumentos ativos de legitimidade, não como obrigações a cumprir. Ferenci é presidente do Fórum de Proteção de Dados dos Municípios.

    Ou seja, será um dia repleto de temas, uma programação completa, para que possamos sair todos do Congresso com a alma um pouco mais leve.

    JÁ – O que mais vocês vão ofertar?

    Adeli – Em tempos de preocupações com o meio ambiente, os temas sociais e a governança, o Congresso buscou um local com fácil acessibilidade, com uma “pegada ESG” real. Os resíduos terão o devido destino para uma entidade de reciclagem, a alimentação, além de saudável – sem lactose, sem glúten, virá da economia solidária, de agroindústria familiar, de entidades sociais. O evento terá acompanhamento de uma arquiteta especializada em acessibilidades para pessoas idosas e PCDs. Haverá uma coleta de livros para doação a uma biblioteca.

    JÁ – Alguma coisa específica para os estudantes da área de comunicação?

    Adeli – Sim, os estudantes terão, em breve, no site, uma área para inscrições de forma gratuita. É outra de nossas contrapartidas sociais.

    JÁ – Vocês certamente terão patrocinadores.

    Adeli – Sim, aproveitamos para agradecer a todos aqui. Além do apoio de entidades de classe da área da comunicação – ARI, SINDIJOR – o evento conta com o apoio da Caixa Econômica Federal, Governo Federal, Corsan, a Associação dos fiscais de tributos/AIAMU, Associação dos Procuradores, Governo do Estado, Assembleia Legislativa. Na divulgação temos o apoio da IMOBI, LIFE OOH, Trensurb, entre outros.

    Mais informações no site do evento.

    Palestrantes já confirmados:

    Sandra Bitencourt: Doutora em Comunicação (UFRGS). Jornalista e Pesquisadora. Assessora do Tesouro do Estado (RS).

    Soraia Hanna: Sócia-diretora executiva da Critério. Especialista em gestão de imagem (trajetória em 4 governos estaduais).

    Maria José Finatto: Doutora em Estudos da Linguagem e especialista em Acessibilidade Textual (UFRGS). Pesquisadora premiada pelo Google.

    Daniela Machado: Jornalista e especialista em Letramento Digital (EUA). Coordenadora do EducaMídia. Foco em Integridade da Informação e curadoria responsável de conteúdos.

    Rodrigo Abella: Diretor-executivo da Social MedIA Gov. Especialista em comunicação baseada em evidências, estágios de maturação digital e sintonia fina com o público.

    Leandro Rolim: Doutor em Comunicação Audiovisual (Universidad de Salamanca), Professor da UCB, Produtor Executivo e Assessor na SUDIM – EBC

    Gustavo Ferenci: Secretário de Transparência de Canoas e Presidente do Fórum de Proteção de Dados dos Municípios. Tema: Transparência Pública Inteligente e Governo Digital.

  • Furtado e Falero abrem o Casa da Palavra, no Multipalco Eva Sopher

    Furtado e Falero abrem o Casa da Palavra, no Multipalco Eva Sopher

    Geraldo Hasse

    Com o Teatro Simões Lopes Neto lotado, estreou ontem o Casa da Palavra, projeto do Multipalco Eva Sopher que prevê rodas de conversa mensais entre personalidades de diferentes áreas sobre temas relacionados às artes e questões sociais.

    Começou com o bate-papo Quem conta o país? O Brasil em cena e em prosa, com o cineasta Jorge Furtado e o escritor José Falero, que aproveitaram para revelar um suposto segredo: estão trabalhando juntos no roteiro de um filme baseado no livro Os Supridores.

    Furtado e Falero têm diferença de uma geração. Furtado era fã de Mário Quintana. Fez em 1984 seu primeiro filme, Temporal. Depois, O Dia em que Dorival Enfrentou a Guarda e Ilha das Flores, que o levou a escrever para a TV Globo. O trabalho de maior audiência foi Memorial de Maria Moura. Trabalhou muito com Luis Fernando Verissimo em séries, como Os Normais.

    Falero contou que sentiu vontade de escrever a partir de assistir na TV seriados de ficção. Prefere escrever seguindo a intuição. Já tentou pesquisar pra se aprofundar nos temas mas concluiu que “investigar acaba atrapalhando”.

    Furtado escreve todos os dias e testa as falas em voz alta porque escreve pra filmar. Fez a plateia rir com a frase: “O prazo é a nossa musa”.

    Falero contou que se esforçou muito para publicar seus escritos, quando trabalhava como porteiro ou supridor. Só conseguia escrever depois que ganhava o suficiente para sobreviver. Agora a situação se inverteu: é a escrita que o está sustentando. Então, nas horas vagas, ele vai jogar sinuca ou vai pro samba.

    Pra encerrar, a mediadora da conversa, jornalista Bruna Paulin, perguntou o que cada um gostaria de eliminar do discurso das pessoas. Furtado: o racismo; Falero: a meritocracia.
    E o que cada um de vocês gostaria que mudasse no país?
    “Gostaria que a política não fosse vista como uma coisa suja”, disse Furtado. A seguir ele comentou: “Parece que não se roubam mais quantias como 100 mil; agora são milhões” (risos).
    Respondendo ao desafio final, Falero disse que gostaria de ver ampliar-se a diversidade ou, seja, deseja que haja uma melhor distribuição de recursos ou menos desigualdade. E deu um exemplo que parece uma parábola: “Vamos pegar um saco de feijão e escolher o maior dos grãos… Como se faz? Ora, você não vai catar grão por grão até achar o maior. Você pega um punhado (uma amostra) e logo acha o maior. É uma escolha arbitrária e nós estamos acostumados e conformados com isso, mesmo sabendo que no saco de feijão provavelmente tem um grão maior que o escolhido”.

    O público riu quando Falero confessou que detesta o livro Os Supridores, que lhe deu fama nacional. Acha que tem defeitos que está tentando corrigir no roteiro, enquanto Furtado, baseado em sua experiência como adaptador de 40 histórias literárias, insiste em respeitar o conteúdo do livro. Ambos divergem mas estão se entendendo. Não se falou em prazo ou datas de filmagem ou orçamento.

    O ingresso para o Casa da Palavra é a doação de um livro, em boas condições, na entrada do teatro, a serem distribuídos a bibliotecas.

    A iniciativa, com patrocínio da Casa da Memória Unimed/RS e apoio do Sescoop/RS, seguirá reunindo, nos próximos meses, profissionais de múltiplas vertentes, entre literatura, dança, teatro, dramaturgia, jornalismo e outras expressões artísticas e intelectuais. Com o projeto, o Multipalco Eva Sopher pretende reafirmar sua identidade como centro pulsante de produção cultural e pensamento contemporâneo. O objetivo é ampliar o papel do teatro como território de reflexão cultural. 

  • Audiência pública na Assembleia amplia debate sobre a nova fábrica de celulose

    Audiência pública na Assembleia amplia debate sobre a nova fábrica de celulose

    Não cabiam mais de 40 pessoas na pequena sala do 4° andar onde se realizou, nesta quarta-feira, a Audiência Pública que a Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do RS convocou para discutir os impactos sociais e ambientais da nova megafábrica de celulose da CMPC – empreendimento de R$ 25 bilhões, o “maior da história do Rio Grande do Sul”, segundo a imprensa.

    Mais de cem pessoas, inclusive jornalistas, tiveram que assistir pelo telão no lado de fora.

    A Fepam, órgão do governo do Estado responsável pela análise do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do empreendimento, não enviou representantes.

    O diretor de Infraestrutura da CMPC, Otemar Alencastro, apresentou um resumo do projeto, já rebatendo as principais críticas dos ambientalistas.

    Disse que a empresa realizou até agora 33 reuniões para debater as quatro mil páginas do EIA da futura fábrica, e que continua ouvindo as demandas das comunidades indígenas da região.

    O risco de poluição da água do Guaiba com compostos químicos altamente nocivos, como dioxinas e furanos, apontado por especialistas, foi minimizado por Alencastro. Segundo ele, os efluentes resultantes do processo produtivos serão devolvidos ao rio depois de rigoroso tratamento e sem riscos de contaminação. 

    Alencastro afirmou que o empreendimento foi concebido com premissas de sustentabilidade, incluindo reciclagem da água, manejo de resíduos sólidos, redução de combustíveis fósseis, branqueamento ECF, redução do consumo de produtos químicos e tratamento de efluentes.

    Conforme o diretor, “estudos ambientais consideraram diferentes condições climáticas, incluindo cenários críticos de cheias e estiagens, a partir de modelos de dispersão no Guaíba”.

    Diretor Otemar Alencastro, da CMPC Celulose. Foto Divulgação ALRS

    O executivo afirmou que a fábrica estará localizada a cerca de dez quilômetros do centro urbano, sem impacto direto para os moradores, portanto. Quanto aos impactos econômicos do empreendimento, ele ressaltou que só em Barra do Ribeiro haverá um incremento de 300% na arrecadação do município”.

    O biólogo e professor da Universidade Federal (Ufrgs), Paulo Brack, chamou atenção para o volume de água utilizada no processo de produção da celulose: 288 milhões de litros por dia, volume maior do que o consumo diário de toda a população de Porto Alegre.

    Desse total captado, a fábrica devolve ao Guaiba 242 milhões de litros por dia, volume maior do que a água servida que população devolve ao rio a cada dia.

    Segundo Brack, que também representa o Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (InGá) no Conselho Estadual do Meio Ambiente do RS, muitos compostos químicos são persistentes, como organoclorados utilizados para o branqueamento da celulose.

    O professor lembrou que há uma cadeia alimentar que depende da água do Guaíba. “Temos 7.078 pescadores relacionados pelo Ministério da Pesca e isso dá mais que os 2.300 que a empresa garante que terão emprego após a conclusão da obra. Então esses efluentes podem comprometer não só a pesca como também todos os balneários da Costa Doce”, disse.

    A engenheira química Alda Maria de Oliveira, ex-analista ambiental da Fepam, disse que “é preocupante” a questão desses poluentes. Os próprios números da empresa indicam a emissão de diversos compostos na água.

    https://novo.jornalja.com.br/noticiario/ambiente/carga-toxica-no-guaiba-vai-dobrar-com-nova-fabrica-de-celulose-alerta-ambientalista/

    Alda alertou para os impactos acumulados por mais de 50 anos de funcionamento de fábricas de celulose sobre o rio. De acordo com a engenheira, os impactos atingem tanto a qualidade da água quanto os peixes consumidos pela população. “Os efeitos recaem sobre o fluxo ambiental e também sobre a vida humana”, destacou.

    Biólogo Paulo Brack e a engenheira química Alda Oliveira. Foto Divulgação ALRS

    Arnildo Werá, coordenador estadual da Comissão Guarani Yvyrupa, destacou que a Convenção 169 da OIT garante o direito à consulta livre, prévia e informada sempre que medidas ou empreendimentos afetarem os povos indígenas. Esse direito não é favor, nem burocracia: é uma obrigação do Estado e das empresas.

    A liderança denunciou que as comunidades Guarani não foram devidamente consultadas sobre os impactos da instalação da CMPC em seus territórios tradicionais.

    “Ignorar esse processo é violar direitos internacionais, a Constituição brasileira e a autodeterminação dos povos indígenas. Não existe desenvolvimento quando há destruição de territórios, silenciamento de comunidades e violação de direitos. O povo Guarani exige respeito, escuta e participa nas decisões que afetam seu presente e seu futuro”, ressaltou.

    Da organização Amigas da Terra, o engenheiro ambiental Eduardo Raguse afirmou que a empresa já descumpre um dos itens de adequação da licença de operação relacionado ao controle de odores que causam “desconforto olfativo” à população. Raguse relatou impactos sobre a população local, incluindo registros de mal-estar entre alunos e professores da Colégio Estadual Augusto Meyer. Também alertou para o que classificou como “alto risco de acidentes”, mencionando avaliações realizadas pela Fepam nas operações da CMPC.

    Indígena Arnildo Werá e o engenheiro ambiental Eduardo Raguse

    Doutor em Ciências na área de Ecologia de Paisagem e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Rualdo Menegat, alertou sobre os impactos socioambientais. “Será necessária uma estrada de 1.100 km de caminhões que trarão insumos químicos por ano. Além disso, haverá também trânsito de 273 mil caminhões por ano junto como também aqueles que trarão os lenhos, cerca de 6 mil ônibus, 29 mil carros, 29 mil motocicletas, ou seja, serão consumidos milhões de litros de diesel com as devidas emissões de CO2”, comparou Menegat.

    https://novo.jornalja.com.br/noticiario/ambiente/biologa-aponta-falhas-tecnicas-no-estudo-de-impacto-ambiental-da-nova-fabrica-de-celulose-em-barra-do-ribeiro/

    A deputada Sofia Cavedon lamentou que seja classificado de “grenalização” o necessário debate ambiental e criticou a desqualificação de ambientalistas e pesquisadores que alertam para os impactos do empreendimento. Segundo Sofia, “os ambientalistas alertam sobre o que pode acontecer e a gente vê vários qualificativos agressivos usados contra eles. Como se fossemos eco chatos e contra o desenvolvimento, como se estes alertas não tivessem valor científico. Essas pessoas estudam pensam sobre o assunto e quem defende desenvolvimento econômico precisa considerar de forma técnica o impacto ambiental”.

    “O Guaíba não pode ser ainda mais poluído, ponto final. O Guaíba já está contaminado, e estamos falando de uma quantidade de água equivalente ao consumo de toda Porto Alegre que será utilizada pela CMPC. Porto Alegre também precisa ser consultada sobre esta nova planta, porque sofrerá os impactos”, argumentou.

    Sofia também criticou o modelo de expansão baseado no cultivo de eucalipto. Segundo ela, “não se trata de preservação, mas de uma monocultura predatória”.

    **Com informações das assessorias partidárias

  • Audiência pública na Assembleia amplia debate sobre nova fábrica de celulose no Estado

    Audiência pública na Assembleia amplia debate sobre nova fábrica de celulose no Estado

    Não cabiam mais de 40 pessoas na pequena sala do 4° andar onde se realizou, nesta quarta-feira, 20/05, a Audiência Pública que a Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, convocou para discutir os impactos sociais e ambientais da nova megafábrica de celulose da CMPC – empreendimento de R$ 25 bilhões, o “maior da história do Rio Grande do Sul”, segundo a imprensa.

    Mais de cem pessoas, inclusive jornalistas, tiveram que assistir pelo telão no lado de fora.

    A Fepam, órgão do governo do Estado responsável pela análise do Estudo de Impacto Ambiental do empreendimento, não enviou representantes.

    O diretor de Infraestrutura da CMPC, Otemar Alencastro, apresentou um resumo do projeto, já rebatendo as principais críticas dos ambientalistas.

    Disse que a empresa realizou até agora 33 reuniões para debater as quatro mil páginas do EIA-Rima da futura fábrica, e que continua ouvindo as demandas das comunidades indígenas da região de Barra do Ribeiro, cidade escolhida para abrigar o empreendimento.

    O risco de poluição da água do Guaíba com compostos químicos altamente nocivos, como dioxinas e furanos, apontado por especialistas, foi minimizado por Alencastro. Segundo ele, os efluentes resultantes do processo produtivos serão devolvidos ao rio depois de rigoroso tratamento e sem riscos de contaminação. 

    Alencastro afirmou que o empreendimento foi concebido com premissas de sustentabilidade, incluindo reciclagem da água, manejo de resíduos sólidos, redução de combustíveis fósseis, branqueamento ECF, redução do consumo de produtos químicos e tratamento de efluentes.

    Conforme o diretor, “estudos ambientais consideraram diferentes condições climáticas, incluindo cenários críticos de cheias e estiagens, a partir de modelos de dispersão no Guaíba”.

    Segundo o executivo, a fábrica estará localizada a cerca de dez quilômetros do centro urbano, sem impacto direto para os moradores, portanto. Quanto aos impactos econômicos do empreendimento, ele ressaltos que só em Barra do Ribeiro, onde se localizará a fábrica, haverá um incremento de 300 por cento na arrecadação do município.

    Já o biólogo e professor da Universidade Federal (Ufrgs) Paulo Brack chamou atenção para o volume de água utilizada no processo de produção da celulose: 288 milhões de litros por dia, volume maior do que o consumo diário de toda a população de Porto Alegre. Desse total captado, a fábrica devolve ao Guaíba 242 milhões de litros por dia.

    Segundo Brack, que também representa o Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (InGá), no Conselho Estadual do Meio Ambiente do RS, muitos compostos químicos são persistentes, como organoclorados utilizados para o branqueamento da celulose. Brack lembrou que há uma cadeia alimentar que depende da água do Guaíba. “Temos 7.078 pescadores relacionados pelo Ministério da Pesca e isso dá mais que os 2.300 que a empresa garante que terão emprego após a conclusão da obra. Então esses efluentes podem comprometer não só a pesca como também todos os balneários da Costa Doce”, disse.

    A engenheira química Alda Maria de Oliveira, ex-analista ambiental da Fepam, disse que “é preocupante” a questão desses poluentes. Os próprios números da empresa indicam a emissão de diversos compostos na água.

    Alda alertou para os impactos acumulados por mais de 50 anos de funcionamento de fábricas de celulose sobre o rio. De acordo com a engenheira, os impactos atingem tanto a qualidade da água quanto os peixes consumidos pela população. “Os efeitos recaem sobre o fluxo ambiental e também sobre a vida humana”, destacou.

    O professor Brack e a engenheira química Alda Oliveira.

    Arnildo Werá, coordenador estadual da Comissão Guarani Yvyrupa, destacou que a Convenção 169 da OIT garante o direito à consulta livre, prévia e informada sempre que medidas ou empreendimentos afetarem os povos indígenas. Esse direito não é favor, nem burocracia: “É uma obrigação do Estado e das empresas”.

    A liderança denunciou que as comunidades Guarani não foram devidamente consultadas sobre os impactos da instalação da CMPC em seus territórios tradicionais. “Ignorar esse processo é violar direitos internacionais, a Constituição brasileira e a autodeterminação dos povos indígenas. Não existe desenvolvimento quando há destruição de territórios, silenciamento de comunidades e violação de direitos. O povo Guarani exige respeito, escuta e participação nas decisões que afetam seu presente e seu futuro. Respeitar a Convenção 169 é respeitar os povos originários”, destacou Werá.

    Da organização Amigas da Terra, Eduardo Raguse afirmou que a empresa já descumpre um dos itens de adequação da licença de operação relacionado ao controle de odores que causam “desconforto olfativo” à população. Raguse relatou impactos sobre a população local, incluindo registros de mal-estar entre alunos e professores da Colégio Estadual Augusto Meyer. Também alertou para o que classificou como “alto risco de acidentes”, mencionando avaliações realizadas pela Fepam nas operações da CMPC.

    O Doutor em Ciências na área de Ecologia de Paisagem e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Rualdo Menegat, alertou sobre os impactos socioambientais. “Será necessária uma estrada de 1.100 km de caminhões que trarão insumos químicos por ano. Além disso, haverá também trânsito de 273 mil caminhões por ano junto com os que trarão os lenhos, cerca de 6 mil ônibus, 29 mil carros, 29 mil motocicletas, ou seja, serão consumidos milhões de litros de diesel com as devidas emissões de CO2”, comparou Menegat.

    A deputada Sofia Cavedon lamentou que seja classificado de “grenalização” o necessário debate ambiental e criticou uma possível desqualificação de ambientalistas e pesquisadores que alertam para os impactos do empreendimento. Segundo Sofia, “os ambientalistas alertam sobre o que pode acontecer e a gente vê vários qualificativos agressivos usados contra eles. Como se fossemos eco chatos e contra o desenvolvimento, como se estes alertas não tivessem valor científico. Essas pessoas estudam pensam sobre o assunto e quem defende desenvolvimento econômico precisa considerar de forma técnica o impacto ambiental. O Guaíba não pode ser ainda mais poluído, ponto final. O Guaíba já está contaminado, e estamos falando de uma quantidade de água equivalente ao consumo de toda Porto Alegre que será utilizada pela CMPC. Porto Alegre também precisa ser consultada sobre esta nova planta, porque sofrerá os impactos”, argumentou.

    Sofia também criticou o modelo de expansão baseado no cultivo de eucalipto. Segundo ela, “não se trata de preservação, mas de uma monocultura predatória”.

  • Mel: apicultura muda de patamar e já exporta US$ 100 milhões por ano

    Mel: apicultura muda de patamar e já exporta US$ 100 milhões por ano

    Por Geraldo Hasse

    Encerrado na sexta-feira (15) no Centro de Convenções de Floripa com uma festiva distribuição de prêmios de reconhecimento a figuras do mundo apícola, o 25º Congresso Brasileiro de Apicultura e Meliponicultura (Conbrapi) provou que a cadeia de negócios do mel adquiriu dimensão equivalente à de outros ramos da agroindústria exportadora baseada na agricultura familiar – frangos, porcos e sucos, entre outros.

    Desde que incorporou a lógica capitalista, a partir do início do século XXI, o setor apícola construiu uma pirâmide econômica em cujo topo se movem algumas poucas empresas exportadoras responsáveis por receitas anuais da ordem US$ 100 milhões graças à venda de 35 mil toneladas de mel orgânico para os Estados Unidos, Europa e Japão (o Brasil é o quarto no ranking de exportação liderado pela China, que produz 450 mil toneladas/ano).

    Na rede de negócios montados a partir do resultado do trabalho das abelhas, os mais bem remunerados são os exportadores, seguidos pelos operadores de entrepostos de matéria-prima, os comerciantes, os transportadores e os técnicos agrícolas que orientam e assistem a base da pirâmide constituída por cerca de 100 mil apicultores, alguns grandes, a maioria médios e pequenos, uns autônomos, muitos unidos em associações ou cooperativas que tiram das abelhas uma renda complementar.

    Em outros patamares da pirâmide apícola se acomodam as fábricas de equipamentos e de embalagens usados. É um universo em expansão. Sem dúvida, o velho hobby de agricultores e de aposentados do funcionalismo civil e militar mudou de patamar, tornando-se um negócio cujo maior benefício é invisível – a polinização responsável pela manutenção da flora nativa e de lavouras e pomares comerciais.   

    Sem as abelhas, a preservação da natureza estaria comprometida. Por isso, a apicultura profissional ou amadora (incluindo as abelhas nativas, que não possuem ferrão nem veneno) é considerada aliada da agricultura e parceira do ambientalismo.

    Não por acaso, os temas predominam em cursos e palestras no 25º Congresso foram os de sempre: a sanidade das abelhas, a produtividade dos apiários e o fortalecimento da meliponicultura, que vem crescendo como hobby, especialmente de mulheres e jovens.

    Segundo o engenheiro florestal Edier Rodrigo de Andrade (foto), que mantém um meliponário em Blumenau, uma colônia de abelhas jataí (a espécie mais comum no Brasil) produz em média 1 kg por ano, dependendo da região. Comprado no atacado por 180 reais, um quilo desse mel costuma ser vendido como substância medicinal em pequenos frascos, multiplicando várias vezes o valor original. É esse um dos nichos mais movimentados do mercado dos derivados do mel.

    No evento de Floripa, armaram-se dezenas de bancas e lojinhas dispostas a vender desde bebidas como o hidromel até cosméticos preparados com mel, própolis e até apitoxina, o veneno da Apis melífera.

    O decano dessa especialidade é Celio Silva (foto), bioquímico de 82 anos que esteve ativo durante os três dias do congresso na lojinha da Prodapys instalada numa esquina do pavilhão de expositores. Um dos pioneiros da exportação de mel em contêineres — num contêiner de 20 pés cabem 67 tambores de 200 litros –, Silva já passou o negócio principal da família aos filhos Jamilton, Tarciano e Lisandro, que tocam a Apisnativa, baseada em Araranguá, SC, onde a Prodapys começou em 1991. Apaixonado pela bioquímica, o fundador do grupo Prodapys é um pregador da apiterapia, à qual se devotou a partir do momento em que há 40 anos trouxe de Cuba para trabalhar na Prodapys uma veterinária chamada Ana, hoje vivendo no México.

    Tal como acontece na Apisnativa/Prodapys, a segunda geração também assumiu a direção de outras duas exportadoras presentes no 25º Congresso. A Mel Brasil, com sede em Timóteo, MG, que capta mel em todo o país e exporta pelo porto do Rio, já está nas mãos dos irmãos Augusto e Gustavo Delfim, cujo pai Carlos, 70 anos, trocou as abelhas pela pecuária bovina. Há pouco mais de dois anos, ele contrataram como gerente de compras o agrônomo Thomaz Araujo Castro, responsável por um cadastro de 4 mil fornecedores de pequeno a grande porte (60 a 600 tambores/ano). Para a captação do mel, opera uma frota de 12 caminhões que viajam para as principais regiões apícolas (onde mantém depósitos) carregando 300 tambores vazios nas idas e 100 tambores cheios na volta para a processadora em Timóteo.   

    Outra grande exportadora, também presente no congresso, é a Minamel, fundada em Içara, SC, por Agenor Castagna, atual presidente da FAASC. Há quatro anos, a Minamel fundiu-se com a Supermel, fundada em Maringá pelo agrônomo Carlos Roberto Domingues, de 66 anos, que se atirou na apicultura aos 18 anos, após ouvir (como estudante) uma palestra do agrônomo paulista Warwick Kerr, introdutor da abelha africana no Brasil (em 1956). As duas empresas fizeram as primeiras exportações em 2001 — um contêiner cada uma. Segundo Domingues, que já abriu espaço na firma para o filho, a produção nacional de mel, estimada em 70 mil toneladas/ano, tende a continuar crescendo graças à conquista e manutenção de grandes mercados consumidores de mel orgânico, livre de substâncias químicas estranhas à atividade das abelhas. Domingues envia amostras de mel para análise bioquímica na Alemanha. A resposta volta em 12 dias. Se for constatado indício de veneno agrícola como o glifosato ou de pólen transgênico em uma amostra, a carga correspondente é devolvida ao produtor. “Nós temos condições de fazer análises no Brasil”, diz ele, “mas optamos pela análise fora para evitar controvérsias”.  

    FLORIANÓPOLIS: CAPITAL DA APICULTURA

    Com cerca de 2500 participantes, foi a quarta vez que Floripa reuniu o pessoal do mel de todo o Brasil. Antes, no final do século XX, a capital catarinense hospedou os congressos de 2000, de 1984 e o de 1970 – o primeiro, quando a cidade ganhara fama graças à Cidade das Abelhas, centro de pesquisas apícolas fundado em 1967 e colocado nas mãos do técnico agrícola Helmuth Wiese (1926-2002), um dos fundadores da Confederação Brasileira de Apicultura (1968) e que presidiu o congresso mundial de apicultura realizado em 1989 no Rio. (No Rio Grande do Sul, que lidera a produção nacional de mel, o Conbrapi foi realizado apenas duas vezes: em 1992 em Candelária e em 2012 em Gramado).

    A Cidade das Abelhas não existe mais como centro de pesquisa, mas sua área de 20 hectares no bairro Saco Grande virou um parque ecológico da Universidade Federal de Santa Catarina, cujo gestor é o agrônomo Ricardo Jaluski, diretor técnico do Federação Apícola do Estado (Faasc), organizadora do 25 º Congresso, em parceria com a CBA e órgãos da Secretaria da Agricultura, sobretudo a Epagri, empresa estadual de pesquisa e extensão rural (1700 funcionários) que a partir de 1991 assumiu e levou para o interior do estado o que se fez originalmente na Cidade das Abelhas. No final do século XX, a burocracia havia transformado a Cidade das Abelhas num organismo praticamente inoperante. Além de escrever livros sobre o manejo das abelhas, Helmuth Wiese incentivou a polinização dos pomares de macieiras no planalto catarinense – desde os anos 70, os apicultores são pagos para colocar colmeias nos pomares, operação que dura três semanas no início da primavera. Sem as abelhas, as macieiras produzem muito pouco. Com isso, Wiese produziu uma dupla revolução: fortaleceu a pomicultura no Sul do Brasil e deu asas à apicultura migratória, que sustenta boa parte da produção nacional de mel.