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  • Frei Sergio Görgen: morre um baluarte da luta pela terra

    Frei Sergio Görgen: morre um baluarte da luta pela terra

    Aos 70 anos, faleceu nesta terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, o frei Sérgio Antônio Görgen, que dedicou sua vida à luta pela reforma agrária no Brasil.

    O frade franciscano foi vítima de um infarto no miocárdio, em sua residência no assentamento Conquista da Fronteira, localizado em Hulha Negra, na região da Campanha gaúcha.

    A morte de Frei Sérgio gerou uma onda de pesar em diversos setores da esquerda brasileira e gaúcha:
    O presidente Lula emitiu uma nota de pesar destacando a amizade e o apoio espiritual que recebeu do frei durante o período em que esteve preso em Curitiba.
    Entidades como o MST e o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) manifestaram profunda solidariedade, ressaltando seu legado na justiça social e soberania alimentar.
    Parlamentares e sindicatos lamentaram a perda de uma das lideranças camponesas mais influentes do país.

    Natural do Rio Grande do Sul, integrava a Ordem dos Frades Menores (franciscanos) há mais de 50 anos.
    Foi peça-chave na fundação do MST e do MPA (em 1996), dedicando a vida à reforma agrária e à agroecologia.
    Eleito deputado estadual pelo PT/RS (mandato 2003-2007), utilizou a tribuna para defender a agricultura familiar e os direitos dos trabalhadores rurais.

    Conhecido por métodos de protesto pacíficos, como greves de fome contra injustiças sociais e em defesa do meio ambiente, era um combatente sem rancor.

    ‘Não vamos a lugar nenhum odiando uns aos outros’, costumava dizer.

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  • Chega a 300 cidades o movimento iniciado em Minneapolis; jornal fala em “Colapso de Trump”

    Chega a 300 cidades o movimento iniciado em Minneapolis; jornal fala em “Colapso de Trump”

    Pelo terceiro dia consecutivo manifestantes foram às ruas nos Estados Unidos em protesto contra a polícia de Donald Trump para a imigração.

    Mais de 300 atos e manifestações foram registrados em todos os 50 estados e no Distrito de Columbia,  neste domingo, 1º de fevereiro de 2026.

    “ICE Out” é  o slogan da campanha de mobilização nacional contra a atuação da polícia especial que Trump criou para retirar os imigrantes ilegais do país.

    Cenas da violência policial e da rejeição da população aos agentes federais de imigração, o ICE, inundam a internet espalhando a indignação.

    A truculência da caçada aos imigrantes ilegais já resultou na morte de dois cidadãos americanos, Alex Pretti e Renee Good, em Minneapolis. Cartazes com suas fotos estão espalhados pelos muros da cidade.

    Nas manifestações deste domingo, destacavam-se os cartazes com a foto do menino Liam Conejo Gomes, de 5 anos, preso pelo ICE. Nascida nos Estados Unidos, a criança foi levada sob custódia federal junto com seus pais, que são imigrantes, durante uma operação de deportação em massa na semana passada.

    Em Minneapolis, o foco da resistência, o movimento organizado envolve a população em ações articuladas, para monitorar cada movimento do ICE e tornar o mais difícil a vida de seus agentes na cidade- desde apitaço para não deixá-los dormir, até a recusa em atendê-los nos restaurantes e lanchonetes.

    Grandes marchas foram registradas em Nova York (em frente a instalações do ICE em Manhattan), Los Angeles, Atlanta, Chicago, Houston, Portland e Austin.
    Houve registros significativos em cidades como Boulder (com um passeio ciclístico e corrida de 5 milhas), Newark, e até cidades rurais e universitárias como Oxford, Ohio.

    Em Los Angeles,  manifestantes arremessaram objetos contra prédios federais, resultando em várias detenções, no uso de gás lacrimogêneo e balas de pimenta.

    Autoridades de Minnesota e prefeitos de grandes cidades seguem com ações na justiça federal para remover o ICE de seus territórios, alegando violações constitucionais.

    Na sexta-feira,  governo enviou para Minneapolis  o todo poderoso Tom Homan (o “czar das fronteiras”). Seria uma tentativa de “apaziguar” a situação. Trump no entanto afirmou que as operações de imigração continuarão.

    Os protestos contra a violência da política de imigração são a “ponta de um iceberg” de revolta social que se forma no país,  misturando descontentamento com os desmandos de Trump aos efeitos de crises estruturais – recessão econômica, desemprego,  insegurança.

    David Brooks, do conservador New Iork Times, num artigo que se tornou um dos mais lidos nesta semana, previu o ” O colapso iminente de Trump”.

    Ele aponta quatro “desmoronamentos fatais”: o desmoronamento da ordem internacional do pós-guerra; o desmoronamento da tranquilidade interna onde quer que agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) ponham suas botas; o desmoronamento da ordem democrática, com ataques à independência do Fed e — perdoem o trocadilho — acusações forjadas contra oponentes políticos; e, finalmente, o desmoronamento da mente do presidente Trump. Desses quatro fatores, o desmoronamento da mente de Trump é o principal, levando a todos os outros”.

    (Síntese do noticiário dos principais jornais no fim de semana)  

  • Nova Ipiranga: megaprojeto vai impactar 186 mil moradores em 11 bairros

    Nova Ipiranga: megaprojeto vai impactar 186 mil moradores em 11 bairros

    Começou, com uma audiência pública na quarta-feira, 28/01, a discussão do projeto de reurbanização do entorno da avenida Ipiranga,  um dos eixos viários de Porto Alegre.

    O projeto, no formato de uma Operação Urbana Consorciada, é presentado como “um instrumento urbanístico que busca despoluir o Arroio Dilúvio por meio de uma transformação da área, recuperação ambiental, implantação de parque linear e melhorias em mobilidade, saneamento e drenagem”.

    Na verdade é um mega-empreendimento urbanístico- imobiliário que vai transformar uma área de 2,5 mil hectares, onde vivem 186 mil pessoas, equivalente a 14% da população de Porto Alegre.
     Essa é a soma total de habitantes dos bairros que são “cortados” ou tangenciados pelo projeto (como Praia de Belas, Menino Deus, Santana, Azenha, Petrópolis, Jardim Botânico, Partenon, Santo Antônio, Ipiranga, Jardim do Salso e Bom Jesus).
    Além da população residente em áreas consolidadas, o projeto prevê intervenções específicas em comunidades vulneráveis.
    O Estudo de Impacto Ambiental prevê a remoção de aproximadamente 400 famílias que residem em áreas de risco ou locais necessários para as obras de drenagem e saneamento.
    Em contrapartida, estímulos à construção, como isenções e venda de índices, vão ampliar a oferta de moradias e imóveis comerciais através da verticalização dos prédios, que poderão ir até 130 metros.

    “A Nova Ipiranga é uma oportunidade de enfrentar um passivo histórico da cidade”, disse o prefeito Sebastião Melo.  Ele se refere à degradante situação do antigo Riacho, curso natural formado pelas águas que descem dos morros ao sul da cidade para o Guaíba. Nas chuvas do inverno causava inundações numa vasta área da cidade.

    Retificado e canalizado em meados do século passado, transformou-se  numa cloaca a céu aberto chamada Arroio Dilúvio, um canal fétido que atravessa uma área densamente povoada.

    A base do projeto de revitalização é uma “Operação Urbana Consorciada”,  que autoriza a formação de Parceria Público Privada, para captar e gerir os investimentos. Uma lei terá que ser aprovada na Câmara Municipal para viabilizar a operação

    O projeto prevê  “intervenções urbanísticas” para o perímetro de 1.625 hectares ao longo da avenida Ipiranga da Orla do Guaíba até a avenida Antônio de Carvalho.

    O plano de investimentos começa com “um aporte inicial” da prefeitura de R$ 202 milhões para “intervenções que buscam aprimorar a infraestrutura e a qualidade urbana da região”.  Ao mesmo tempo, as mudanças nas regras de construção e ocupação, visando a valorização imobiliária da área para atrair os investidores.

    As demais etapas vão exigir investimentos de R$ 2,75 bilhões, que virão em maior parte da venda de índices construtivos para novas edificações. As projeções indicam um adensamento.

    O projeto começou a ser feito em agosto de 2023, pelo Consórcio Regeneração Urbana Dilúvio, formado por três empresas (Profill, Pezco e Consult) ao custo de R$ 4,49 milhões.

    Agora, após as audiências públicas, o calendário da Prefeitura prevê a remessa do projeto de lei à Câmara de Vereadores, a contratação dos anteprojetos da fase zero e a constituição da sociedade de economia mista para a gestão da operação, ainda em 2026.

    Num cenário pessimista,  a reurbanização irá atrair 40 mil novos habitantes e gerar R$ 560 milhões em receitas de áreas adensáveis.
    Num cenário otimista, com “ampliação significativa do desenvolvimento econômico”, serão atraídos  73 mil novos moradores, arrecadando R$ 1,27 bi.

    A audiência pública realizada em um auditório na sede da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus), no bairro Três Figueiras, foi criticada.

    Com cerca de 100 lugares, o local ficou com apenas metade da lotação. Segundo a Prefeitura, cerca de 500 pessoas acompanharam a audiência entre as participações presencial e online.

    A vereadora Juliana de Souza (PT) também criticou a falta de diálogo com as comunidades. “É mais um projeto de benefício do setor privado em detrimento dos direitos da população, e, esse em especial, coloca em risco a população de 110 comunidades populares que vão ser atingidas, com risco de remoção forçada, com risco de gentrificação. As comunidades não estão sendo consultadas. Essa audiência pública foi visivelmente uma audiência esvaziada, num território de difícil acesso, em dia de semana, em que as pessoas estão trabalhando ou estão de férias, e que não é acessível para essas comunidades populares que vão ser diretamente impactadas”.

    Uma das poucas lideranças comunitárias presentes na audiência pública foi Jane Brochado, da Vila São Judas Tadeu. Ela questionou os motivos da inclusão de sua comunidade no estudo, uma vez que a área pertence ao Estado, não ao Município, e já está em processo de regularização fundiária. Ela também demonstrou desconfiança com relação à Operação Urbana Consorciada em vista do uso anterior deste instrumento pela Prefeitura. “Foi feita uma operação dessas na Lomba do Pinheiro e foram prometidas maravilhas. Hoje, temos só os grandes empreendimentos. As ocupações continuam as mesmas, estão mais precárias do que antes. Depois que todos os grandes empreendimentos imobiliários foram feitos, a lei foi extinta”, denunciou.

    Segundo o Sul 21, durante a audiência, participantes da sociedade civil qualificaram a proposta como uma privatização. “Na minha visão estão privatizando o Dilúvio”, afirmou Cláudio Bublitz, mestre em Geografia pela UFRGS. O integrante do Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (CMDUA) Dionisio Neto manifestou posição semelhante: “É uma privatização de toda a Avenida Ipiranga”.

    (*) A população ainda pode participar de forma on-line com contribuições para o projeto até 4 de fevereiro, por meio do formulário eletrônico ou direto pelo link.

    (**) As publicações da apresentação, estudos, minuta do Projeto de Lei, assim como o Estudo e o Relatório de Impacto Ambiental, podem ser acessadas pelo site www.regeneradiluvio.com.br.

     

  • Comissão de Urbanização, Transporte e Habitação, da Câmara de Vereadores, debate soluções para o Centro da Capital

    Comissão de Urbanização, Transporte e Habitação, da Câmara de Vereadores, debate soluções para o Centro da Capital

    O estado de conservação das ruas e calçadas do Centro Histórico de Porto Alegre virou tema de discussões na Câmara de Vereadores da capital gaúcha. São frequentes as reclamações de parte da população da cidade, principalmente a idosa, de quedas, acidentes e outras ocorrências provocadas pelo mal estado dos locais públicos.
    Por isso a primeira reunião, em 2026, da Comissão de Urbanização, Transporte e Habitação (Cuthab) será no
    dia 03 de fevereiro de 2026 – terça-feira
    Com Hora/local: 10h às 12h, salas 301/303 da Câmara Municipal de Porto Alegre (CMPA), avenida Loureiro da Silva, 255
    Foto: Divulgação
    O proponente é o vereador Pedro Ruas (PSOL), presidente da Cuthab, que coordenará a reunião
    para debater e propor soluções para o  Urbanismo e Cidadania no Centro Histórico de Porto Alegre,
    Os monumentos das praças no Centro têm sido furtados/ Divulgação
    Há muitas queixas como o desaparecimento de bens culturais e estátuas (só na Praça da Alfândega foram roubados o Mapa, de Mário Quintana e o busto de Artigas, uma homenagem do Uruguai à Porto Alegre); a falta de cuidados no conserto do calçamento e praças; reformas da área central que prejudicam cadeirantes e outros PcDs; segurança pública, entre outros.
    Para debater o tema foram convidados representantes da Prefeitura de Porto Alegre, pessoas e entidades com atuação na área.
  • Tributo a Van Halen por Frank Solari: virtuosismo e amor ao Rock

    Tributo a Van Halen por Frank Solari: virtuosismo e amor ao Rock

    Texto feito em parceria com Karina Lacerda

    O exímio guitarrista Frank Solari fez na última quinta-feira, dia 29 de janeiro de 2026, um show Tributo a Van Halen. Acompanhando Frank, estavam os experientes  músicos Jonathas Pozo no vocal (Rage In My Eyes, Icona Rock), André Gomes no baixo (Cheiro de Vida) e Elias Frenzel na bateria (Reação em Cadeia).

    Foto: Karina Lacerda

    O público lotou o Sargent Peppers, tradicional Pub do bairro Moinhos de Vento, para assistir ao espetáculo, sendo que os ingressos já haviam se esgotado duas semanas antes. Inclusive, na fila da entrada do show, havia alguns desavisados que esperavam conseguir entradas na hora e acabaram saindo frustrados. Para esses, um consolo: Frank avisou que em breve haverá novas apresentações do projeto. Visivelmente o público era composto quase que majoritariamente por pessoas acima dos 40 anos – aqueles que presenciaram tanto o auge do Van Halen quanto o início da prodigiosa carreira de Frank nas décadas de 80/90 – embora se visse alguns jovens na plateia.

    Foto: Karina Lacerda

    A poderosa introdução do álbum 1984, que tocou ao fundo enquanto os músicos se posicionavam no palco, preparou a atmosfera do espetáculo. O show começou com a enérgica “Jump”, com Frank nas guitarras e também no teclado, usando nessa um timbre bastante fiel à sonoridade original. Aliás, Frank confessou que já estudava piano há seis anos antes de se dedicar à guitarra, e que justamente foi Eddie Van Halen quem o inspirou a trocar de instrumento principal. No set list ainda constaram hits consagrados das eras mais marcantes da banda: da fase Dave Lee Roth (“Panama”, “Hot For Teacher”, “Running With The Devil”, “Eruption”), à fase Sammy Hagar (“Love Walks In”, “When It’s Love”, “Why Can’t This Be Love”, a emocionante “Dreams” e a clássica “Right Now”). O bis ficou aos encargos de “Pretty Woman” (cover do consagrado sucesso de Roy Orbison) e “You Really Got Me”, uma grata surpresa em um espetáculo que não privilegiou apenas hits, mas também músicas não tão conhecidas do grande público, tais como “Main Street” e “House of Pain”.

    Foto: Karina Lacerda

    Vale lembrar que Frank, além da brilhante carreira solo com os álbuns
    Frank Solari” (que por sinal foi apresentado na íntegra no mesmo Sargent Peppers em 17/10/2024, quando completou 30 anos), “Um Círculo Mágico”, “Acqua” e “Multiversal”, também já se dedicou a outros tributos, tais como Iron Maiden, Santanna e até mesmo ao compositor barroco Antonio Vivaldi, no espetáculo “Vivaldi Elétrico”, apresentado com a Orquestra da Universidade Luterana do Brasil.

    Foto: Karina Lacerda

    Frank se mostra um músico completo e versátil. Não é apenas um “guitar hero” desfilando sua técnica impecável, mas também um grande intérprete, que emociona seu público com sua incontestável sensibilidade e amor ao que faz, confirmando seu lugar definitivo entre os grandes personagens da história da música gaúcha.

  • Instituto Ágora lança, em sarau iluminado, o projeto “Vamos ler Cachoerinha?”

    Instituto Ágora lança, em sarau iluminado, o projeto “Vamos ler Cachoerinha?”

    O Instituto Cultural e Social Ágora, de Cachoeirinha, credenciado como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura, em setembro, prepara-se, agora, para lançar um programa bastante ambicioso denominado Vamos Ler, Cachoeirinha?.
    A iniciativa foi contemplada com recursos de uma emenda parlamentar de R$300 mil, destinada à entidade pela deputada Fernanda Melchionna, que lidera a Frente em Defesa do Livro, da  Leitura e da Escrita, do Congresso Nacional.
    O Vamos Ler, Cachoeirinha? tem por objeto qualificar, ampliar e diversificar projetos e ações que vêm sendo realizados, no munícipio, pelo Instituto Cultural e Social Ágora e parceiros, visando contribuir para a construção de uma cidade mais leitora.
    “Sintam-se todos convidados para o Sarau Iluminado, que realizaremos,  no dia 23 de fevereiro, às 19h, em nossa sede, para apresentar o programa, que envolverá a participação de dezenas de agentes culturais da cidade”, diz a organização do programa cultural e social.
  • Audiência pública sobre maior projeto agro-industrial do RS não é notícia?

    Audiência pública sobre maior projeto agro-industrial do RS não é notícia?

    Não mereceu manchete nos jornais tradicionais de Porto Alegre a audiência pública sobre a nova fábrica de celulose da CMPC em Barra do Ribeiro, que ocorre neste 29 de janeiro de 2026, às 16h, no Parque Municipal Nenê Naibert.

    A reunião aborda o Projeto Natureza, com investimentos de R$ 24 bilhões, e previsão de 12 mil vagas temporárias na construção  e 1,5 mil empregos diretos/indiretos na operação da fábrica.

    As manchetes tem saudado este chamado “Projeto Natureza”  como o maior investimento privado na história do Rio Grande do Sul, mas tem silenciado sobre o impactos ambientais dessa mega-fábrica, que vai exigir a ampliação dos plantios de eucalipto de 1 milhão de hectares plantados atualmente para 4 milhões de hectare.

    Quando esta área for alcançada nos próximos dez anos no máximo, o Estado terá mais da metade de sua área produtiva (área apta para a agropecuária) ocupada por duas monoculturas, duas commodities, matérias primas de exportação, que pagam pouco ou nenhum impacto.

    Quanto à fábrica,  as entidades ambientalistas alertam para o despejo de mais de 240 milhões de litros de efluentes por dia no Guaíba.

    “Entre os diversos aspectos que preocupam as entidades socioambientais, está a localização do emissário de efluentes líquidos da fábrica — a 3,5 km de Belém Novo, na Capital, próximo de duas novas estações de captação e tratamento de água do Dmae —, além da vazão de efluentes, com substâncias tóxicas, em volumes de 240 mil m3/dia, acima do volume de efluentes de toda a cidade de Porto Alegre”, registrou o Sul21, na quarta-feira..

    A audiência pública desta quinta-feira é a primeira e única prevista no processo de licenciamento ambiental deste mega-projeto.  Por que ela não é notícia? Por que os protestos dos ambientalistas são praticamente ignorados?

    (Cartas para a Redação)

    Obras da nova fábrica estão confirmadas para iniciar em 2026, com operação prevista para 2029.

  • Rádio: governo comemora o crescimento da audiência nas emissoras públicas

    Rádio: governo comemora o crescimento da audiência nas emissoras públicas

    Empresa Brasil de Comunicação (EBC) está comemorando o desempenho das emissoras públicas de rádio que tiveram “crescimento histórico” de audiência em 2025.

    Uma pesquisa da Kantar IBOPE Media registrou o fortalecimento da Rádio MEC e Rádio Nacional. Os índices ainda são relativamente baixos, mas representam a “maior participação de mercado em toda a série histórica, desde 2010”.

    A Rádio Nacional FM de Brasília alcançou 1,49% de share, porcentagem do total de ouvintes da praça, mantendo uma curva contínua de crescimento: os anos de 2023, 2024 e 2025, com participações de 1,36%, 1,42% e 1,49%, respectivamente.

    A Nacional FM do Rio de Janeiro também apresentou crescimento, consolidando o desempenho da faixa estendida: o número de ouvintes por minuto cresceu 49% entre 2024 e 2025.

    Em Recife, onde a Nacional atua em parceria com a Empresa Pernambuco de Comunicação (EPC), a rádio também teve aumento na audiência: 17% na comparação entre o último quadrimestre de 2024 e o mesmo período de 2025.

    Já em São Paulo, o último quadrimestre de 2025 registrou um crescimento de 6% em relação ao mesmo período de 2024, confirmando a tendência de ampliação de público contínuo da emissora na maior praça do país.

    Na MEC FM de Brasília, a audiência cresceu 59% na comparação entre o quarto trimestre de 2024 e o de 2025, refletindo o fortalecimento da emissora na capital federal.

    A MEC FM do Rio de Janeiro também manteve trajetória positiva em 2025, com aumento no número de ouvintes por minuto em relação ao ano anterior. Além disso, os anos de 2024 e 2025 representam os melhores resultados da emissora desde 2012 em participação de mercado.

    Um dos principais destaques da pesquisa foi a identificação de rejuvenescimento do perfil do público. Nas quatro praças pesquisadas, a Nacional foi a rádio com maior afinidade junto ao público de 15 a 24 anos entre todas as emissoras mensuradas pela Kantar, evidenciando o processo de rejuvenescimento da marca e sua crescente conexão com as novas gerações.

    Em Belo Horizonte, a MEC se destacou como a rádio com maior afinidade junto ao público de 15 a 24 anos, indicando elevado potencial de consolidação da emissora em uma nova e estratégica praça.

    “Os resultados confirmam o fortalecimento do projeto de radiodifusão pública da EBC, fundamentado na diversidade de conteúdos, na inovação editorial, na valorização da cultura brasileira e na ampliação do acesso à informação de qualidade”, avalia o gerente-executivo de Rádios, Thiago Regotto.

    Nesta semana, a TV Brasil e a Rádio Nacional, emissoras públicas da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) lançaram um novo programa esportivo com três nomes consagrados do jornalismo esportivo brasileiro: Juca Kfouri, José Trajano e Lúcio de Castro. A atração estreia na segunda-feira (26), às 18h, na TV Brasil e no YouTube da emissora, e às 20h em toda a rede da Rádio Nacional.

    “Este novo programa reforça o compromisso da EBC com um jornalismo esportivo que não se limita ao resultado e ao entretenimento. No Trio de Ataque, o futebol funciona como instrumento para reflexões mais profundas sobre questões sociais, culturais e do cotidiano, impulsionando debates que estimulam o pensamento crítico do público”, disse o presidente da EBC, Andre Basbaum.

    (Com informações da Agência Brasil)

  • Porto em Arroio do Sal: engenheiro alerta para os danos ambientais e destruição de praias

    Porto em Arroio do Sal: engenheiro alerta para os danos ambientais e destruição de praias

    O engenheiro  Athos Stern é mais um técnico a alertar para os riscos sociais, econômicos e ambientais decorrentes do porto a ser construído em Arroio do Sal.

    O Porto Meridional, cuja construção está prevista para começar neste 2026, é um investimento privado visto pelo governo como “um avanço estratégico para a infraestrutura do Rio Grande do Sul”.

    Professor aposentado da UFRGS, ex-presidente e consultor da associação comunitária, Stern lembra que um porto em mar aberto, em costa retilínea e sem proteção natural, destrói praias por definição técnica (por interrupção da deriva litorânea, dragagens constantes, molhes que deslocam a erosão para toda a costa), além de acabar com a pesca artesanal.

    Ele questiona se os lucros gerados pelo porto ficarão na região ou irão para grupos empresariais e fundos privados, prevê erosão costeira, pressão urbana, aumento de custos públicos e degradação ambiental, com desvalorização dos imóveis próximos.

    “Isso não é desenvolvimento regional. É extração de valor com socialização do dano”, afirma.

    A íntegra pode ser lida aqui.

    Também da UFRGS,  o professor titular de geografia polar e glaciologia, membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e professor colaborador na University of Maine, nos Estados Unidos, Jefferson Cardia Simões,  já se manifestou contrário à construção do porto.

    Consultor científico do Movimento Unificado em Defesa do Litoral Norte (Movln/RS),  Simões avalia que uma das consequências nefastas será a erosão ao norte e acúmulo de sedimentos ao sul, prejudicando as praias e o turismo local.

  • Estudo projeta que o número de mortes causada pelos plásticos vai dobrar até 2040

    Estudo projeta que o número de mortes causada pelos plásticos vai dobrar até 2040

    Mantidas as tendências atuais,  as consequências negativas da cadeia do  plástico (da produção ao descarte) na saúde humana vão mais do que duplicar até 1940.

    É a conclusão de um estudo publicado na revista Lancet Planetary Health, nesta segunda-feira, 26.

    A pesquisa identifica extensos danos à saúde, como doenças respiratórias e câncer, em todas as etapas do ciclo de vida do plástico, desde a extração da matéria-prima até o descarte.
    O aumento projetado dos impactos na saúde leva em conta principalmente as emissões de gases de efeito estufa (40%), poluição do ar (32%) e produtos químicos tóxicos (27%) liberados em todo a cadeia do  plástico.
    O estudo calcula a perda anual de anos de vida saudável devido aos plásticos e  concluis que vai aumentar de 2,1 milhões de anos, em 2016,  para 4,5 milhões em 2040.  Considerando uma idade média de 70 anos, significa que o número de mortes passará de 300 mil por ano em 2016, para 642 mil em 2040
    O estudo conclui que uma “mudança completa do sistema”, incluindo limites na produção e melhoria na gestão de resíduos, é necessária para reduzir significativamente o impacto global na saúde.

    Os pesquisadores identificaram riscos em todas as etapas, desde a extração de combustíveis fósseis e a produção de materiais até o descarte de plásticos e sua subsequente liberação no meio ambiente.

    Isso inclui uma série de doenças graves, como enfermidades respiratórias, vários tipos de câncer e as implicações mais amplas do aquecimento global para a saúde.

    A pesquisa de modelagem, liderada por especialistas da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres (LSHTM), juntamente com a Universidade de Toulouse e a Universidade de Exeter, analisou vários cenários futuros para a produção, o consumo e a gestão de resíduos de plásticos entre 2016 e 2040.

    Em um cenário de “normalidade”, suas descobertas sugerem que os impactos negativos dos plásticos na saúde poderiam dobrar.

    De acordo com a modelagem, as emissões de gases de efeito estufa e o aquecimento global associado seriam responsáveis ​​por 40% desses danos à saúde.

    A poluição atmosférica – proveniente principalmente dos processos de produção de plásticos – pode ser responsável por 32% dos casos, e o impacto de produtos químicos tóxicos liberados no meio ambiente pode ser responsável por 27%. E menos de 1% estaria relacionado à menor disponibilidade de água, aos impactos na camada de ozono e ao aumento da radiação ionizante.

    A poluição atmosférica – proveniente principalmente dos processos de produção de plásticos – pode ser responsável por 32% dos problemas de saúde.
    Os pesquisadores afirmam que o estudo é o primeiro do gênero a avaliar o número de anos de vida saudável perdidos em escala global devido às emissões de plástico.

    Megan Deeney, autora do estudo e pesquisadora da LSHTM, afirmou: “Frequentemente, a culpa recai sobre nós, consumidores individuais de plástico, para resolver o problema. No entanto, embora todos tenhamos um papel importante a desempenhar na redução do uso de plásticos, nossa análise mostra que é necessária uma mudança sistêmica ‘do berço ao túmulo’ na produção, uso e descarte do plástico”.

    “São necessárias ações muito mais ambiciosas por parte dos governos e maior transparência da indústria para conter essa crescente crise global de saúde pública relacionada ao plástico.”

    “A falta de divulgação e a inconsistência nos relatórios sobre a composição química dos plásticos por parte da indústria estão limitando severamente a capacidade  fundamentar políticas eficazes para proteger os seres humanos, os ecossistemas e o meio ambiente.”

    Leia Mais: https://www.independent.co.uk/news/science/plastic-emissions-cancer-health-greenhouse-gasses-pollution-b2907947.html