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  • Rococó Produções e a poética do teatro expandido no Brasil contemporâneo

    Rococó Produções e a poética do teatro expandido no Brasil contemporâneo

    Grupo construiu trajetória com narrativas oriundas do imaginário coletivo, sejam elas lendas populares, contos tradicionais ou releituras de clássicos universais.

    Por Cristiano Goldschmidt

    A Rococó Produções Artísticas e Culturais, surgida no contexto sul-rio-grandense, constitui um caso singular dentro da cartografia do teatro brasileiro contemporâneo, sobretudo por sua capacidade de articular, de maneira orgânica, dimensões que frequentemente se apresentam dissociadas: criação estética, formação de público e intervenção sociocultural. Fundada pelos atores Henrique Gonçalves e Guilherme Ferrêra, a companhia completou 10 anos de trajetória em 2025, consolidando-se como um projeto de continuidade e relevância. A análise de sua trajetória exige, portanto, um olhar que ultrapasse a mera enumeração de espetáculos ou conquistas institucionais, para alcançar a lógica interna que orienta sua permanência no cenário artístico.

    Desde sua gênese, o grupo demonstra uma inclinação inequívoca para o hibridismo de linguagens. Tal característica não se reduz a um procedimento formal, mas configura-se como um princípio estruturante de sua poética. A cena rococoense — se assim se pode denominar — opera na interseção entre teatro narrativo, musicalidade cênica e elementos coreográficos, resultando numa gramática espetacular que privilegia o fluxo e a plasticidade. Essa opção estética revela uma compreensão ampliada do fenômeno teatral, entendido não apenas como representação dramática, mas como experiência sensorial e cognitiva simultaneamente.

    A história da Rococó Produções é marcada por um processo contínuo de circulação e diálogo com diferentes públicos, especialmente no circuito de teatro para infância e juventude. Longe de assumir essa vertente como um espaço menor, o grupo a transforma em laboratório privilegiado de experimentação e refinamento técnico. Há, nesse aspecto, uma recusa deliberada do didatismo simplificador que historicamente permeou o teatro infantojuvenil. Em seu lugar, emerge uma dramaturgia que respeita a inteligência do espectador jovem, propondo narrativas densas, ainda que acessíveis, e investindo em soluções cênicas que estimulam a imaginação sem subestimar a complexidade do mundo.

    Essa postura se reflete diretamente no trabalho de atuação. Os intérpretes da Rococó não se limitam à construção psicológica de personagens, mas assumem uma função polissêmica dentro da cena. São, ao mesmo tempo, atores, narradores, músicos e mediadores. Tal polivalência exige uma disciplina técnica específica, baseada na presença cênica, no domínio do ritmo e na capacidade de transitar entre registros expressivos distintos. O resultado é uma atuação que se afasta do naturalismo estrito e se aproxima de uma teatralidade assumida, na qual o jogo com o espectador torna-se elemento central.

    No que concerne ao foco artístico, é possível identificar uma predileção por narrativas oriundas do imaginário coletivo, sejam elas lendas populares, contos tradicionais ou releituras de clássicos universais. Essa escolha não é casual: ao mobilizar tais matrizes simbólicas, o grupo estabelece pontes entre diferentes gerações e contextos culturais, contribuindo para a preservação e reinvenção de repertórios narrativos. Ao mesmo tempo, suas montagens frequentemente incorporam temáticas contemporâneas, como diversidade, convivência social e formação ética, produzindo um efeito de atualização que impede a fossilização dessas histórias.

    As ações educativas da Rococó Produções constituem um dos eixos mais consistentes de sua atuação. Oficinas, projetos formativos e atividades de mediação cultural são concebidos não como apêndices, mas como extensões naturais do trabalho artístico. Nesse sentido, o grupo opera segundo uma lógica de teatro expandido, no qual a experiência estética se prolonga para além do espetáculo, alcançando processos de aprendizagem e sensibilização. Tal abordagem evidencia uma concepção de arte comprometida com a transformação social, ainda que essa transformação se dê de maneira sutil, no plano das percepções e afetos.

    O reconhecimento obtido ao longo de sua trajetória, materializado em premiações e participações em festivais, funciona como indicador da consistência de seu projeto. Distinções na área do teatro infantojuvenil, em especial, sinalizam não apenas a qualidade de suas produções, mas também a relevância de sua contribuição para um segmento frequentemente negligenciado pelas políticas culturais. No entanto, mais significativo do que os prêmios em si é o fato de o grupo ter conseguido construir uma relação duradoura com o público, baseada na confiança e na recorrência.

    Entre os principais integrantes da Rococó Produções, destacam-se artistas que acumulam funções criativas e pedagógicas, como direção, atuação e elaboração de projetos formativos. Atualmente, além de seus fundadores, integram o grupo Julio Estevan, Clarissa Siste e Jeniffer Pedroso. Ainda que a configuração do elenco possa variar ao longo do tempo, é precisamente essa flexibilidade que permite ao grupo manter-se dinâmico, incorporando novas experiências sem perder sua identidade. Trata-se de um coletivo no qual a autoria tende a diluir-se em favor de um pensamento artístico compartilhado.

    A forte ênfase na comunicabilidade e na solidez da estrutura narrativa responde por parcela significativa da recepção consistente do grupo. Em um panorama teatral que, não raramente, privilegia a ruptura como valor em si, a Rococó investe numa zona de tensão produtiva entre tradição e experimentação, articulando-as de modo a evitar tanto o conservadorismo reiterativo quanto a inovação gratuita. Trata-se, portanto, de uma escolha estética deliberada, ancorada na centralidade da experiência do espectador e na eficácia do encontro cênico como espaço de partilha simbólica.

    Em síntese, a Rococó Produções Artísticas e Culturais afirma-se como um projeto de longa duração que conjuga consistência estética, compromisso educativo e inserção social. Ao completar uma década de atividades em 2025, o grupo reafirma sua relevância no cenário cultural brasileiro. Sua trajetória evidencia a possibilidade de um teatro que, sem renunciar à elaboração formal, permanece acessível e significativo para públicos diversos. Ao investir na formação de espectadores e na valorização do imaginário coletivo, o grupo não apenas produz espetáculos, mas contribui para a construção de um tecido cultural mais sensível e plural.

  • Audiência debate impactos da nova indústria de celulose da CMPC

    Audiência debate impactos da nova indústria de celulose da CMPC

    Nesta quarta-feira, dia 20, será discutido o novo empreendimento de celulose da CMPC e os impactos socioambientais envolvidos no processo de licenciamento.

    Mais do que acompanhar, é hora de ocupar esses espaços, fazer perguntas, escutar diferentes perspectivas e defender o direito da população de participar das decisões sobre o futuro do estado.

    A Audiência Pública acontece às 10h30, na sala Maurício Cardoso, 4º andar no Parlamento gaúcho.
    Também com transmissão online. A organização é do Comitê Técnico de Análise e Questionamento do EIA – RIMA do novo Projeto da CMPC, e foi proposta pelos deputados Leonel Radde (PT), Miguel Rossetto (PT) e Marcus Vinicius (PP).

  • Demolições continuam: em meio aos escombros, o quilombo Kédi resiste

    Demolições continuam: em meio aos escombros, o quilombo Kédi resiste

    Quem entra no quilombo Kédi sem saber dos antecedentes do lugar, pode pensar que ali caiu um míssil perdido da guerra do Oriente Médio.

    Paredes derrubadas, vigas expostas, ferragens retorcidas, portas e janelas arrombadas – as duas fileiras de casas que se estendem ao longo de um estreito beco estão reduzidas a escombros.

    Nas poucas casas que ainda estão de pé, as pessoas se mostram arredias e inquietas. “É muito medo”, diz uma mulher na janela. Pela porta entreaberta vê-se uma criança no chão, uma velha numa cadeira. O marido sai para trabalhar de manhã e recomenda que ela não fale com estranhos.

    Pensa em saír? “Não saí ainda porque querem pagar como se fosse uma família e são duas”. Explica que no terreno moram também sua filha, um neto e o genro. “Eles também precisam de um lugar pra morar”.    

    Em março, depois de uma semana em que foram derrubadas 30 casas, a justiça proibiu as demolições. Mas, neste fim de semana, até de madrugada se ouviam as pancadas de marreta e picaretas derrubando paredes.

    Já moraram 80 famílias ali no Kédi. Agora, falam em doze, não se sabe ao certo, todo o dia tem gente se mudando. Levam as tralhas e voltam para derrubar a casa, condição exigida para receber a indenização de R$ 180 mil negociada com a prefeitura, mas, paga por uma empresa privada, segundo denunciou ao MPF a Frente Quilombola.     

    Outra exigência para fazer jus ao pagamento é assinar um termo em que renuncia à identidade de quilombola.

    Leonardo nasceu e se criou ali, tem 32 anos. Já fechou negócio, está levando seus pertences, vai construir duas peças no terreno de sua mãe, na Restinga. Ele não quer falar: “Só quero sair daqui, isso aqui virou inferno, só rato, sujeira, água podre”, diz, entrando e fechando a porta da pequena casa de tijolo, onde vivia com a mulher e dois filhos.

    No sábado, representantes do Movimento Quilombola se reuniram no local para debater a situação e discutir as possibilidades de resistência.

    Desde 2023 tramita no Incra um processo para reconhecer a área como um quilombo, território ancestral de escravizados. O problema é que o reconhecimento da condição quilombola é um processo coletivo e a prefeitura adotou um programa de compra assistida, negociando isoladamente com cada família.

    No processo do Incra, que inclusive já tem o laudo antropológico, estão cadastradas 41 famílias. Mas o quadro real se tornou confuso com o surgimento de aproveitadores desde que começaram as compras assistidas com a prefeitura. Consta que 120 acordos já foram feitos. “Muita esperteza, teve gente que pegou um quadradinho, só para receber”, diz Sérgio Valentim, da Frente Quilombola.

    “Extirpar” é a palavra que o representante do Movimento Quilombola usa para o que está sendo feito com o Quilombo Kédi, um enclave de pobreza que restou numa das regiões mais valorizadas de Porto Alegre, cercado de condomínios e imóveis de alto padrão.  

    São duas fileiras de casinhas, muitas de tijolos sem reboco, ao longo de uma ruela, formando uma nesga com pouco mais de 30 metros de largura por 100 metros de comprimento, espremida entre o muro do  Country Club e um condomínio de luxo.

    A ocupação do território remonta ao fim da escravidão. Quando foi proibido o trabalho escravo no Brasil, em 1888, os negros escravizados nas fazendas da região, como ocorreu em todo o pais, foram largados à própria sorte. Alguns preferiram continuar com os antigos senhores, a maioria foi se instalando numa faixa de terra ao longo do riacho que corta uma grande extensão daqueles campos.

    Moradores mais antigos ainda conheceram os avós que cuidavam do gado nessas fazendas e foram se arranchar na beira do riacho. Desse movimento nasceram várias comunidades negras na região: o Quilombo Silva, a Volta da Cobras e o Quilombo Kédi, que é uma corruptela de caddies, como são chamados os carregadores dos tacos nos jogos de golfe. Deriva dos jovens da comunidade que prestavam esse serviço aos jogadores de golfe do vizinho Country Club, desde  o início do século passado. (segue)

  • Gravura abre mostra individual “Mulheres silenciadas” e coletiva “Topografias sensíveis

    Gravura abre mostra individual “Mulheres silenciadas” e coletiva “Topografias sensíveis

    A Gravura Galeria de Arte promove a abertura de duas exposições nesta quinta-feira (14/05): a individual “Mulheres silenciadas”, da artista visual Ivone Rabelo, e a coletiva “Topografias sensíveis”, dos artistas João Carlos Bento, Cleci Serpa, Marion Lunke e Marília Chartune. A inauguração das duas acontece às 18h30, e as mostras ficam abertas à visitação até 6 de junho.

    Obra de Ivone Rabelo – Série Mulheres Silenciadas. Divulgação

    Com mais de duas décadas de atuação nas artes, Ivone Rabelo aborda a opressão, a violência de gênero e os silenciamentos impostos às mulheres. Por meio de manequins de loja em escala humana, materializa diferentes formas de abuso – emocional, financeiro, patrimonial e sexual -, dando corpo a realidades muitas vezes invisibilizadas. “Transformo a dor em linguagem artística”, resume ela, que ocupa a sala Branca da Gravura.

    “Minha obra questiona o ideal imposto à mulher, que deve ser múltipla, perfeita, mas sempre submissa – e rompe com ele. É um grito de basta”, diz Ivone.

    A curadora de “Mulheres silenciadas”, Ana Zavadil, ressalta que a escolha do manequim como figura central não é casual. “Trata-se de uma representação que desloca o corpo feminino do âmbito do indivíduo para o campo da objetificação. O manequim, como corpo artificial e comercial, carrega em si uma simbologia direta relacionada à mercantilização do feminino e a redução da mulher à condição de objeto. É uma presença corporal sem voz, sem história, sem identidade própria, ou seja, uma forma vazia, destinada a servir de suporte para o olhar alheio”.

    Cores, flores e cidades

    Integrante da mostra “Topografias sensíveis”, o artista formado pelo Instituto de Artes (IA/UFRGS) e arquiteto João Carlos Bento conta que sempre procura “trabalhar as cores como se fossem flores, que tragam uma energia positiva para os ambientes onde estão compondo”.

    Obra de João Carlos Bento. Divulgação

    Cleci Serpa, por sua vez, explica que, para ela, a cor não é descritiva. “Opera como território emocional, criando tensões, pausas e fluxos”.

    Já Marília Chartune valoriza o fato de que a representação de grandes cidades, temática trabalhada por ela desde 1984, é atemporal e “surge nas pinceladas fluidas da técnica de aquarela”.

    Obra de Cleci Serpa. Divulgação

    Nascida na Alemanha, mas gaúcha de coração, Marion Lunke não faz segredo de que se vale de “pinceladas fortes e bem coloridas”. Ela tem as flores, o corpo humano e rostos de mulheres entre seus principais temas.

    A coletiva dos quatros artistas, com curadoria de Regina Galbinski, ocupa a sala Negra. Conforme o texto curatorial, “cada pintura propõe uma experiência particular de observação, convidando o olhar a percorrer camadas, ritmos e silêncios”.

    Obra de Marion Lunke. Divulgação

    SERVIÇO:

    Exposições: “Mulheres silenciadas” e “Topografias sensíveis”

    Abertura: quinta-feira (14/5), das 18h30 às 20h30

    Visitação: até 6 de junho, de segunda a sexta, das 9h30 às 18h30; sábado, das 9h30 às 13h30

    Local: Gravura Galeria de Arte

    EndereçoRua Coronel Corte Real, 647, bairro Petrópolis, Porto Alegre

    Entrada gratuita

  • MPF aciona Justiça para exigir consulta a comunidades tradicionais em projeto de fábrica de celulose no RS

    MPF aciona Justiça para exigir consulta a comunidades tradicionais em projeto de fábrica de celulose no RS

    O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública para que o licenciamento ambiental do “Projeto Natureza”, da multinacional chilena CMPC, respeite os direitos de comunidades tradicionais no Rio Grande do Sul. A ação questiona a ausência de consulta prévia, livre e informada a pescadores artesanais, indígenas e quilombolas potencialmente afetados pelo empreendimento.

    Segundo o MPF, o processo conduzido pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) avançou sem cumprir exigências previstas na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O órgão também pede a realização de estudos específicos sobre impactos sociais, ambientais e econômicos às populações tradicionais da região.

    A procuradoria aponta riscos relacionados ao lançamento diário de 216 mil metros cúbicos de efluentes no Lago Guaíba, contendo substâncias tóxicas como compostos organoclorados, dioxinas e furanos. De acordo com a ação, os resíduos podem afetar áreas de captação de água em Porto Alegre e Barra do Ribeiro, além de impactar mais de 7 mil pescadores artesanais do Delta do Jacuí e da Lagoa dos Patos.

    O MPF também questiona os efeitos da expansão da monocultura de eucalipto no bioma Pampa. A estimativa é de que a futura fábrica demande cerca de 11,8 milhões de toneladas de matéria-prima por ano. Para o órgão, o avanço das plantações pode agravar a escassez hídrica, reduzir a biodiversidade e aumentar o risco de incêndios florestais.

    Na ação, o MPF solicita que a Justiça Federal suspenda o avanço das licenças até a realização das consultas às comunidades afetadas. Também pede que Funai, Incra e Ministério da Pesca coordenem os processos de consulta previstos na legislação internacional.

    O caso tramita na 9ª Vara Federal da Justiça Federal do RS.

  • Agrotóxico nas águas: painel vai centralizar dados de todas as bacias

    Agrotóxico nas águas: painel vai centralizar dados de todas as bacias

    O Ministério do Meio Ambiente lançou, nesta segunda-feira (11/05/2026), o “Painel de Monitoramento de Agrotóxicos nos Recursos Hídricos”, que vai centralizar dados sobre a presença de defensivos agrícolas em rios e cursos d’água de todo o Brasil.

    A plataforma foi construida pelo Ministério do Meio Ambiente, com base técnica desenvolvida pela Embrapa. Reúne dados que antes estavam dispersos, permitindo uma visão integrada de 63 pontos de coleta monitorados, com mais de 10,4 mil análises realizadas desde 2024.

    Inicialmente, o sistema acompanha a presença de 49 tipos de agrotóxicos.

    O painel mapeia o uso do solo e a vulnerabilidade ambiental das bacias, permitindo identificar quais locais e culturas agrícolas estão associados a maiores níveis de contaminação.

    A plataforma será pública e

    já pode ser acessada no site do Ministério do Meio Ambiente.

    Nas mais de 10 mil análises de agrotóxicos já feitas foram detectados  agrotóxicos em 7,2% das amostras. O S-Metolacloro foi o agrotóxico que apareceu quase 70% dos casos. 

  • Uso de antibióticos proibidos: Europa suspende compra de carnes do Brasil

    Uso de antibióticos proibidos: Europa suspende compra de carnes do Brasil

    A União Europeia decidiu suspendeu as importações de carnes e produtos de origem animal do Brasil a partir de 3 de setembro de 2026.

    O motivo é a “ausência de garantias suficientes sobre o controle do uso de antibióticos na pecuária”.

    Na Europa é proibido o uso de “substâncias antimicrobianas com a finalidade de melhorar o desempenho ou promover ocrescimento animal, além de ativos reservados exclusivamente para o tratamento de infecções humanas”.

    O Brasil não comprovou a eliminação completa no ciclo de vida dos animais de substâncias banidas pela UE, tais como virginiamicina, avoparcina, bacitracina, tilosina, espiramicina e avilamicina.

    O ponto central da exclusão brasileira da lista de importadores autorizados envolve exigências documentais rígidas e falhas na capacidade de monitoramento integral da cadeia produtiva de ponta a ponta.

     A medida faz parte da estratégia de saúde pública europeia voltada a combater a resistência bacteriana global e o uso indiscriminado de medicamentos na produção de alimentos.

    A suspensão não se limita à carne bovina, atingindo também aves, ovos, mel, peixes, equinos e derivados. O veto ocorre em meio à pressão de agricultores locais europeus (principalmente na França) após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Países vizinhos como Argentina, Uruguai e Paraguai demonstraram conformidade e continuam autorizados a exportar para o bloco.

    O Ministério da Agricultura brasileiro informou que trabalha junto às autoridades europeias para reverter a decisão antes do prazo final.

    (Com Agência Brasil)

  • Bactéria no detergente: Ypê suspende decisão, mas Anvisa mantém o alerta

    Bactéria no detergente: Ypê suspende decisão, mas Anvisa mantém o alerta

    A Química Amparo, dona da marca Ypê, conseguiu derrubar a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que suspendia a fabricação e comercialização de vários de seus produtos*.

    Anvisa acolheu o recurso da empresa mas manteve o alerta de risco sanitário e orienta os consumidores a não usar os 23 itens com lotes de final 1, nos quais a fiscalização detectou a presença de uma bactéria.

    O rótulo da embalagem é ilegível e o número do lote gravado na garrafa PET ´é invisível.

    Com o recurso administrativo, os produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido e desinfetantes podem continuar sendo fabricados e comercializados até nova manifestação da Anvisa.

    A Anvisa informou que mantém o entendimento técnico sobre os riscos identificados na linha de produção da unidade da Química Amparo, em Amparo, São Paulo. 

    A agência destacou que o julgamento definitivo do recurso pela Diretoria Colegiada deve ocorrer nos próximos dias.

    Enquanto isso, o órgão orienta que os consumidores não utilizem os produtos envolvidos, “por segurança”.

    Segundo a Anvisa, cabe à empresa orientar consumidores sobre:

        recolhimento;

        troca;

        devolução;

        ressarcimento;

        demais medidas necessárias.

    As informações devem ser prestadas por meio do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da fabricante.

    Entenda

    Na quinta-feira (7), a Anvisa determinou a suspensão da fabricação, distribuição e comercialização de diversos produtos fabricados pela unidade da Química Amparo, responsável pela marca Ypê. 

    Segundo a agência, a medida foi tomada após avaliação de risco sanitário identificar “falhas graves na produção”.

    Entre os problemas apontados estão:

        -falhas no controle de qualidade;

        -descumprimentos em etapas críticas da fabricação;

        -problemas nos sistemas de garantia sanitária.

    A agência afirmou que essas exigências são fundamentais para garantir a segurança dos consumidores.

    Lotes afetados

    A decisão da Anvisa atinge apenas produtos com lotes terminados no número 1.

    A relação completa foi publicada na Resolução nº 1.834/2026 no Diário Oficial da União.

    Recall voluntário

    A Ypê informou que já havia iniciado, em novembro de 2025, um recolhimento voluntário de alguns lotes de lava-roupas líquidos após identificar a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos específicos.

    Na ocasião, a empresa divulgou orientações aos consumidores sobre possíveis riscos à saúde e os procedimentos para troca ou devolução dos produtos.

    A Anvisa informou que as vigilâncias sanitárias estaduais e municipais foram orientadas a intensificar a fiscalização para impedir a circulação de lotes considerados irregulares.

    O órgão também recomendou que consumidores verifiquem a numeração dos lotes antes do uso dos produtos.

    *Os produtos de lotes de final 1 que tiveram a comercialização suspensa na quinta-feira foram os seguintes:

       – Lava-louças Ypê Clear Care

       – Lava-louças com enzimas ativas Ipê

        -Lava-louças Ypê

        -Lava-louças Ypê Clear Care

        -Lava-louças Toque Suave

        -Lava-louças concentrado Ypê Green

        -Lava-louças Ypê Clear

        -Lava-louças Ypê Green

        -Lava Roupas líquido Tixan Ypê Combate Mau Odor

        -Lava-roupas líquido Tixan Ypê Cuida das Roupas

        -Lava-roupas líquido Tixan Ypê Antibac

        -Lava-roupas líquido Tixan Ypê Coco e Baunilha

        -Lava-roupas líquido Tixan Ypê Green

        -Lava-roupas líquido Ypê Express

        -Lava-roupas líquido Ypê Power ACT

        -Lava-roupas líquido Ypê Premium

        -Lava-roupas Tixan Maciez

        -Lava-roupas Tixan Primavera

        -Desinfetante Bak Ypê

        -Desinfetante de uso geral Atol

        -Desinfetante Perfumado Atol

        -Desinfetante Pinho Ypê

        -Lava-roupas Tixan Power ACT 

    A bactéria Pseudomonas aeruginosa, encontrada em diversos produtos da indústria Ypê, é uma bactéria de grande resistência a antibióticos, segundo o  infectologista Celso Ferreira Ramos Filho, em entrevista à Agência Brasil.

    Ele explica que, como se trata de uma bactéria ambiental, esponjas usadas normalmente para lavar louça ou panos de chão podem estar contaminados, já que a bactéria permanece viva na água.

    De acordo com ele, a Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria de “vida livre”, ou seja, diferente de outras bactérias como a Escherichia coli, que vive dentro do intestino, ou o meningococo, que vive nas fossas nasais das pessoas.

    “Nós não vivemos em um ambiente que não tem micro-organismos. Existem outras bactérias de vida livre, como a Burkholderia que, eventualmente, podem causar doenças no homem”.

    Segundo ele, a bactéria pode causar uma série de problemas em pessoas imunocomprometidas, desde infecção urinária a infecção respiratória em pessoas que têm problemas de pulmão crônicos, como enfisema, ou em pessoas submetidas a tratamento com cateter na veia.

    “Colocam um tubo na traqueia e a bactéria pode entrar por ali. Também pode ocorrer em pessoas que estejam fazendo quimioterapia, o que faz com que haja um comprometimento maior e prévio da saúde da pessoa”, explicou Celso Ferreira.

    A médica Raiane Cardoso Chamon, professora do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF), afirmou à Agência Brasil que o maior problema dessa bactéria ocorre quando pessoas imunocomprometidas, que têm o sistema imunológico enfraquecido, entram em contato com ela.

    “Ela consegue causar infecções em pessoas que têm o sistema imune debilitado”.

    Em pacientes que têm fibrose cística, por exemplo, ela é causa comum de pneumonia. E o tratamento é muito difícil. Advertiu, por outro lado, que ela pode causar também problemas em pessoas saudáveis.

    “Dependendo da cepa da Pseudomonas, mesmo a pessoa saudável pode desenvolver uma infecção, como a otite de nadador, em pessoas que nadam em águas recreativas, como piscinas, rios, praias”, ressaltou Chamon.

    Para a profissional de saúde, o maior problema é quando a bactéria chega ao ambiente hospitalar, e a porta de entrada, geralmente, são as pessoas que trabalham ali ou entram no hospital, explicou a profissional de saúde.

    A médica relatou ainda que, dentro do ambiente hospitalar, onde uma pressão seletiva de antibióticos é muito grande, a bactéria carrega dentro dela uma série de resistências.

    Segundo Chamon, isso pode provocar infecções mais graves, associadas a pessoas que usam sonda urinária, têm infecção de corrente sanguínea, estão com pneumonia, pessoas com ventilação mecânica, E o tratamento, por conta da gravidade da infecção, é mais difícil, além da questão de a bactéria aumentar o poder de resistência.

    “Esse é o pior cenário de todos”, afirmou.

    Contaminação

    Como a Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria que vive muito bem no solo, na água e em ambientes úmidos, Raiane acredita que a contaminação pode ter ocorrido no momento de produção.

    “Não houve um controle microbiológico adequado. Provavelmente, algum reagente na hora de fabricação desses produtos estava contaminado pela Pseudomonas, e acaba que ela consegue se multiplicar nesses ambientes úmidos também”, explicou.

    “Na falta do controle microbiológico nas etapas necessárias de fabricação, pode ter havido um crescimento descontrolado de uma cepa específica, que vive melhor em ambientes com detergentes, por exemplo, e a gente acaba detectando-a nesses materiais”.

    Segundo a médica, existem níveis aceitáveis de contaminação microbiana em todos os produtos. O que não pode é ultrapassar esse nível para não oferecer risco à saúde, principalmente nos indivíduos que estão mais comprometidos em seu sistema imune.

    Comunicado

    Em comunicado divulgado na quinta-feira (7), a Ypê esclareceu que está colaborando integralmente com a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) “e conduzindo todas as ações necessárias com máxima prioridade, responsabilidade e transparência”.

    A empresa informou ainda que vem realizando análises técnicas e avaliações complementares, incluindo testes e laudos independentes, que estão sendo apresentados à Anvisa, “reforçando o compromisso da empresa com a qualidade, a segurança e a conformidade regulatória dos seus produtos”.

    A indústria se compromete ainda a incorporar de forma imediata eventuais aprimoramentos e recomendações regulatórias da Agência ao seu Plano de Ação e Conformidade Regulatória, desenvolvido em conjunto com a própria Anvisa desde dezembro de 2025.

    (Com Agência Brasil)

  • Governo Lula manda quatro ministros prestar contas da reconstrução no RS

    Governo Lula manda quatro ministros prestar contas da reconstrução no RS

    Nesta quinta-feira, 7 de maio, quatro ministros*, liderados por Miriam Belchior, chefe da Casa Civil, estavam na mesa do evento na Casa da Reconstrução, em Porto Alegre, em que o Governo Federal apresentou um balanço das obras de reconstrução no Rio Grande do Sul, dois anos depois da grande enchente de 2024.

    O total já liberado pela União para obras e auxílios emergenciais chega perto dos R$ 90 bilhões. Somados os incentivos fiscais e desonerações, vai a mais de R$ 110 bilhões o montante de verbas federais destinadas a mitigar os estragos da maior enchente já registrada no Estado.

    Segundo a ministra, 94% desses recursos “já foram executados”, o que significa que estão liberados, embora apenas uma parte tenha sido efetivamente aplicada até agora. No cronograma da reconstrução, há obras que só estarão concluídas em 2031.

    Governo libera R$ 5,4 bilhões para obras contra cheias

    No encontro foram assinadas novas ordens de serviços contra enchentes. Foto: Ramiro Sanchez/@outroangulofoto/JÁ

    Além do balanço das ações de reconstrução, foi anunciada a liberação de R$ 5,4 bilhões para obras de prevenção a enchentes no Estado. Os recursos fazem parte do Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (Firece), que reserva R$ 6,5 bilhões para oito grandes intervenções estruturantes. “O que estamos assinando aqui hoje prepara o Rio Grande do Sul para o futuro. São ações estruturais que marcam um novo ciclo neste estado: um ciclo de planejamento, prevenção e segurança”, disse a ministra Miriam Belchior.

    Entre as obras anunciadas estão intervenções nos sistemas de prevenção de cheias do Arroio Feijó, da Bacia do Rio Gravataí, de Eldorado do Sul e da Bacia do Rio dos Sinos, beneficiando 16 municípios gaúchos, incluindo Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo.

    Quinze prefeitos da Região Metropolitana de Porto Alegre, incluindo o prefeito da capital, Sebastião Melo, estiveram presentes para a formalização dos repasses.

    Na área habitacional, foram autorizadas mais de mil unidades do programa Minha Casa, Minha Vida, sendo 540 moradias em 22 municípios e outras 632 casas voltadas a famílias atingidas pelas enchentes.

    O governador Eduardo Leite também solicitou à União a ampliação de recursos para o dique de Eldorado do Sul, cujo custo subiu após revisão do projeto, além da prorrogação da suspensão da dívida do Estado com a União para financiar ações de segurança hídrica e irrigação.

    O tom político na reunião foi dado pelo deputado federal Paulo Pimenta, líder do governo na Câmara em Brasília e ex-ministro da Reconstrução, que destacou as características do governo Lula e a vontade pessoal do presidente em atender com presteza as populações atingidas.

    A ministra Miriam Belchior e o deputado Paulo Pimenta, representantes do governo Lula. Foto: Ramiro Sanchez/@outroangulofoto/JÁ

    Pimenta se declarou “inconformado” com a “burocracia que emperra obras urgentes”. O governador Eduardo Leite, a seu lado, percebeu a indireta e disse que também se angustia, mas que as obras mais complexas nem sempre podem ser aceleradas.

    Visto por seu aspecto político, o evento foi um lançamento no Rio Grande do Sul da campanha pela reeleição do presidente Lula.

    (*) Ministros presentes:

    Miriam Belchior: Ministra da Casa Civil, que comandou a apresentação do balanço.

    Vladimir Lima: Ministro das Cidades.

    Leonardo Barchini: Ministro da Educação.

    André de Paula: Ministro da Agricultura e Pecuária.

  • Otávio Rocha: viaduto restaurado, praça ainda abandonada

    Otávio Rocha: viaduto restaurado, praça ainda abandonada

    No coração do Centro Histórico de Porto Alegre, a poucos quarteirões do viaduto restaurado, está a pracinha que também homenageia o prefeito Otávio Rocha. A construção é do início dos anos 30 e segue estilo semelhante do viaduto.

    A praça em 1930, na época do término das obras de ligação da Otávio Rocha com a então Rua São Rafael.

    A praça foi projetada pelo arquiteto Christiano de la Paix Gelbert (1899-1985), o mesmo que projetou o Pronto Socorro e a Prefeitura da capital gaúcha. O local da praça é um terreno triangular, em declive, sobra de desapropriações feitas para alargar as ruas naquela área, por volta de 1930.

    É das poucas praças na cidade que mantém sua forma original. Na parte baixa, destaca-se um busto de Otávio Rocha, esculpido por André Arjonas: está com as mãos decepadas, sinalizando o abandono da bela pracinha, o que se confirma nas instalações depredadas. O lugar onde funcionou um café serve de abrigo para mendigos.  

    Pequeno chalé, onde funcionou uma cafeteria, abandonado. Foto EB/JÁ

    Em 2024, a prefeitura chegou a firmar uma parceria com uma empresa privada (Infinita Town), que adotou a praça e chegou a iniciar uma reforma em abril daquele ano, mas desistiu do projeto no início de 2025.

    Com isso, as obras pararam e o espaço voltou a sofrer com a falta de manutenção e ocupações.

    Construção é dos anos 30. Foto Elmar Bones/JÁ
    Antigo chalé precisa de reforma completa. Foto Elmar Bones/JÁ

    Novo grupo assume revitalização

    Em janeiro de 2026, a Prefeitura de Porto Alegre reabriu um edital buscando parceiros da iniciativa privada para revitalizar e manter o local, incluindo a reativação da tradicional cafeteria. Nove empresas se inscreveram.

    Novo grupo será responsável pela limpeza e manutenção da praça. Foto Elmar Bones/JÁ

    O grupo de gastronomia MuleBule foi o escolhido e será responsável pela reabertura do café no chalé. O modelo proposto pela prefeitura foca na manutenção e conservação do espaço em troca da exploração comercial da cafeteria. O adotante assume a responsabilidade pela revitalização, manutenção constante, limpeza e paisagismo da praça.

    A expectativa é de que o termo de adoção seja assinado neste mês de maio.

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