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  • Fábrica de 25 bilhões para exportar celulose: de quem é a pressa?

    Fábrica de 25 bilhões para exportar celulose: de quem é a pressa?

    A CMPC fala de uma “janela de oportunidade” que pode “fechar” no ano que vem, conforme as tendências do mercado mundial de celulose.

    A empresa alega que já gastou 400 milhões de dólares em três anos de preparação para aproveitar a tal janela .

    Tem 80 equipes envolvidas num projeto de R$ 25 bilhões, com a previsão de iniciar as obra em 2027, para dar partida na fábrica em 2029.

    Depois de ameaçar transferir o projeto para outra região ou outro país, se o licenciamento não sair no prazo esperado ( ainda este ano), os diretores da empresa passaram a dizer que o projeto “pode ficar na gaveta”.

    Entende-se que uma grande empresa pressione por um licenciamento a toque de caixa para aproveitar uma oportunidade de negócio.   

    Difícil é entender que se aceite  minimizar os riscos de um empreendimento industrial deste porte.

    Mais que a intervenção drástica numa área de reserva ambiental protegida (uma RPPN), trata-se do ar, da água que abastece milhões, trata-se de um ecossistema cujo equilíbrio é essencial para a sobrevivência de comunidades e espécies.

     Por mais que sejam mitigados, os impactos serão enormes no local que é um santuário ecológico à beira do maior patrimônio ambiental da região metropolitana, o Guaiba.

     Não é só a questão das comunidades indígenas, levantada pelo Ministério Público. Estão aí renomados professores, pesquisadores, profissionais especializados dizendo (gritando, na verdade) que há riscos, que faltam informações, que há falhas no processo de licenciamento, que a população precisa ser informada. 

    Como se explica que o interesse de uma empresa que quer aproveitar uma “janela de oportunidade” se sobreponha a essas questões de interesse público?

    Por que veículos de comunicação, que em sua função informativa não vão além dos dados e versões oficiais sobre o projeto, usam todo seu poder e influência para pressionar?

    Os bilhões que ela vai aplicar, os empregos que vai dar, o “desenvolvimento” que vai trazer?  Foi esse o argumento que há meio século justificou a implantação da Borregaard, sem exigir sequer estudo de impacto ambiental.

    Os editoriais da época diziam que o empreendimento ia “consolidar o processo de industrialização do Rio Grande do Sul”.  Estão aí, a fábrica dez vezes maior do que o tamanho original,  e o Rio Grande do Sul na penúria, em acelerado processo de desindustrialização, transformado em exportador de commodities. Agora dizem que “a reputação do Rio Grande do Sul” ficará abalada perante os investidores internacionais, se a licença não for concedida imediatamente.

    Não se trata de ser contra o projeto. Trata-se de ter clareza sobre o que ele representa, os impactos que vai causar, as contrapartidas que a empresa vai oferecer ou que serão exigidas dela. Isso é o normal no mundo dos negócios.   

    Fundado em 1920 e pioneiro na fabricação de celulose e papel no Chile, o Grupo CMPC é um dos maiores do mundo, com 44 plantas industriais em 8 países: Brasil, Chile, Argentina, Colômbia, Equador, México, Peru e Uruguai.

    A CMPC não escolheu fazer seu novo projeto no Rio Grande do Sul porque gosta de chimarrão.

    São as vantagens que o Estado oferece que determinaram a escolha. O Rio Grande do Sul dispõe de condições excepcionais para o empreendimento: água abundante para o processamento, extensos territórios para plantio da matéria prima, o eucalipto, posição geográfica privilegiada, mão de obra barata, etc.  

    Além do mais, a nova planta é quase uma “expansão natural” da fábrica de Guaiba, favorecendo sinergias entre as operações.  É, pois, um grande negócio, normal que a empresa tenha pressa.

    Mas quais são os motivos do Rio Grande do Sul para ter pressa? Vai perder um grande investimento, de  R$ 25 bilhões?

    O número impressiona e ganha slogan: “o maior da história do Estado”. No entusiasmo com a grandeza dos valores não se explica o que eles significam. Não se esclarece que a maior parte desse dinheiro fica no caminho, com os grandes fornecedores de tecnologia e equipamentos.

    Os jornais repetem que serão criados 12 mil empregos durante a construção da fábrica. Não fica claro que 12 mil serão empregados apenas no pico das obras, por dois meses, no máximo. Em operação, a fábrica vai empregar 800 trabalhadores e comprar serviços de 1.500 terceirizados.

    Sabe-se que essas grandes obras de curto prazo, atraindo grande volume de mão de obra (muitos com suas famílias) deixam sérios problemas sociais para trás. O que está sendo previsto em relação a isto?

    Fora tudo isso, os investimentos desse porte e voltados à exportação operam sob um regime tributário altamente favorecido. Quase não se fala desse “detalhe”  e as informações não estão disponíveis, sob alegação de sigilo fiscal.

    Sabe-se que a  celulose, destinada ao mercado internacional (principalmente Ásia e Europa), goza de isenção de ICMS, por conta da Lei Kandir.

    A empresa pode ainda acumular créditos de ICMS sobre os insumos comprados internamente e usá-los para abater outros custos ou negociá-los. O governo do Estado utiliza o Fundopem (Fundo de Operação da Empresa) e o programa Integrar RS como principais ferramentas de atração de investimentos.

    Em função disso, o ICMS sobre a compra de maquinário industrial pesado, estruturas metálicas e equipamentos de alta tecnologia — nacionais ou importados (sem similar nacional) — é postergado ou zerado. Quando a fábrica começar a operar, parte do ICMS gerado pelas vendas internas pode ser financiado pelo Estado com juros subsidiados ou descontos expressivos dependendo das metas de emprego geradas na região.

    Além disso, o projeto se enquadra nas regras do Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura, programa federal.

    Durante todo o período de obras, a CMPC fica dispensada de pagar as alíquotas de PIS e COFINS sobre a aquisição de bens, serviços e materiais de construção destinados aos ativos de infraestrutura da nova planta. Isso reduz o custo imediato da obra em bilhões de reais.

    Mais: o município costuma conceder incentivos com base no seu próprio plano de  desenvolvimento. O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza cobrado sobre as empreiteiras e prestadores de serviços que atuarão na construção recebe alíquotas mínimas. Mais: desoneração do imposto territorial sobre as áreas industriais afetadas durante a fase de instalação.

    São, todos, pontos que precisam se ponderados e esclarecidos.

    O Rio Grande do Sul não precisa ter pressa. O mercado de celulose está num forte processo de expansão e mudanças. Na Europa, as fábricas de celulose mais antigas estão fechando, devido aos preços da energia, a escassez de matéria prima (madeira) e aos custos ambientais. Esse movimento, mais a própria expansão do mercado internacional de celulose ( 1,5 milhão de toneladas por ano) indicam que a imagem da  “janela” que pode fechar não é mais do que um argumento de pressão.

  • Manchetes idênticas: matematicamente impossível que seja uma coincidência

    Manchetes idênticas: matematicamente impossível que seja uma coincidência

    Fato inédito na história da imprensa brasileira, talvez na imprensa mundial.

    No dia 31 de julho os três principais diários brasileiros – O Globo, O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo, concorrentes entre si – saíram com a mesma manchete, palavra por palavra,exatamente na mesma ordem.

    “Mendonça autoriza PF a investigar Lulinha por tráfico de influência”

    Que Lulinha fosse a manchete dos três, era esperado. A uniformidade literal idêntica é inexplicável. Fiquei tão intrigado que recorri à IA e perguntei:  

    Qual a probalidade de três redatores  sem contato entre si escreverem em português a mesma frase, com as mesmas sete palavras exatamente na mesma ordem?

    Resposta: “O resultado puramente matemático demonstra que a chance de isso acontecer de forma 100% independente e espontânea é virtualmente zero”. (veja a íntegra abaixo).

    Se não existe a possibilidade de as três manchetes exatamente iguais resultarem de uma mera coincidência, então houve uma combinação. Com que objetivo?

    Depois do AI5, em 1968, quando a imprensa começou a ser censurada, os jornais usavam vários expedientes para advertir os leitores sobre a supressão de notícias – poemas, receitas culinárias, previsão do tempo, alguns simplesmente deixavam o espaço em branco.

    Ao que se sabe não há nenhum censor dizendo o que os jornais devem ou não publicar.

    Que tipo de aviso eles estão querendo passar agora? De onde partiu a manchete? Quem escreveu a frase que os três publicaram? É uma senha? De quê? De uma campanha? Uma conspiração?

    Ou foi realmente uma milagrosa coincidência? Nesse caso, os autores merecem ser identificados, para concorrer ao Guinness por ter realizado uma improbabilidade matemática.

    Consulta à IA (Gemini)

    É possível calcular a possibilidade de três redatores sem contato entre si escreverem a mesma frase em português, com as mesmas letras, exatamente na mesma ordem?

    Sim, é perfeitamente possível calcular essa probabilidade utilizando a análise combinatória e a teoria das probabilidades. No entanto, o resultado puramente matemático demonstra que a chance de isso acontecer de forma 100% independente e espontânea é virtualmente zero.

    Para entender o cálculo, precisamos dividir o cenário em duas abordagens: a matemática pura (aleatória) e a linguística contextual (jornalística).

    1. O Cálculo Matemático Puro (Teórico)

    Se considerarmos que os redatores estão escolhendo palavras ao acaso de um dicionário de Língua Portuguesa (que possui cerca de 400.000 palavras), o cálculo para uma frase de 7 palavras funcionaria assim:

    • Número de combinações possíveis para 7 palavras: (400.000^{7}) (um número com 39 dígitos).
    • Probabilidade de três pessoas escolherem exatamente a mesma sequência: Seria de 1 em (10^{78}), um número comparável à quantidade de átomos no universo observável.

    2. O Cálculo Linguístico e Jornalístico (Realista)

    No jornalismo real, as palavras não são escolhidas ao acaso. Os redatores seguem regras gramaticais, usam termos técnicos do jargão jurídico (“autoriza”, “investigar”, “tráfico de influência”) e estão restritos aos nomes dos envolvidos (“Mendonça”, “PF”, “Lulinha”).

    Mesmo reduzindo drasticamente o vocabulário disponível para apenas 50 palavras concebíveis que poderiam orbitar esse fato político, o cálculo ainda impressiona:

    • Combinações com 50 palavras em 7 posições: (50^7 = 78.125.000.000) (78 bilhões de frases possíveis).
    • A coincidência entre os três: Para que o Redator B e o Redator C adivinhem de forma totalmente independente a estrutura exata do Redator A, a probabilidade matemática estimada seria menor que 1 em 6 sextilhões ((6 times 10^{21})).
  • Eleições 2025: erro histórico vai se disseminar na campanha

    Eleições 2025: erro histórico vai se disseminar na campanha

    Leonel Brizola estará no centro da campanha eleitoral para o governo do Estado e um dos pontos centrais do discurso serão suas realizações na educação, com destaque para as “escolhinhas” que disseminou pelo Rio Grande do Sul na campanha “Nenhuma criança sem Escola”.

    A reiteração e a propagação de uma campanha eleitoral tendem a consagrar, no que se refere às “escolinhas do Brizola” um erro histórico ao chamá-las de “brizoletas”, como já vem sendo repetido na imprensa, nas redes, e até por brizolistas raiz.  Certamente é um detalhe, mas não é irrelevante.

    “Brizoletas” foi o nome que os adversários de Brizola deram aos Títulos do Tesouro Estadual que ele emitiu em 1959, quando assumiu o governo com o caixa raspado e funcionários e fornecedores com pagamentos em atraso.

    O apelido tentava desmoralizar a jogada arrojada do Brizola, uma medida criativa para escapar ao sufoco financeiro. Foi idéia de seu Secretário da Fazenda, Gabriel Obino, e foram chamadas de “obinetas”, no início.

    Os adversários passaram a chamar de brizoletas, com sentido pejorativo, quando o governo não conseguiu cumprir com o prazo de resgate dos títulos e eles se desvalorizaram.

    Não se encontra nos principais jornais da época, Correio do Povo, Folha da Tarde, Diário de Notícias, o termo “brizoleta” referindo-se às escolas, que sempre foram uma marca do governo Brizola, o que nem os mais renhidos adversários negaram. Eram “as escolinhas do Brizola”.

    O termo “brizoleta” associado às escolhinhas aparece pela primeira vez numa tese acadêmica dos anos 1990. Aos poucos a versão foi ganhando a imprensa e se propagando. Nos últimos anos algumas escolhinhas remanescentes foram reformadas e ganharam inusitadas placas de “brizoletas”. Hoje até o Google relaciona as brizoletas com as escolhinhas.  Caso exemplar de uma fake history.  

  • Década perdida: Rio Grande do Sul cresce metade da média nacional

    Década perdida: Rio Grande do Sul cresce metade da média nacional

    “Entre 2002 e 2023, o Rio Grande do Sul registrou o menor crescimento de PIB entre os 27 estados brasileiros: 34% em termos reais. O Paraná cresceu 54,6%, a média nacional foi de 58,2%, Santa Catarina apresentou uma expansão de 65,2%”.

    Essa é a conclusão de um estudo da Fecomércio*, divulgado esta semana. Os resultados comprovam que  a grave crise estrutural do Rio Grande do Sul está escancarada.

    O discurso dominante invoca as mudanças climáticas e o envelhecimento da população para justificar a queda do Estado nos índices fundamentais – crescimento econômico, renda, saúde, educação.

    Esses dois fatores, com certeza, são agravantes, mas não a causa da crise sistêmica que assola o Rio Grande do Sul.

    A causa está nas políticas neo-liberais aplicadas no governo do Estado nos últimos 30 anos: privatizações, terceirizações, desmonte do setor público que se tornou incapaz de planejar.   

    As tragédias climáticas estão sendo agravadas pela crônica falta de investimento  em prevenção, pelo desregramento ambiental, pelo despreparo para enfrentá-las.

    Elas eram previsíveis, não faltaram alertas, faltou um projeto de desenvolvimento que contemplasse essa nova realidade.

    Todo o esforço, na maior parte dessas três décadas, concentrou-se no corte de custos da máquina pública, para equilibrar o orçamento pela coluna de despesa.

    Restou um Estado débil e despreparado para enfrentar os graves desafios. Pior: não equilibrou as finanças públicas.      

    Os números da Fecomércio referem-se aos anos 2002/2023, duas décadas.  

    O levantamento mostra que, no período analisado, o Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho cresceu 34%, resultado inferior à média nacional (58%), ao Paraná (55%) e a Santa Catarina (65%).

    O Estado é o último colocado quanto ao crescimento do PIB. O penúltimo lugar, Rio de Janeiro, teve crescimento de 40,4% e o antepenúltimo, Bahia, de 49,8%.

    Entre 2002 e 2023, a produtividade do trabalho no RS cresceu, em média, 0,65% ao ano, abaixo da média brasileira de 0,94%.

    A população gaúcha cresceu apenas 8% em duas décadas, menos da metade da média nacional de 18%.

    Nenhum outro estado combinou tão pouco crescimento econômico com tão pouco crescimento demográfico.

    Mato Grosso, líder em crescimento

    *Estudos em Crescimento Econômico e Produtividade, série produzida pelo Instituto Fecomércio-RS de Pesquisa (IFEP-RS).

  • Frente de esquerda oficializa Brizola e Pretto para disputar governo gaúcho

    Frente de esquerda oficializa Brizola e Pretto para disputar governo gaúcho

    Cerca de cinco mil pessoas estiveram na manhã deste sábado no Parque da Harmonia, em Porto Alegre, para acompanhar o evento que oficializou as candidaturas de Juliana Brizola e Edgar Pretto nas eleições ao governo do Rio Grande do Sul. Com a Casa do Gaúcho lotada, muita gente ficou do lado de fora.

    Representantes de oito partidos políticos (PDT, PT, PSOL, PSB, PCdoB, PV, Rede e Avante), que formam a coligação, também indicaram seus candidatos para os cargos de deputado estadual e federal.

    Discursaram os presidentes regionais e nacionais das siglas, o ex-governador Tarso Genro, o senador Paulo Paim (PT) e os candidatos ao Senado, Manuela d’Ávila (PSol) e Paulo Pimenta (PT).

    Ao final do evento, Juliana e Edegar convocaram o povo gaúcho para uma campanha de propostas e diálogo.

    “Quero falar com quem está na fila da saúde e não consegue fazer uma cirurgia, não tem atendimento. Esses números têm nomes: são mãe, pai, filho que podem perder a vida na fila. Vamos enfrentar isso com muito projeto e muito trabalho, para resolver problemas que existem há muito tempo e que outros gestores não tiveram coragem de enfrentar. Com os índices escolares que temos, não existe desenvolvimento econômico. E a educação para nós é prioridade. E isso não é discurso. Se tem um homem que fez pela educação, é Leonel Brizola — e é dessa escola que eu vim. A partir de amanhã, seremos candidatos ao governo do Rio Grande do Sul. Aprendi que a política só tem sentido se ela serve às pessoas, e não a interesses de poucos. O povo precisa de uma governadora que cuide do povo”, discursou Juliana Brizola.

    Coordenador da pré-campanha do presidente Lula no Rio Grande do Sul e pré-candidato a vice-governador, Edegar Pretto ressaltou que acredita nas potencialidades do estado. “No Funrigs, o fundo criado com a suspensão do pagamento da dívida, já são mais de R$ 9 bilhões disponíveis para investimentos. O estado pode ser protagonista na transição energética e na produção de energias renováveis e biocombustíveis. O acordo Mercosul–União Europeia, articulado pelo presidente Lula, representa uma imensa janela de oportunidades, com acesso a um mercado de mais de R$ 720 milhões de pessoas. Com trabalho e gestão, a gente vai transformar o Rio Grande do Sul em um grande canteiro de obras e oportunidades”, afirmou Pretto.

  • Eleições 2026: mapa dos votos mostra crescimento no Norte e queda no  Sul

    Eleições 2026: mapa dos votos mostra crescimento no Norte e queda no Sul

    158.745.463. Cento e cinquenta e oito milhões, setecentos e quarenta e cinco mil, quatrocentos e sessenta e três.

    Esse é o número exato de brasileiros aptos a colocar seu voto nas urnas no dia 4 de outubro, no primeiro turno das eleições 2026, segundo o TSE.

    São 2,2 milhões de eleitores a mais do que na última eleição, em 2022.

    Estão em disputa os cargos de presidente da república,  governador, senador, deputado federal e deputado estadual. 

    O eleitorado do Norte foi o que mais cresceu proporcionalmente, passando de 12.560.410 pessoas em 2022 para 13.109.354 em 2026.

    O acréscimo foi de 548.944 eleitores e eleitoras, alta de 4,37%. Com isso, a região passou a concentrar 8,26% do eleitorado nacional.

    Quase 1 milhão de votos fora do país

    Outro destaque foi o crescimento do eleitorado no exterior: são 918.876 eleitores, um aumento de 221.798 (31,82%) em relação a 2022 (697.078). 

    Proporcionalmente, os maiores avanços ocorreram nos estados de Roraima (9,63%), Tocantins (8,07%) e Mato Grosso (6,84%). 

    No polo oposto está o Rio de Janeiro, chegou a 12.857.000 eleitores em 2026, com acréscimo de apenas 29.704 novos eleitores, 0,23% a mais do que em 2022.

    Outras Regiões 

    O Centro-Oeste também cresceu acima da média nacional: passou de 11.539.323 para 11.997.001 eleitores, com acréscimo de 457.678 pessoas, ou 3,97%, e chegou a 7,56% do total do país. 

    O Nordeste chegou a 43.529.845, um crescimento de 1.138.869 eleitoras e eleitores, com aumento proporcional de 2,69% em relação a 2022 (42.390.976) — a região tem 27,42% do eleitorado nacional.  

    No Sul, o eleitorado passou de 22.558.759 para 22.861.012 pessoas, com um aumento de 302.253 eleitores (1,34%). 

    A região representa 14,40% do eleitorado nacional em 2026. 

    Já o Sudeste, apesar de continuar concentrando a maior parcela de eleitoras e eleitores do país, teve leve queda no período: passou de 66.707.465 para  66.329.375 pessoas aptas a votar, redução de 378.090 eleitores (0,56%).

     Sua  participação no eleitorado nacional recuou de 42,64% para 41,78%. 

    Maiores colégios eleitorais 

    Entre as unidades da Federação, São Paulo segue como o maior colégio eleitoral do país, com 34.104.226 eleitores e eleitoras, ou 21,48% do total. Em seguida aparecem Minas Gerais, com 16.377.659 pessoas aptas a votar (10,32%); Rio de Janeiro, com 12.857.000 (8,10%); Bahia, com 11.321.005 (7,13%); e Paraná, com 8.609.026 (5,42%). Juntos, os cinco maiores colégios eleitorais reúnem 83.268.916 eleitores e eleitoras, o equivalente a 52,45% do eleitorado brasileiro. 

    Diversidade 

    As estatísticas eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também indicam que as Eleições 2026 terão o cadastro eleitoral mais diverso da série analisada. Como a autodeclaração de raça e cor passou a compor a base comparável apenas após as Eleições Gerais de 2022, a leitura possível é a comparação com as Eleições Municipais de 2024.

    Nesse intervalo, o número de pessoas sem informação de raça ou cor caiu de 140.038.765 (89,82%) para 126.004.656 (79,38%), redução de 14.034.109 registros. 

    Com o maior preenchimento da autodeclaração, todas as categorias informadas  cresceram. O eleitorado pardo quase dobrou, passando de 8.503.206 pessoas em 2024 para 16.945.954 em 2026. O eleitorado preto também quase dobrou, de 1.808.529 para 3.586.952 pessoas. Entre pessoas amarelas, o total mais que dobrou, de 114.389 para 229.540 eleitores. O eleitorado indígena passou de 155.661 para 287.157, alta de 84,47%. Também houve crescimento expressivo do registro de pessoas brancas autodeclaradas, que passaram de 5.292.130 para 11.691.204, mais que o dobro do total de 2024. 

    Os dados também apontam para a manutenção do eleitorado majoritariamente feminino. Em 2026, as mulheres somam 83.877.126 eleitoras, o equivalente a 52,84% do total nacional. Em 2022, eram 82.373.164 (52,65%). No mesmo período, o eleitorado masculino passou de 74.044.065 para 74.845.001, crescimento de 800.936 eleitores (1,08%). 

    Faixa etária 

    A análise por faixa etária indica um eleitorado mais concentrado nas idades adultas e com crescimento do peso das faixas mais velhas. Em 2026, o maior grupo é o de 40 a 44 anos, com 15.994.391 pessoas, ou 10,08% do eleitorado nacional. Em seguida aparecem as faixas de 45 a 49 anos, com 15.271.754 eleitores; 35 a 39 anos, com 15.262.815; 30 a 34 anos, com 15.178.204; e de 25 a 29 anos, com 14.990.259. 

    No recorte agregado, as pessoas com 60 anos ou mais passaram de 32.891.438 em 2022 para 37.457.537 em 2026, crescimento de 4.566.099 eleitores. A participação desse grupo no eleitorado nacional subiu de 21,02% para 23,60%. Já a faixa de 21 a 34 anos caiu de 43.819.788 para 41.037.601 pessoas, passando de 28,01% para 25,85% do total. O movimento aponta para uma composição etária mais envelhecida do eleitorado no período recente. 

    Eleitorado jovem 

    Entre os eleitores mais jovens, com 18 anos ou menos, o cadastro das Eleições 2026 reúne 3.571.159 pessoas, o equivalente a 2,25% do eleitorado nacional. O número ficou praticamente estável em relação às Eleições Gerais de 2022, quando eram 4.177.627 jovens nessa faixa, queda de 606.468 registros (14,52%).  

    Regionalmente, o Nordeste concentra o maior contingente de jovens de até 18 anos, com 1.315.104 eleitores nessa faixa, 3,02% do eleitorado da região. Em seguida aparecem o Sudeste, com 1.074.280 jovens; o Norte, com 478.070; o Sul, com 410.993; e o Centro-Oeste, com 283.436.  

    (Com informações do Tribunal Superior Eleitoral)

  • Eleições 2026: Rio Grande do Sul ainda tem 14 estatais. Qual é o futuro delas?

    Eleições 2026: Rio Grande do Sul ainda tem 14 estatais. Qual é o futuro delas?

    O grau de enxugamento do poder público estadual no Rio Grande do Sul nos últimos 30 anos, ainda não está devidamente dimensionado.

    Os dados disponíveis são parciais, mas deixam clara a estratégia predominante a partir de 1997 para enfrentar a crise do setor público: reduzir a atuação do Estado e cortar seus custos, abrindo espaço para o capital privado investir na prestação de serviços essenciais.

    Telefonia, geração, transmissão e distribuição de energia, gás, saneamento, foram as áreas prioritárias.

    Oito estatais foram privatizadas no período. Pelo menos dez companhias de economia mista intermediárias foram fechadas. Além de nove fundações públicas que também foram extintas.

    Ainda restam 14 empresas controladas pelo governo do Estado. Seis delas estão à venda ou em preparo para vender.

    Elas estão classificadas no orçamento público como “empresas não dependentes” (que não necessitam de recursos diretos do Tesouro para pagar salários ou despesas correntes).

    São seis empresas nas áreas de prestação de serviços, produção e infraestrutura:

    -CEASA/RS (Centrais de Abastecimento)

    -PROCERGS (Companhia de Processamento de Dados)

    -CRM (Companhia Riograndense de Mineração)

    -EGR (Empresa Gaúcha de  Rodovias)

    -PORTOS RS (Autoridade Portuária)

    -BAGERGS (Banrisul Armazéns Gerais)

    E oito empresas no setor financeiro e de fomento:

    • Banrisul (Banco do Estado)
    • Badesul Desenvolvimento S.A. (Agência de Fomento)
    • CADIP (Caixa de Administração da Dívida Pública)
    • Banrisul Corretora de Valores
    • Banrisul Administradora de Consórcios
    • Banrisul Pagamentos (Vero)
    • Banrisul Seguridade Participações
    • Banrisul Corretora de Seguros

    Banrisul é o motor financeiro do Estado. Registrou um lucro líquido recorde de R$ 1,605 bilhão no ano passado. Criado por Getulio Vargas em 1928, por sua história e seu desempenho tem resistido, embora tenha frequentado a lista de privatizações em vários governos.

    O Badesul, agência de fomento do Estado,  fechou o balanço com lucro líquido de R$ 52,8 milhões, superando em 76% a meta projetada pela administração. A empresa atua de forma sustentável, impulsionada pela liberação de linhas de crédito voltadas à reconstrução econômica.

    CEASA/RS: Funciona em modelo autossustentável. Suas receitas com as permissões de uso e tarifas cobradas de produtores e atacadistas cobrem integralmente seus custos operacionais, gerando pequenos superávits operacionais.

    Portos RS: Apresenta balanço financeiro superavitário. Como autoridade pública portuária, sua receita vem de tarifas de atracação, uso da infraestrutura e arrendamentos de terminais privados, garantindo caixa próprio para custear suas operações.

    EGR (Empresa Gaúcha de Rodovias): Tem receita vinculada exclusivamente aos pedágios que administra. Ela não recebe aportes regulares do Tesouro para investimentos e opera no limite de sua arrecadação. Embora não dê “prejuízo” direto ao caixa geral, sua arrecadação é considerada insuficiente pelas auditorias do Estado para bancar grandes duplicações.

    CADIP: Diferente das demais, não é uma empresa comercial. Como lida estritamente com a estruturação e a rolagem de passivos antigos e dívidas fundadas do Estado, seu balanço reflete custos financeiros de intermediação interna do governo.

    Cancelamento do leilão deu sobrevida à EGR

    A extinção da EGR é uma promessa de campanha do governador Eduardo Leite. Ele argumenta que a estatal não tem agilidade nem capacidade financeira para expandir a malha rodoviária como o Estado precisa.

    Previa encerrar gradualmente as atividades da empresa. Conforme as rodovias sob sua tutela fossem repassadas aos consórcios privados nos leilões dos Blocos 1 e 2, a estatal ficaria sem trechos para administrar e seria liquidada.

    Devido ao recente cancelamento do leilão do Bloco 2 de rodovias (por falta de interessados em meio às exigências de reconstrução pós-enchentes), o cronograma mudou.

    A direção da EGR informou que a empresa está tecnicamente preparada para continuar mantendo os trechos e assumir obras urgentes com verbas do fundo de reconstrução (Funrigs), adiando os planos finais de fechamento da empresa.

    Maldição do carvão salvou a CRM

    A CRM, que opera a importante Mina de Candiota na maior jazida de carvão mineral do Brasil, escapou da venda na leva de 2021/2022 devido a condições desfavoráveis de mercado e restrições na pauta do carvão.

    Agora, a privatização da CRM está incluída na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026.

    O cronograma técnico estimado para os estudos e modelagem da venda projeta a conclusão do processo de privatização para 2027. A proposta enfrenta forte oposição de sindicatos, engenheiros e lideranças políticas locais da Região da Campanha, que apontam riscos ao desenvolvimento econômico regional e defendem a manutenção do controle público sobre a exploração mineral.

    Cronologia das privatizações

    1996

    CRT (Companhia Riograndense de Telecomunicações), parcial com venda de 35% para o Consórcio Tele Brasil Sul/Telefónica, que tinha inclusive a RBS como sócia. Dois anos depois o controle acionário adquirido pelaTelefônica do Brasil.

    1997

    CEEE Norte-Nordeste e CEEE Centro-Oeste

    2021

    Após mudanças na Constituição estadual que derrubaram a exigência de plebiscito para a venda de estatais, o Estado concluiu a venda de importantes ativos restantes:

    CEEE-D (Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica)  Vendida pelo valor simbólico de R$ 100 mil ao Grupo Equatorial Energia devido ao alto endividamento e passivos assumidos pela compradora. 2021 –CEEE-T (Companhia Estadual de Transmissão de Energia Elétrica) Arrematada por R$ 2,67 bilhões pela Companhia Paulista Força e Luz, controlada pela State Grid, estatal chinesa.

    2021-Sulgás (Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul)

    Adquirida pela Compass Gás e Energia (do grupo Cosan) por R$ 927,7 milhões.

    2022– CEEE-G (Companhia Estadual de Geração de Energia Elétrica) Vendida para a Companhia Florestal do Brasil (grupo CSN) por R$ 928 milhões.

    2022– Corsan (Companhia Riograndense de Saneamento)

    Arrematada pelo Consórcio Aegea por R$ 4,15 bilhões, tendo a assinatura do contrato e a transferência de controle efetivadas em julho de 2023 após disputas judiciais.

  • Eleições 2026: uma política de 30 anos estará em julgamento no RS

    Eleições 2026: uma política de 30 anos estará em julgamento no RS

    O leilão de 98 escolas da rede pública que o governo estadual quer entregar aos cuidados de empresas privadas culmina um processo que vai completar 30 anos no Rio Grande do Sul.

    O ponto de partida pode ser localizado no acordo de renegociação da dívida do Estado com a União, assinado pelo governador Antônio Brito, em 1997.

    “Britto liquida a dívida”, saudou em manchete o jornal Zero Hora, estampando a foto de Britto com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, em Brasilia.  

    O acordo dava ao governo gaúcho 30 anos para pagar a dívida que se tornara “impagável”. Exigia, em contrapartida, a venda ou concessão das empresas públicas estaduais nas áreas de energia, telecomunicações e finanças – as áreas estratégicas, claro.

    O  diagnóstico não era novo. Desde o governo Simon (1986/90) apontava-se o inchaço da “máquina pública” como uma ameaça à governabilidade no Estado.

    Um levantamento oficial apontou 34 empresas controladas pelo Estado do Rio Grande do Sul. Havia até uma fábrica de cebola em pó, criada para garantir a demanda aos produtores de  de São José do Norte, que viam suas safras apodrecerem por falta de mercado.

    Por conta do “inchaço das estatais” (obra da ditadura, diga-se), a expressão “enxugar a máquina pública” se impôs como lema.

    Alceu Collares, (1991-1994) fiel à tradição do trabalhismo, desviou o foco do inchaço estatal e gastou boa parte das energias de seu governo tentando “federalizar” a dívida pública, acumulada pelo déficit crônico do Tesouro estadual. Não conseguiu alterar significativamente o cenário.

    O governo Britto ( 1995/1998) coincide com o de FHC e sua política de desmonte do que chamou de “Era Vargas” – o Estado como planejador e indutor do desenvolvimento.    

    Decorre disso, a novidade do acordo de 1997, para renegociar a dívida estadual: a inclusão das chamadas empresas estratégicas-energia, telecomunicações, finanças- como prioridades para privatização.

    Com maior ou menor ênfase, essa foi a orientação dos sucessivos governos, desde então, com os hiatos de Olívio Dutra e Tarso Genro, que não tiveram forças para alterar o rumo.

    Quando Ivo Sartori (2015/2019)extinguiu a Fundação Zoobotânica, a Cientec, a Fundação de Economia e Estatística e outras seis fundações públicas, a opção pelo estado mínimo estava consumada.

    Eduardo Leite apenas deu continuidade à política devastadora de Sartori, que agora culmina com essa PPP das escolas. Mesmo que não seja uma privatização como diz o governo, é mais um passo nessa direção do Estado mínimo, caminho que até agora só aprofundou a crise que pretende combater.

    Como suporte de toda essa trajetória, tem-se uma poderosa mídia alinhada na defesa fervorosa do modelo e decisiva para sua continuidade – tanto pela omissão em relação aos resultados negativos dessa política continuada, quanto pelo ataque implacável às tentativas de mudar o tratamento à crise estrutural que estrangula o desenvolvimento do Estado.

    Foram 30 anos em que o Rio Grande do Sul, pode-se dizer, fez o “dever de casa”, cortando na carne, como pregavam: vendeu seu patrimônio, reduziu seus quadros, transferiu encargos, arrochou salários, cortou investimentos em áreas essenciais e, ao final de toda essa via crucis, só alcança um precário equilíbrio nas contas á custa de malabarismos contáveis.

    Em setembro de 1998, o relatório Radar IDHM, da ONU, foi  saudado com manchetes no Rio Grande do Sul. O estado se destacava, como o segundo melhor índice de desenvolvimento no Brasil, superando São Paulo, o líder, em muitos quesitos.

    Na mais recente edição do relatório, em maio de 2026, o RS ocupa o 6º lugar entre as 27 unidades da federação brasileira. Ressalva: a pesquisa avaliou dados até maio de 2024, não incluindo os prejuízos causados pela enchente.

    Esta é a principal discussão que a eleição deste ano deve suscitar. (Elmar Bones)

  • Inquérito apura danos ambientais causados pelo eucalipto no Cerrado

    Inquérito apura danos ambientais causados pelo eucalipto no Cerrado

    O Ministério Público abriu um inquérito  para investigar possíveis danos ambientais causados pela expansão das plantações de eucalipto usadas pela indústria da celulose na região leste do estado do Mato Grosso do Sul.

    A apuração está a cargo da 1ª Promotoria de Justiça de Três Lagoas, que vai analisar possíveis efeitos sobre recursos hídricos, fauna e flora.

    A investigação, a cargo da Promotoria de Justiça de Três Lagoas, foi motivada por denúncias enviadas à Ouvidoria do MPMS e à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

    As denúncias baseiam-se em relatórios técnicos socioambientais produzidos na região da Costa Leste.

    Um dos principais focos da investigação é a situação das nascentes e dos cursos d’água. Estudos apresentados ao Ministério Público apontam que mais de 400 nascentes podem ter sido impactadas ou degradadas na região leste do estado, principalmente em assentamentos rurais de Três Lagoas e Selvíria.

    Conforme os documentos analisados, o avanço da monocultura de eucalipto ocorre em áreas consideradas sensíveis do Cerrado e em regiões de transição entre biomas.

    Pesquisadores e moradores demonstram preocupação com o consumo de água da atividade, desde o cultivo do eucalipto até a fabricação de celulose.

    Segundo os relatos, isso pode afetar o ciclo da água e comprometer córregos e rios da região.

    Além dos recursos hídricos, o inquérito também busca identificar possíveis impactos à biodiversidade, incluindo danos à fauna e à flora nativas decorrentes da substituição da vegetação natural.

    O órgão também vai analisar se as empresas de celulose que atuam na região cumprem a legislação ambiental.

    Entre os pontos que serão verificados estão:

    • Os licenciamentos ambientais;
    • As outorgas para captação e uso da água;
    • Os planos de manejo florestal e o cumprimento das compensações ambientais;
    • As medidas mitigadoras exigidas pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).

    (Com informações do G1)

  • Debate: o impacto dos grandes empreendimentos num contexto de mudança climática

    Debate: o impacto dos grandes empreendimentos num contexto de mudança climática

    Dois eventos vão debater os impactos sociais e ambientais de grandes empreendimentos projetados para Rio Grande do Sul, neste final de julho.  

    No dia *23 de julho (quinta-feira), às 10h, na Sala do Circo, no Multipalco,o evento reúne representantes de territórios atingidos por três grandes projetos de infraestrutura que estão em processo de instalação ou expansão no Rio Grande do Sul: datacenters, parques eólicos e indústria de celulose.

    A atividade será dividida em três blocos temáticos, com falas de lideranças Mbya-Guarani da Tekoá Guajayvi e da Tekoá Pindó Mirim, representantes do Assentamento Belo Monte e do Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais da Lagoa dos Patos, além de pesquisadores do Observatório das Metrópoles e do Comitê técnico de análise e questionamento do EIA RIMA da CMPC Celulose.

    No dia 24 de julho (sexta-feira), às 9h, o Auditório 1 da Fabico/UFRGS sedia o seminário “Perspectivas comunicacionais sobre os desastres climáticos”.

     O evento se divide em duas mesas: a primeira, “Comunicação Pública em Desastres Climáticos” conta com o jornalista e pesquisador Luciano Velleda (mestrando do PPGCOM/UFRGS), o Cacique Odirlei Fidelis (Comunidade Indígena Kaingang Van-Ká) e a jornalista Camila Santos (ex-assessora de imprensa da Defesa Civil-RS); a segunda, “Cobertura Jornalística na Enchente de 2024”, conta com a professora Eloisa Beling Loose (PPGCOM/UFRGS) e os jornalistas Luís Eduardo Gomes (Sul 21) e Katia Marko (Brasil de Fato).

    A presença do Cacique Odirlei Fidelis, cuja comunidade foi diretamente atingida pelas enchentes de 2024 e que mobilizou-se para auxiliar outra comunidade indígena ainda mais afetada, traz uma perspectiva fundamental sobre como a informação chega, ou deixa de chegar, aos territórios em situação de emergência.

    Além do Intervozes, organizam o seminário o Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM/UFRGS); o Sindicato de Jornalistas do Rio Grande do Sul (SindiJoRS) e o Fórum Nacional Pela Democratização da Comunicação – FNDC. Também há como apoiadores a Associação Riograndense de Imprensa – ARI; o Brasil de Fato e o Sul 21.

    Os dois eventos são *gratuitos, abertos ao público e contam com recursos de acessibilidade, incluindo intérprete de Libras e audiodescrição.*

    As atividades integram a programação da POACAW, que acontece de 20 a 26 de julho em diversos espaços de Porto Alegre.

    Acesse a programação: https://semanadeacaoclimatica.poa.br/

    Serviço:

    *Roda de conversa* “Vozes amplificadas: os custos socioambientais dos megaempreendimento”Data: 23 de julho de 2026 (quinta-feira)

    Horário: 10h às 12h30

    Local: Sala do Circo – Multipalco (R. Riachuelo, 1089 – Centro Histórico, Porto Alegre)

    Acessibilidade, libras e audiodescrição.

    *Seminário* “Perspectivas comunicacionais sobre os desastres climáticos”

    Data: 24 de julho de 2026 (sexta-feira)

    Horário: 9h às 12h

    Local: Auditório 1 da Fabico/UFRGS (R. Ramiro Barcelos, 2777 – Santana, Porto Alegre)

    Acessibilidade, libras e audiodescrição.

    Entrada gratuita. Aberto ao público.