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  • Casa Ramil: a transição geracional de uma família musical

    Casa Ramil: a transição geracional de uma família musical

    A Casa Ramil, espetáculo musical que vem se apresentando em cidades brasileiras, é um caso raro de sucesso de crítica e de público. No último fim de semana de agosto, lotou por duas noites seguidas os 900 lugares do Teatro Ademir Rosa em Floripa.

    São sete figuras no palco, seis homens e uma mulher, vários instrumentos se alternando nas mãos de pais, filhos, tios e sobrinhos, uns compositores, todos cantores unidos pelo sobrenome Ramil. Uma caixinha de música reciclável cujos integrantes moram em cidades distantes (Rio, Pelotas, Porto Alegre e Macapá), onde estão sempre prontos e dispostos a se juntar para mais um show.

    A reinvenção dos Ramil não acontece só no palco. Nos bastidores também atua um grupo de mulheres portadoras da mesma genética. Com Branca no comando, Karina, Isabel e Khris dão o chamado suporte artístico ao grupo musicista made in Laranjal Beach em 2018.

    Recordemos: no início, há mais 50 anos, os dois mais velhos da irmandade montaram um grupo chamado Almondegas, que deu à luz a dupla Kleiton e Kledir, estrelas da música popular que subiram de Pelotas ao Rio com trilhas de novelas da Globo. Solito no pampa, com os ouvidos abertos para a música da fronteira, ascendeu o caçula Vitor com uma série de canções de raro lirismo.  

    Quarenta anos depois, os Ramil vivem uma transição geracional. Os veteranos KK+V passam a bola para Ian, Thiago, Gutcha e João. Além de mesclar hits antigos como Vira Virou (de Kleiton) a canções recentes como Artigo 5º (de Ian), o ajuntamento artístico-familiar enriqueceu as apresentações com conversas, lembranças, comentários e citações nos intervalos entre as canções. Tanto para o público como para os artistas, é um achado que propicia distensão e intimidade.  

    Nessas pausas relaxadas, os mais novos jogam conféti nos mais velhos (suas “referências”), que lançam farpas e lantejoulas entre si. É tudo tão natural que nem parece ser combinado. Segundo Vitor, “a gente se diverte enquanto vai mostrando nosso trabalho”. São momentos em que se misturam emoção e bom humor, sem lágrimas nem baixarias, como nas boas casa do ramo. Tudo leve, lindo e solto com deve ter sido em outras casas mais antigas de famílias musicais (Caymmi, Gil e Velloso).

    Eles falam da casa de veraneio na praia do Laranjal, na Lagoa dos Patos, em Pelotas, ponto de encontro familiar nos finais de ano. A casa foi construída pelo imigrante uruguaio Miguel Ramil, cuja sensibilidade como marceneiro transparece no vitral mostrado na abertura do show – é tipo um logo familiar. Num painel no fundo do palco, aparecem folhas e galhos do salso chorão do jardim, imagem fotográfica também usada em show solo de Vitor Ramil. Em alguns momentos, um áudio passeia trechos de cantorias caseiras da matriarca Dalva (1926-2024), a antena musical da família a quem os filhos e netos quiseram homenagear neste espetáculo ao mesmo tempo singelo e grandioso.  

    Sem dúvida, a mescla de gerações veio em boa hora. A ascensão dos jovens está permitindo que, na alternância dos versos e das vozes, os veteranos possam descansar as cordas vocais calejadas após tantos anos de estrada. Ainda assim, o vocal coletivo é tão intenso que a Casa Ramil poderia reduzir o volume da engenharia de som, aparentemente desnecessária nos solos da gurizada.Sem desfazer da potência do macharedo que a cerca, postada no fundo do palco, Gutcha Ramil é uma revelação: toca flauta e rabeca em algumas canções, mas seu forte é a percussão, do pandeiro ao bombo leguero. E a voz, um brado de fera. Segundo o líder Kleiton, a sobrinha (filha da mana Kátia e irmã de Thiago Ramil) está madura para gravar um trabalho solo. “Merece”, como se diz em Pelotas. (Geraldo Hasse)

  • Lutzenberger, há 54 anos: “Sem preservação, teremos enchentes cada vez mais imprevisíveis e violentas”

    Lutzenberger, há 54 anos: “Sem preservação, teremos enchentes cada vez mais imprevisíveis e violentas”

    A região metropolitana de Porto Alegre estará sujeita a enchentes cada vez mais “imprevisíveis e violentas” se nada for feito para preservar os banhados e a vegetação no entorno do Guaíba e seus afluentes.

    O alerta foi feito pelo então fundador presidente da Agapan, José Lutzenberger, em extenso artigo na edição de 27 de agosto de 1972 do  Correio do Povo (na época o principal diário do Rio Grande do Sul).

    Veja o resumo do artigo  “Estuário do Guaíba, Reserva da Grande Metrópole do Futuro”, escrito por José A. Lutzenberger. Na época a região metropolitana tinha 1,5 milhão de habitantes. Hoje ultrapassa os 4 milhões.

    O texto é um alerta pioneiro sobre a degradação ambiental no Rio Grande do Sul, causada, principalmente, pelo o avanço dos aterros, drenagem e secamento dos banhados no Estado, para expansão urbana, agricultura, pecuária ou plantios de eucalipto.

    Alerta para o “desaparecimento total dos banhados em poucos anos”, se medidas preventivas não fossem tomadas.

    Lutzenberger critica a postura “ecologicamente cega” e pautada pelo imediatismo econômico. “A especulação imobiliária ignora as necessidades de longo prazo da coletividade”, destaca.

    “Há”, diz ele, “uma visão leiga e equivocada de que banhados servem apenas para criar mosquitos e jacarés. Banhados, afirma, estão entre os ecossistemas mais produtivos e cruciais do planeta. Cerca de 60% da produtividade dos oceanos depende direta ou indiretamente dos banhados”.

    Os banhados do Guaíba e da Lagoa dos Patos garantem o suporte de vida e o equilíbrio biológico de todo o estuário. A perda da vegetação nativa desestabiliza o regime de águas do estuário. Os banhados atuam como filtros biológicos naturais que depuram a poluição acumulada. Sem eles, a capacidade de auto-purificação das águas é perdida e a poluição se agrava.

    “Exercem papel fundamental no controle de cheias ao reterem grandes volumes de água. O fim dos banhados tornará as enchentes mais imprevisíveis e violentas”.

    O resultado de sua destruição é que “volumes cada vez maiores de sedimentos carreados pelos rios Jacuí, Sinos, Caí e Gravataí causam o assoreamento crescente do Guaíba, problema que a engenharia tenta resolver de forma paliativa por meio de dragagens”.

    “Os efluentes que chegam ao Guaíba não contêm apenas matéria orgânica que se decompõe. Indústrias metalúrgicas e químicas despejam sais de metais pesados e cianureto nas águas. As águas pluviais varrem contaminantes das cidades diretamente para os cursos d’água”.

    “Os banhados atuam como filtros biológicos naturais que depuram a poluição acumulada. Sem eles, a capacidade de auto-purificação das águas é perdida e a poluição se agrava. Exercem papel fundamental no controle de cheias ao reterem grandes volumes de água. O fim dos banhados tornará as enchentes mais imprevisíveis e violentas”.

    O estuário confere um valor estético e recreativo único no contraste com o centro urbano.

    A urbanização desordenada destruiria o principal patrimônio ambiental paisagístico da cidade.

    A área deveria ser convertida em reserva biológica para proteger a avifauna e fauna aquática.

    Lutzenberger condena o uso de aterros sanitários com lixo urbano nas ilhas.

    O lixo em decomposição anaeróbia contamina o lençol freático com substâncias tóxicas.

    A única solução sustentável para os resíduos é a coleta seletiva e a reciclagem industrial.

  • Livraria Isasul sedia bate-papo com Dr. Mauro Kwitko

    No próximo sábado, dia 29 de agosto, às 10h30, a Livraria Isasul realiza um encontro aberto ao público com o médico e escritor Dr. Mauro Kwitko. O bate-papo abordará a Psicoterapia Reencarnacionista, trazendo reflexões e experiências acumuladas pelo palestrante ao longo de três décadas de atuação na área.

    Fundador e presidente da Associação Brasileira de Psicoterapia Reencarnacionista (ABPR), Kwitko defende a reencarnação como um tema relevante para a área da saúde, propondo um novo paradigma terapêutico e espiritual.

    Durante o evento na capital gaúcha, o autor também apresentará as ideias de sua próxima obra, intitulada “E Putin reencarnou ucraniano! e outras histórias”. O livro, que será lançado oficialmente na Feira do Livro de Porto Alegre de 2026, propõe debater a reencarnação no âmbito social como uma ferramenta para a superação de preconceitos históricos, como o racismo, o machismo e os nacionalismos tóxicos.

    O encontro contará com um espaço voltado a perguntas do público, incentivando o debate sobre o tema. A entrada é franca, mas as vagas são limitadas devido à capacidade do espaço.

    Serviço:

    • Evento: Bate-papo com Dr. Mauro Kwitko
    • Data: Sábado, 29 de agosto de 2026
    • Horário: 10h30
    • Local: Livraria Isasul (Rua Riachuelo, 1236 — Centro Histórico, Porto Alegre)
    • Entrada: Gratuita (vagas limitadas)
    • Inscrições: Reserva antecipada via WhatsApp pelo número (51) 99367-0575
  • Vale tudo nas redes: STF quer recuperar o diploma para jornalistas

    Vale tudo nas redes: STF quer recuperar o diploma para jornalistas

    Em 2009, o STF extinguiu o diploma de curso superior como requisito obrigatório para o exercício do jornalismo no Brasil.

    Agora, em 2026, o STF defende a volta do diploma para o exercício do jornalismo no Brasil.

    Quando extinguiu  diploma em 2009, o STF invocou a liberdade de expressão e a necessidade de varrer o “entulho autoritário”.

    Fazia sentido: a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo no Brasil fora imposta por um decreto Lei do regime  militar, em 1969.

    Na verdade, o ministro Gilmar Mendes, relator do processo atendia a uma demanda antiga das empresas.  A exigência de um curso superior específico para o exercício de uma profissão regulamentada enfrentou desde o início a resistência dos donos das empresas jornalísticas

    A ideia de que o jornalismo era uma profissão com relevância social e exigências técnicas, e não um mero “talento” a ser explorado sem direitos trabalhistas definidos, vinha de muito antes.

    Ganhou grande impulso com a ascensão de Audálio Dantas à presidência do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, nos anos 1970 e, posteriormente, na Federação Nacional dos Jornalistas.

    Audálio Dantas liderou o histórico enfrentamento ao regime após o assassinato do jornalista Vladimir Herzog em 1975. Sua  autoridade moral desarmava o argumento das empresas, pois ele demonstrava que a defesa do diploma visava a responsabilidade ética com a sociedade e salários dignos, e não o cerceamento da liberdade de expressão.

    Após a derrota no STF em 2009 (por 8 votos a 1), Audálio* permaneceu ativo nas frentes de mobilização para reverter a decisão.

    Os defensores do diploma recorreram ao Legislativo por meio da PEC do Diploma (PEC 206/2012). Ela foi aprovada no Senado em 2012, mas passou mais de uma década paralisada na Câmara dos Deputados, onde está pronta para o plenário, travada pela resistência política das bancadas ligadas a donos de mídia.

    Agora, os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes surpreenderam  ao defender publicamente que o Supremo reavalie a decisão de 2009.

    O argumento mudou radicalmente por causa do ambiente digital. Moraes afirmou que, com as redes sociais, qualquer pessoa se autodeclara jornalista para ofender a honra de terceiros ou espalhar desinformação, escudando-se na liberdade de imprensa. Ele chegou a alertar para o risco de facções criminosas se infiltrarem em páginas digitais de notícias.

    A FENAJ capitalizou as falas dos ministros e voltou a pressionar o judiciário para que o jornalismo recupere a exigência de uma formação acadêmica específica, visando separar profissionais éticos de redes organizadas de desinformação.

    O fim da barreira legal de entrada no mercado de trabalho — somado à explosão da internet e das redes sociais — transformou a dinâmica salarial e a oferta de empregos através de quatro impactos centrais:

    Sem a exigência de uma formação específica, os sindicatos perderam muito de seu poder nas negociações coletivas. As empresas ganharam respaldo jurídico para contratar profissionais sob outras funções ou nomenclaturas (como “produtor de conteúdo”, “redator” ou “analista de comunicação”). Isso permitiu pagar salários abaixo do piso histórico da categoria dos jornalistas. No mercado atual, embora a média salarial no topo do setor corporativo seja competitiva, os pisos iniciais em praças menores tornaram-se muito baixos para a complexidade da função.

    Dados consolidados pelo Dieese para a FENAJ revelaram que o mercado de trabalho formal (com carteira assinada) para jornalistas encolheu mais de 21% no país desde 2020.

    Milhares de vagas formais desapareceram das redações tradicionais devido à fusão de cargos e ao fechamento de veículos.

    Como as redações tradicionais encolheram e os salários estagnaram, o mercado de trabalho migrou fortemente para fora dos veículos de mídia.

     Áreas como assessoria de imprensa, marketing de conteúdo, comunicação institucional e gerenciamento de redes sociais tornaram-se o principal refúgio e o maior empregador de profissionais da área. O perfil do jornalista mudou: ele deixou de ser exclusivamente o repórter de rua para se tornar um gestor de comunicação estratégica multiplataforma.

    Para cortar custos trabalhistas em um cenário onde qualquer pessoa jurídica poderia prestar serviços de informação, as empresas aceleraram a transição da carteira assinada (CLT) para contratos de Prestação de Serviços (PJ).

     Houve um aumento expressivo de jornalistas atuando como autônomos, freelancers ou fundando seus próprios portais locais e blogs independentes. Embora isso tenha trazido autonomia para alguns, para a maioria significou perda de rede de proteção social (como férias remuneradas, décimo terceiro e FGTS).

    Essa realidade de salários achatados e perda de postos formais é, justamente, o grande pano de fundo econômico que a FENAJ utiliza hoje para sensibilizar os ministros do STF. O argumento é que a desregulamentação não gerou “pluralidade”, mas sim a precarização do trabalhador.

    As empresas de comunicação da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) — adotam uma postura de resistência de bastidores, mas com um discurso público polido.

    Argumentam que continuam priorizando a contratação de profissionais formados e diplomados por entenderem o valor da qualificação técnica.

    No entanto, defendem que isso deve ser uma escolha de mercado de cada empresa, e não uma obrigação imposta pelo Estado. O argumento oficial permanece o mesmo de 2009: atrelar o exercício do jornalismo a um canudo universitário cercearia a liberdade de expressão e impediria colaboradores, intelectuais e especialistas de outras áreas de produzirem informação de interesse público.

     Com as falas recentes dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino ligando a falta de regulamentação à explosão de fake news e páginas de difamação patrocinadas, o argumento das empresas (de que qualquer barreira fere a liberdade) perde força.

    Um ponto novo nessa reviravolta envolve entidades voltadas à defesa dos jornalistas, mas focadas em liberdades civis, como a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

    As análises correntes assinalam que , “ao mesmo tempo em que os ministros do STF propõem a volta do diploma para combater a desinformação, o tribunal tem sido alvo de pesadas críticas das próprias entidades de imprensa por autorizar medidas como a quebra de sigilo de fonte contra jornalistas e blogueiros independentes”.

    Por isso, o ambiente atual seria de cautela : a categoria quer a proteção trabalhista do diploma, mas teme que o STF use a “regulamentação” como pretexto para aumentar o controle do judiciário sobre o que pode ou não ser publicado na internet.

    A maneira mais segura de avançar nesse ambiente é a mobilização dos profissionais para dar aos representantes da categoria força para influir decisivamente nas negociações dos termos da nova regulamentação.

    Algumas novas lideranças, como a presidente da Associação Rio Grandense de Imprensa (ARI), Cláudia Coutinho, estão otimistas. Mas o retrospecto não é favorável: em 2009, as redações não deeram respaldo às lideranças que lutaram contra a desregulamentação.

    • (1929-2018 )

    (Este post foi corrigido e atualizado pelo editor as 12h09)

  • 5ª Expo Mob reúne imagens de 63 fotógrafos em Porto Alegre

    5ª Expo Mob reúne imagens de 63 fotógrafos em Porto Alegre

    Em sua 5ª edição, a Expo Mob reúne os trabalhos de 63 fotógrafos, provenientes de 19 cidades do Brasil e também do exterior, revelando a diversidade de olhares, histórias e linguagens que a fotografia produzida por dispositivos móveis é capaz de alcançar. São diferentes territórios, experiências e sensibilidades reunidos em uma única exposição, mostrando como a tecnologia ampliou as possibilidades de criação e aproximou novos artistas da arte fotográfica. 

    Expo Mob, foto de Nario Barbosa.

    A abertura da exposição a céu aberto foi realizada no sábado, 22 de agosto, no Píer da Usina do Gasômetro (João Goulart, 551) e a visitação segue diariamente, ao longo de 24h, até o dia 31 de outubro.

    Sediada na Galeria Escadaria, que foi criada no Viaduto Otávio Rocha, na avenida Borges de Medeiros e migrou para outro cenário emblemático de Porto Alegre, a Orla do Guaíba, a “Expo Mob” é formada por 20 grandes painéis, especialmente concebidos para exposições de arte em espaços públicos. 

    Expo Mob, foto de Paulo Guerra.

    O objetivo é aproximar a fotografia do cotidiano da cidade, levando a produção artística para um espaço de circulação, convivência e encontro com o público. A curadoria e coordenação é do fotógrafo, designer visual e produtor cultural Marcos Monteiro, com uma trajetória dedicada à criação, à curadoria e à democratização do acesso à arte em espaços abertos.

    Expo Mob, foto de Camila Medeiros.

    A “Expo Mob” não pretende discutir o smartphone como tecnologia, mas reconhecer aquilo que ele tornou possível: o surgimento de uma nova e ampla geração de artistas e de novas formas de expressão visual. Ao colocar uma ferramenta de criação nas mãos de bilhões de pessoas, a tecnologia abriu espaço para que diferentes olhares, experiências, histórias e sensibilidades encontrassem na fotografia uma forma de expressão artística. Pessoas que talvez nunca tivessem acesso a equipamentos fotográficos tradicionais passaram a criar, experimentar e desenvolver suas próprias linguagens.

    Expo Mob, foto de Paulo Paim.

    Essa transformação ampliou o território da arte. Novos autores surgiram, novos olhares ganharam visibilidade e a fotografia passou a incorporar uma diversidade ainda maior de experiências e narrativas. O que importa, portanto, não é o equipamento utilizado para produzir uma imagem, mas o olhar de quem cria e a potência da imagem que resulta desse olhar. A “Expo Mob” nasce desse movimento e busca dar visibilidade a essa produção, reconhecendo a fotografia móvel como um campo legítimo da criação artística contemporânea. “Mais do que uma exposição de fotografias feitas com celulares, a mostra celebra os artistas, seus olhares e a democratização da possibilidade de criar arte”, afirma o curador, Marcos Monteiro.

    Expo Mob, foto de Jerônimo Sanz.

    PARTICIPANTES:

    Ale Bruny, Alice Alvarez, Andrea Barros, Andre Schuett, Angela von Mühlen, Bia Donelli, Camila de Medeiros, Cerise Gomes, Claudia Bento  Alves, Claudia Brandão, Clara Koury, Cynthia Feyh Jappur, Daniel Fontana, Daniel Mesquita, Fernanda Carvalho, Fernando Kluwe  Dias, Fernando Kokubum, Gustavo Vara, Hairton Cezar, Heloiza Averbck, Henri Rupp, Ismael Holanda, Jaque  Borba, Jerônimo Sanz, Joceliene Chies, Jorge Neuman, Kathy Esposito, Leandro Bezerra, Lidiane Nepomuceno Macêdo, Luiza Viegas, Magnum Koury, Manoel Nunes, Marcelo Grivot, Margare Abreu, Maria do Carmo Both, Maria João Vale, Maria Sallet, Márcio Pinto, Mario Carvalho, Nádia Maria Weber Santos, Najara Silva, Nário Barbosa, Neca Lahm, Nely Alves, Paulo Filandro, Paulo Guerra, Paulo Paim, Carlos Sadao, Sandra Carrilo, Silvana Bittencourt, Silvia Pozza, Sonia Amorim, Sonia Rovisnk, Stheve Balbinotti, Tacila Torres, Tercles, Vanesa Castro, Victor Ghiorzi, Vilma Blondet, William Omar Perez Clavi e Zulaine Santos

    Expo Mob, foto de Vilma Blonded.

    Serviço:

    Abertura: 22 de agosto (sábado) de 2026, a partir das 16h.

    Local: Pier da Usina do Gasômetro (av. João Goulart, 551) – Centro Histórico de Porto Alegre

    Encerramento: 31 de de outubro de 2026.

    Visitação: Diária, ao longo de 24h.

    Entrada franca.

  • Eleições 2026: o enigma das pesquisas que brigam com os fatos

    Eleições 2026: o enigma das pesquisas que brigam com os fatos

    Pesquisa do Datafolha, a primeira depois do início da campanha, dá Lula com 47% e Flávio com 43 no segundo turno, empate técnico, portanto.

    É um resultado semelhante ao de  pesquisas anteriores e posteriores, todas igualmente inexplicáveis à luz dos fatos da campanha em andamento.

    Vejamos:

    Os eventos de Flávio Bolsonaro são um fracasso que nem a imprensa favorável consegue esconder, não junta gente nem no Rio, seu território.

    Seu discurso é raso, medíocre, seu plano econômico está sendo feito por assessores do Paulo Guedes, os partidos aliados lhe negaram um nome para vice, no centro de Porto Alegre  candidato a deputado pelo PL omite a sigla do partido nos folhetos que distribui aos passantes.

    Já Lula, em seu terceiro mandato, vive seu melhor momento, pela desenvoltura, pelo discurso, pela segurança com que assume a sua condição de líder, pelas multidões que tomam seus eventos, pelas relações com o parlamento, pelo reconhecimento dos maiores líderes internacionais.

    Nesta quinta-feira falou uma hora ao telefone com o presidente dos Estados Unidos e acertou negociações sobre o tarifaço imposto por Trump.

    As pesquisas que apontam o risco dele  perder a eleição para um candidato sem biografia, como Flávio Bolsonaro.   

    A explicação mais recorrente dos “analistas políticos” que escrevem nos jornais é a “polarização”.

    Dividido em dois blocos ideologicamente antagônicos, o eleitorado manteria um comportamento rígido, de rejeição sistemática ao outro lado.

    Um comportamento novo que fez praticamente desaparecer a figura do  indeciso (entre 1 e 4% em todas as pesquisas).     

    Ambos os candidatos teriam um “teto de crescimento” determinados pelas altas taxas de rejeição.

    Segundo dados da pesquisa Quaest, Flávio possui 54% de rejeição e Lula aparece colado com 52%.

    O antipetismo justificaria a alta rejeição a Lula. Nesse contexto, a campanha só fará sentido na reta final do segundo turno para definir aqueles poucos eleitores que farão a diferença na hora do voto.  

    È possível que estas pesquisas por amostragem reflitam uma realidade construída em pelas proprias pesquisas e, por isso. estão em confronto com os fatos da campanha que está nas ruas.

       

  • Charge Mestra: meio século de criação de Vasques, Santiago e Schröder

    Charge Mestra: meio século de criação de Vasques, Santiago e Schröder

    Charge Mestra é mais do que uma exposição que reúne a obra de três grandes artistas gaúchos: Edgar Vasques, Santiago e Schröder, que abre nesta quinta-feira, no Centro Histórico-Cultural Santa Casa, às 18 horas.

    Além de apresentar um conjunto de desenhos, traz publicações e documentos sobre o processo de criação dos artistas, organizados e selecionados ao longo de cinco décadas de produção.

    A proposta dos curadores Margarete Moraes e André Venzon é apresentar uma mostra inédita, com reflexão crítica e bem-humorada sobre a realidade histórica e contemporânea, evidenciando a força e a relevância das charges como linguagem e pensamento.

    A exposição fica em cartaz até 27 de setembro, na Sala de Múltiplos Usos I do CHC Santa Casa, em Porto Alegre, de segunda a sábado, das 8h às 18h30, com entrada franca.

  • Câmara de Porto Alegre realiza Sessão Solene pelos 65 anos da Legalidade com palestra de Alcy Cheuiche

    Câmara de Porto Alegre realiza Sessão Solene pelos 65 anos da Legalidade com palestra de Alcy Cheuiche

    A Câmara Municipal de Porto Alegre realizará, no dia 25 de agosto de 2026, às 18h30, no Plenário Ana Terra, uma Sessão Solene em homenagem aos 65 anos do Movimento Cívico da Legalidade, proposta pelo vereador Pedro Ruas (PSOL).

    O evento, que faz parte do regimento interno da casa desde 2022, terá como destaque uma palestra do escritor e médico veterinário Alcy Cheuiche, que na época da eclosão do movimento histórico liderado por Leonel Brizola estava na Europa e acompanhou os bastidores diretamente com sua família em Alegrete.

    O palestrante possui uma sólida trajetória cultural, sendo autor de dezenas de livros publicados (inclusive trilíngues), ex-presidente do Instituto Estadual do Livro e patrono da Feira do Livro, além de ter coordenado uma oficina literária de grande sucesso dedicada justamente à história da Legalidade — a mobilização que barrou a tentativa de golpe e garantiu a posse constitucional do vice-presidente João Goulart após a renúncia de Jânio Quadros.

  • Galeria Duque celebra “Misturas” com a arte de Cava e Anaurelino Barros

    Galeria Duque celebra “Misturas” com a arte de Cava e Anaurelino Barros

    Mais de cinco décadas de criações de alguns dos grandes nomes da arte produzida no Rio Grande do Sul se encontram e inspiram uma exposição inédita na Galeria Duque.

    Cava, mestre de diversas gerações de artistas gaúchos, leva para a galeria sua exposição “Rastros do Eu”. Já Anaurelino Corrêa de Barros Neto apresenta obras que levantam um questionamento: “Cartas para o Futuro (Teremos futuro?)”.

    A mescla de obras e materiais dos dois artistas inspira a exposição “Misturas”, com produções selecionadas entre o vasto e prestigiado acervo da Galeria Duque pela curadora Daisy Viola.

    O vernissage será realizado neste sábado, 22 de agosto, das 14h às 16h30, na Galeria Duque. A exposição fica no espaço até o dia 30 de outubro.

    Rastro do Eu

    Will Cava. Reprodução

    Cava é o nome artístico de Wilson Cavalcanti (nascido em Pelotas, 1950), um renomado pintor, desenhista e um dos gravuristas mais conceituados do Sul do Brasil. Ele também atuou como instrutor no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre por muitos anos e foi homenageado no curta-documental Cava.

    Na Galeria Duque, ele apresenta a exposição “Rastros do Eu”. “São pinturas, colagens, assemblagens, tudo ao mesmo tempo, com materiais inusitados, aquilo que está à mão, disponível – madeira, terras, tintas, tecidos, papéis…”, descreve a curadora Daisy Viola. “A expressividade e a força dos trabalhos de Cava têm muito da mistura de narrativas que cruzam realidade com imaginação. Pontos de partidas reais geram uma continuidade imaginária, quase onírica. Assim o universo-fantasia-realidade um tanto biográfica do Cava torna possível que, de alguma maneira, recriemos o nosso próprio mundo de faz de conta ou encontremos pontos de intersecção entre a nossa história e a dele”, observa Daisy.

    Cartas para o futuro (Teremos futuro?)

    Anaurelino Corrêa. Reprodução

    Anaurelino Corrêa de Barros Neto leva para a Galeria Duque suas cartas para o futuro. Comemorando 40 anos de carreira artística, ele já realizou dezenas de exposições coletivas e individuais no Brasil, recebendo cinco prêmios de arte no Estado. Formado em Artes Visuais pelo Instituto de Artes nas décadas de 70/80, concomitantemente com Arquitetura pela Unisinos, recentemente cursou Pós-graduação em Práticas Curatoriais também na UFRGS, sendo responsável pela curadoria de 26 exposições no Estado.

    Anaurelino Corrêa. Reprodução

    Desde os anos 80, pesquisa sobre mitos, rituais, arquétipos, pinturas rupestres e corporais dos povos originários e sua relação com as florestas. Seus trabalhos de desenho, pintura e escultura são também uma denúncia sobre o genocídio dos povos indígenas e a devastação das florestas do Brasil e servem como defesa da demarcação de terras.

    Misturas

    Simultaneamente às produções de Cava e Anaurelino, a Galeria Duque apresenta a exposição “Misturas”, com obras do acervo.

    Di Cavalcanti. Reprodução

    “A exposição foi inspirada nos nossos convidados deste momento, os artistas Cava e Anaurelino Barros, cujos trabalhos contêm este espírito de trazer materiais não convencionais, que resultam em força e expressividade”, revela Daisy. “A liberdade na arte contemporânea permite e incentiva também a mistura de linguagens. As fronteiras entre elas desaparecem, então temos pintura com desenho, com colagem, com objetos. Fazer arte é fazer misturas. Artistas misturam tintas, linhas, gestos, matérias diferentes. Poetas misturam palavras, e músicos misturam sons. Misturamos ideias e tempos. Misturamos vidas, a do artista com a do espectador”, resume a curadora.

    Dessa mistura, surgem nomes que são verdadeiros ícones da arte, como Cândido Portinari, Athos Bulcão, Burle Marx, Iberê Camargo, Júlio Plaza, Claudio Tozzi, Fúlvio Pennacchi, Carlos Paez Vilaró, Anita Malfatti, Danúbio Gonçalves, Maria Tomaselli, Maria Lídia Magliani, Di Cavalcanti, Cícero Dias, Leon Ferrari, Vicente do Rego Monteiro, Pablo Picasso, Aldo Locatelli, Carlos Scliar, Takashi Fukushima, entre muitos outros.

    A Galeria Duque também presta uma homenagem ao grande artista gaúcho Paulo Porcella, que faleceu em julho, aos 90 anos. “Nessa exposição, dedicamos uma parede especial a obras do artista Paulo Porcella para celebrar a vida e a memória desse mestre incomparável”, destaca Daisy Viola.

    Paulo Porcella. Reprodução

    Exposição “Misturas” – Acervo
    Exposição “Rastros do Eu” – Cava
    Exposição “Cartas para o Futuro (Teremos futuro?)” – Anaurelino Barros

    Galeria Duque
    Endereço: 
    Duque de Caxias, 649 – Porto Alegre
    Vernissage:
    sábado, 22 de agosto, das 14h às 16h30

    Período da exposição: de 22 de agosto a 30 de outubro

    Horário de funcionamento: Seg/Sex: 10h às 18h | Sáb: 10h às 17h
    Entrada Franca

  • Roteiro imperdível nas Missões: a arte Guarani Mbya no Museu Antropológico

    Roteiro imperdível nas Missões: a arte Guarani Mbya no Museu Antropológico

    Abre nesta quarta (19/8) a exposição “Mbya Rembiapo – Arte Guarani Mbya” no Museu das Missões, em São Miguel das Missões (RS). O projeto tem curadoria colaborativa e enfoca na arte e na cultura Guarani do Rio Grande do Sul.

    A mostra permanece aberta para visitação até o dia 30 de novembro, com entrada gratuita.

    Com trabalhos de seis curadores Mbya de diferentes Tekoás (aldeias), a exposição apresenta um conjunto de esculturas em madeira, cestarias e instrumentos musicais e de caça, que compõem e expressam parte da visão de mundo Guarani.

    Também integram a mostra fotografias, mapas e textos em versão bilíngue em guarani e português, que comunicam os significados atribuídos pelos Mbya e os contextos de sua produção e do território socioambiental das matérias-primas de que dependem para os reproduzir.

    Desde sua concepção, o projeto contou com oficinas de curadoria de professores e artistas indígenas, incluindo um circuito de visitas a museus. Houve ainda a participação dos curadores como palestrantes de mesas redondas no evento “Os Mbya Guarani e o Museu: diálogos sobre artesanato e patrimônio”, ocorrido em abril, na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Fabico/UFRGS). Esse conjunto de ações foram preparatórias para a maturação da exposição que agora abre à visitação pública.

    Curadores

    Os curadores do projeto estarão presentes na inauguração da exposição. São eles: Karai Mirim (Laércio Gomes), Karai Nhe’ery (Isabelino Aguirre), Kerexu Rete (Fermina Campos), Para Ixapy (Patrícia Ferreira), Para Rete (Elsa Chamorro Benites) e Ywa Mirim (Patrícia Souza).

    A partir de dezembro, a mostra estará disponível para itinerar em outros municípios. Para fazer o agendamento, as instituições interessadas devem entrar em contato pelo e-mail musa@sedac.rs.gov.br.

    Serviço:
    Inauguração da exposição “Mbya Rembiapo – Arte Guarani Mbya”
    Quando: 19/8, às 16h
    Onde: Museu das Missões (Rua São Luís, s/n – Sítio Arqueológico de São Miguel das Missões)
    Entrada gratuita

    (Informações da Assessoria de Imprensa)