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  • Virada sustentável apresenta exposição de Araquém Alcântara

    Virada sustentável apresenta exposição de Araquém Alcântara

    A Virada Sustentável apresenta, entre suas atrações comemorativas dos 10 anos, a exposição: O Brasil de Araquém Alcântara. Será no dia 21 de março, às 17h, na Galeria Escadaria do píer da Usina do Gasômetro, em Porto Alegre.

    Esta exposição contém fragmentos visuais de um Brasil que pulsa para além das fronteiras urbanas, capturado pelo olhar sensível de Araquém Alcântara. Através destas imagens, somos convidados para uma jornada pelos territórios onde água, luz e vida selvagem compõem uma gramática do existir.

    Araquém Alcântara, um dos mais importantes fotógrafos e precursor da fotografia de natureza do Brasil, dedicou sua vida a registrar a vida em nossos biomas.

    Com mais de cinco décadas de trabalho, sua câmera se transforma em instrumento de resistência e memória, documentando simultaneamente a exuberância e a fragilidade dos ecossistemas brasileiros.

    A proposta é sensibilizar o público para a preservação da biodiversidade ao revelar sua plena exuberância no território mato-grossense: Amazônia, Cerrado e Pantanal.

    Nestas fotografias, vemos um país-organismo vivo, na onça vigilante, na mata fechada, no pescador que corta o rio como extensão de si mesmo, nas vitórias-régias que flutuam como planetas aquáticos. 

    O fotógrafo revela um Brasil das fronteiras dissolvidas – onde a água vira céu nos reflexos perfeitos, onde luz esculpe silhuetas, onde o encontro entre preservação e desaparecimento permanece em tenso equilíbrio.

    Fotos Araquém Alcântara

    Virada Sustentável

    A cidade de Porto Alegre recebe, entre os dias 18 e 22 de março, a 10ª edição da Virada Sustentável, evento que se consolidou como um dos maiores movimentos de cultura e conscientização ambiental do país. Dentro da programação, o Festival Multiartes ganha destaque ao reunir diferentes manifestações artísticas que dialogam com a sustentabilidade e a relação entre natureza e vida urbana.

    Mais informações da Virada no insta do evento

  • Conab e Universidade de Pelotas firmam parceria para instalação de energia solar em armazéns

    Conab e Universidade de Pelotas firmam parceria para instalação de energia solar em armazéns


    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) assina, nesta quinta-feira (19), o primeiro contrato para instalação de energia solar em sua rede de armazéns.

    A Unidade de Abastecimento em Canoas será a primeira a receber placas fotovoltaicas no âmbito da parceria com a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), marcando o início da execução do projeto de transição energética desenvolvido em conjunto com a instituição. A iniciativa visa transformar as unidades armazenadoras da estatal em geradoras de energia limpa, reduzindo custos operacionais e promovendo a sustentabilidade.

    A solenidade contará com as presenças do presidente da Conab, Edegar Pretto; da reitora da UFPel, Ursula Silva; e de representante da EBS Engenharia Ltda., empresa do norte gaúcho responsável pela execução da obra.

    O sistema prevê a instalação de 250 módulos fotovoltaicos na UA de Canoas, gerando economia energética que permitirá a ampliação do processo de distribuição de alimentos a cozinhas solidárias da região.

    O local possui capacidade de estocagem superior a 16 mil toneladas de alimentos e funciona como um dos principais entrepostos da Companhia para o armazenamento e a distribuição de produtos oriundos da agricultura familiar e de programas públicos de abastecimento alimentar. Inclusive, nas enchentes de 2024, concentrou as operações da estatal de socorro à população gaúcha.

    Projeto foi anunciado durante a COP 30

    A iniciativa foi divulgada durante a COP 30, em Belém (PA), alinhando a infraestrutura pública brasileira de armazenagem com práticas de transição energética.

    Com um investimento inicial de R$ 6,9 milhões, O ‘Armazéns Solares’ é desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e prevê a instalação de Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede (SFVCR) em 21 unidades armazenadoras distribuídas por diferentes regiões do país.

    A iniciativa faz parte de um plano mais amplo que deverá alcançar todas as 64 unidades da Conab nos próximos anos, com o objetivo de reduzir custos com energia elétrica, aumentar a eficiência operacional e descarbonizar a matriz energética da empresa.

    “Este é um passo muito importante para a Conab, que vive um novo momento de fortalecimento e modernização. Já retomamos a formação de estoques públicos e, paralelamente, estamos investindo na recuperação e na modernização das nossas unidades armazenadoras, alinhando a Companhia às diretrizes de sustentabilidade e transição energética do governo federal”, afirma o presidente da Companhia, Edegar Pretto.

    Com o investimento de cerca de R$ 5 milhões para modernização, a primeira unidade a receber o programa, em uma versão experimental, foi a Unidade Armazenadora (UA) Rondonópolis (MT), com a instalação de um sistema de energia solar fotovoltaica.

    Agora, a unidade contemplada é a de Canoas (RS), primeiro contrato formal do projeto. O edital de licitação, publicado em 7 de novembro, prevê a instalação de 250 placas de sistemas fotovoltaicos com economia estimada em 180 MWh por ano e redução de 9 toneladas de CO₂ emitidas anualmente.

    O projeto Armazéns Solares integra um esforço mais amplo de recuperação e modernização da rede armazenadora da Conab, após um período de restrições orçamentárias e desmobilização de estruturas. Nos últimos três anos, a Companhia retomou os investimentos, aplicando R$ 272 milhões em melhorias e ampliações em suas unidades, valor que inclui recursos do BNDES e da Itaipu Binacional. Com isso, segundo a companhia, a capacidade de armazenagem pública passou de 900 mil toneladas para 1,32 milhão de toneladas, um aumento de 48%.

  • Juiz gaúcho analisa em livro limites entre convicção política e violação de direitos

    Juiz gaúcho analisa em livro limites entre convicção política e violação de direitos

    O juiz Gilberto Schäfer lança, nesta terça-feira (17), o livro Discriminação Política e Ideológica: O caso da relação médico-paciente. A obra parte de um episódio real ocorrido no Rio Grande do Sul, em que uma pediatra se recusou a continuar o atendimento de uma criança em razão do posicionamento político de seus pais — situação que acabou judicializada.

    A partir desse caso, o autor propõe uma reflexão mais ampla sobre um dos temas mais sensíveis do debate contemporâneo: os limites entre a liberdade de opinião e a discriminação. Em um cenário marcado pela crescente polarização social e pela judicialização de conflitos ideológicos, o livro investiga em que momento a divergência política deixa de ser expressão legítima e passa a configurar exclusão, estigmatização e violação de direitos.

    Com cinco capítulos que articulam teoria, conceitos jurídicos e casos concretos, a obra adota como premissa central a ideia de que a pluralidade de opiniões é um valor constitucional essencial à democracia. Nesse sentido, proteger convicções políticas e ideológicas não significa legitimar discursos intolerantes, mas garantir a preservação do espaço público de debate e participação cidadã.

    O autor também se dedica a delimitar os contornos entre liberdade de expressão e discriminação. Embora a manifestação de convicções políticas — inclusive críticas à ordem vigente — seja assegurada, ela encontra limites quando se transforma em discurso de ódio, incitação à violência ou ataque ao Estado Democrático de Direito.

    A análise incorpora instrumentos jurídicos como proporcionalidade e razoabilidade, além de dialogar com experiências internacionais, especialmente da Alemanha e dos Estados Unidos. O objetivo é compreender como diferentes sistemas jurídicos enfrentam a intolerância ideológica e constroem mecanismos para promover tolerância, pluralismo e igualdade sem comprometer a segurança jurídica.

    Outro ponto relevante da obra é a investigação sobre como a discriminação pode se manifestar não apenas na relação entre Estado e cidadão, mas também em vínculos privados, como contratos, relações de trabalho, consumo e associações. O livro ainda apresenta mecanismos práticos para identificar formas veladas de discriminação, incluindo técnicas probatórias e a análise da formação de estigmas nas relações sociais.

    Segundo Schäfer, a motivação para a obra surgiu da percepção de uma lacuna no campo jurídico brasileiro. “Ao longo do meu percurso, percebi a ausência de estudos que organizassem conceitos, oferecessem parâmetros claros e incentivassem o Direito a enfrentar com seriedade a discriminação política e ideológica”, afirma.

    O lançamento ocorre às 18h, na Escola da Ajuris, em Porto Alegre, com uma roda de conversa sobre o tema. O evento reunirá magistrados, operadores do Direito, acadêmicos e público interessado.

    Sobre o autor:

    Gilberto Schäfer é magistrado do Poder Judiciário do Estado do Rio Grande do Sul, com atuação na comarca de Porto Alegre. Graduado em Direito, possui mestrado e doutorado em Direito Público pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, além de pós-doutorado em Direitos Fundamentais pela Universidade de Lisboa. Também conta com especializações em áreas como Direito da Anticorrupção, Direito Sanitário, Bioética e Direitos Humanos.

    Serviço:

    Lançamento do livro Discriminação Política e Ideológica: O caso da relação médico-paciente

    Autor: Gilberto Schäfer

    Data: 17 de março

    Às 18h, roda de conversa, com o autor e convidados, para aprofundar os debates do livro, seguida de Sessão de Autógrafos.

    Convidados: Bruno Miragem, Flávio Tavares, Jayme Weingartner Neto, Paulo Gilberto Cogo Leivas e Roger Raupp Rios.

    Local: Escola da Ajuris – Rua Celeste Gobbato, 229 – Praia de Belas, Porto Alegre.

    O livro pode ser adquirida pelo site da editora Thoth: editorathoth.com.br 

  • Artista visual Erico Santos homenageia os 254 anos de Porto Alegre

    Artista visual Erico Santos homenageia os 254 anos de Porto Alegre

    A Gravura Galeria de Arte homenageia os 254 anos de Porto Alegre com uma exposição do artista visual Erico Santos que retrata locais históricos da capital.

    A Sala Negra da galeria, na Rua Coronel Corte Real, 647, bairro Petrópolis, recebe dez telas a óleo em que Erico usa paleta vibrante e harmoniosa, que transmite uma sensação de luminosidade, de acordo com análise do professor de artes José Francisco Alves.

    Erico Santos diante da Ponte de Pedra. Um dos locais homenageados pelo artista. Foto Carlos Souza/Divulgação

    A abertura da mostra “Erico Santos por Porto Alegre” acontece nesta quinta-feira, 19/03, das 17h às 19h, e a visitação se estende até 31 de março.

    Já o professor Armindo Trevisan diz que Erico não abstrai do legado figurativo que devemos aos grandes mestres do passado: “É uma estética que, sem pedantismo nem pretensão, se mostra superior, e alérgica ao consumismo visual”.

    Entre os trabalhos estão, por exemplo, os que retratam a Ponte de Pedra (construída entre 1848 e 1854), o Viaduto da Borges (inaugurado em 1932) e o Monumento aos Açorianos, criado pelo artista Carlos Tenius, em tributo aos imigrantes que deram origem à cidade, cuja data de aniversário é 26 de março.

    Ampliando a amostragem das obras, pode-se citar ainda as pinturas da Igreja Nossa Senhora das Dores, construída em 1807 e elevada à condição de Basílica Menor pelo Papa Francisco, em 2022; e a Praça Montevidéu, de um ângulo que contempla a Fonte Talavera da la Reina, criada em 1855 pelo ceramista espanhol Juan Ruiz de Luna, o Museu do Paço (prédio da antiga prefeitura), de 1901, e o Mercado Público, inaugurado em 1869. 

    Nascido em Cacequi, Erico Santos, de 74 anos de idade e 51 de carreira, morou em Santa Maria e São Paulo, antes de se estabelecer em Porto Alegre. Há cerca de 20 anos divide-se entre a capital gaúcha e Milão, onde também tem ateliê.

    Bastante conhecido no estado e fora dele pelo tema das colhedeiras de flores, Erico, na exposição da Gravura, usa “tons quentes e frios que proporcionam um contraste equilibrado, em composição que confere profundidade”, acrescenta o professor Francisco Alves na sua análise. “As pinceladas soltas e expressivas de Erico, e o uso da luz e sombra, sugerem uma atmosfera dinâmica e cheia de movimento”, enfatiza o especialista. 

  • Brizola abre o coração e solta o verbo em livro raro

    Brizola abre o coração e solta o verbo em livro raro

    Há 30 anos, o ex-governador Leonel de Moura Brizola deu um raro depoimento de mais de quatro horas a um pequeno grupo de amigos -nativos, como ele, de Carazinho, ex-distrito de Passo Fundo, no norte do Rio Grande do Sul. A gravação feita num auditório da Câmara de Vereadores, na noite de 6 de abril de 1996, rendeu um rolo de fita BASF e quatro fitas Phillips K7, transcritas nos dias seguintes pela historiadora Silvana Moura, que integrou, com o também historiador Nei d’Avila, a bancada de profissionais de História Oral escalada para a missão.

    Um mês depois, Silvana entregou o material impresso – um catatau de 67 páginas – ao carazinhense Romeu Barleze, ex-deputado estadual trabalhista que convencera o amigo Brizola a contar em detalhes a história de sua vida. Mesmo alegando que sempre esteve mais voltado para o futuro, o ex-prefeito de Porto Alegre concordou em falar sobre o seu passado. E abriu seu coração, falou sem parar diante da plateia mínima, formada por cinco amigos, a dupla de historiadores e o técnico Daniel de Paula Manhães, encarregado de operar os dois gravadores.

    Reprodução da foto da entrevista de Brizola em 1996. Arquivo pessoal da professora Silvana Moura

    E o que aconteceu? Nada! Seguiu-se um silêncio de três décadas, só rompido agora pela Editora Insular, de Florianópolis, que acaba de lançar “Leonel Brizola por ele mesmo”, livro de 208 páginas contendo o depoimento histórico, uma sucessão de fotos e o QR Code que facilita a escuta da maior fala do comandante da Campanha da Legalidade de 1961. Ele vai lembrando e, de repente, está falando da paisagem, dos pinheirais, dos trens carregados de madeira, dos trabalhadores, dos irmãos, da mãe, do negro Otávio, seu “tutor”, um peão-tropeiro que lhe deu um petiço… É comovedor ler e/ou ouvir Brizola dizendo que tudo aquilo de sua infância lembra “As Vinhas da Ira”, de John Steinbeck, e merecia ser alvo da escrita de um João Guimarães Rosa.

    Com lançamento em Porto Alegre, Carazinho e no Rio, esse livro parece predestinado a virar um divisor de águas na história do Rio Grande do Sul, governado nos últimos 12 anos por políticos de centro-direita, entre os quais se alinhou o que restou do partido fundado por Brizola.

    Por ora, vale a pena esclarecer o que rolou nesses 30 anos em que a voz do trabalhismo foi perdendo ressonância.

    Na esperança de transformar o material em livro, já no século XXI, Silvana Moura entregou as quatro fitas K7 ao professor Nildo Ouriques, da UFSC, para que as repassasse a Nelson Rolim de Moura, dono da Editora Insular, de Floripa, que constatou que as fitas estavam perdendo qualidade – atucanado por outras demandas editoriais, ele demorou até ser aconselhado a restaurar o material magnético. Enquanto isso, em 2015, o depoimento impresso foi entregue por Romeu Barleze a Juliana Brizola, neta do ex-governador. Ocupada com seu mandato de deputado estadual, ela passou o calhamaço para Rejane Guerra, jornalista mineira residente no Rio a quem conheceu no diretório do PDT-RJ. Começou então um esforço para juntar o impresso às fitas que lhe deram origem. Assim, a bola voltou às mãos de Silvana Moura.

    Inicialmente projetado para sair em 2022, o livro somente se materializou agora, às vésperas da campanha para as eleições gerais de outubro. Supõe-se que o depoimento do líder trabalhista possa ser um trunfo a favor de Juliana Brizola em sua candidatura ao cargo de governadora.

    O único senão é que a historiadora Silvana Moura, que tanto se empenhou para publicar seu trabalho, estrilou publicamente diante da omissão de seu nome na capa, onde aparecem como organizadoras Juliana Brizola e Rejane Guerra.

    Surpreendido pela polêmica, o editor Nelson Rolim, que também é de Moura, acha que fez o certo, tanto que contemplou a historiadora com a primeira orelha do livro, um dos espaços mais nobres na indústria editorial. Afinal, o que fica é a voz e memória de Brizola, por ele mesmo.

  • Concessão do Cais Mauá trava, de novo

    Concessão do Cais Mauá trava, de novo

    A concessão do Cais Mauá vive um novo impasse. O consórcio Pulsa RS, vencedor da licitação, solicitou ao governo gaúcho a prorrogação do prazo para a assinatura final do contrato, prevista para quarta-feira, 11 de março. Com isso, o grupo fica dispensado, por ora, do pagamento de mais de R$ 11 milhões ao Estado e da apresentação da documentação necessária para assumir a gestão dos armazéns.

    O consórcio afirma que precisa reavaliar a viabilidade financeira e operacional do projeto diante de mudanças recentes, como os impactos da enchente de maio de 2024 e a extensão do prazo contratual do Cais Embarcadero — que foi renovado por mais cinco anos aos atuais responsáveis em contrapartida aos restauros pós-enchente. O governo estadual informou que o pedido será analisado “técnica e juridicamente” e que, caso não seja aceito, a licitação poderá ser cancelada.

    O leilão para o Cais ocorreu em fevereiro de 2024 e teve o Pulsa RS como único participante. Inicialmente, o contrato deveria ser assinado em até 90 dias, mas a calamidade climática atrasou o cronograma.

    O projeto prevê investimentos de R$ 353,3 milhões, incluindo a revitalização de 12 armazéns históricos e um novo sistema de proteção contra cheias, além da possibilidade de empreendimentos imobiliários nas docas. No entanto, o destino do Muro da Mauá permanece incerto.

    Esta é a segunda concessão do Cais Mauá, na verdade. A primeira, formalizada em dezembro de 2010, terminou em maio de 2018, quando uma operação da Polícia Federal revelou uma enorme fraude financeira que dilapidou R$ 130 milhões captados junto a fundos de previdência. Esta história já foi contada pelo JÁ em edição especial.

    Íntegra da nota do consórcio Pulsa RS:

    O Consórcio Pulsa RS solicitou ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul a prorrogação do prazo para a assinatura do contrato definitivo da concessão do Cais Mauá, inicialmente prevista para o dia 11 de março. A medida decorre da necessidade de reanálise da viabilidade financeira e operacional do projeto, considerando fatos recentes que impactam o cenário do empreendimento, especialmente os desdobramentos relacionados à extensão do prazo contratual do Cais Embarcadero.

    O consórcio reafirma seu compromisso com a revitalização do Cais Mauá e segue em diálogo com o Governo do Estado para que a assinatura do contrato ocorra em bases sólidas e alinhadas à realidade atual do projeto.

    **Clique aqui para ler mais sobre a concessão do Cais na coluna Economics

  • Estado vai voltar a acolher                   animais silvestres no Zoo

    Estado vai voltar a acolher animais silvestres no Zoo

    CLEBER DIONI TENTARDINI

    A Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA) decidiu retomar o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) e vai ocupar de forma provisória um local no Parque Zoológico, em Sapucaia do Sul.

    Ainda não foi decidido quem vai trabalhar lá, mas não serão servidores do Zoo, como era antigamente.

    O CETAS havia sido desativado em 2018, após a extinção da Fundação Zoobotânica e das tentativas frustradas de concessão do Zoo para a iniciativa privada. Agora, está recebendo melhorias na infraestrutura para voltar a funcionar, sem um prazo determinado.

    Desde então, todo o serviço de acolhimento e tratamento dos animais silvestres apreendidos em ações de fiscalização, vítimas de acidentes ou entregues voluntariamente pela população, ficou concentrado em um imóvel improvisado do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), na esquina das ruas Baronesa do Gravataí e Miguel Teixeira, no bairro Cidade Baixa, na Capital.

    Em 2024, a enchente invadiu aquele imóvel do Ibama, um local pequeno para o manejo e abrigo dos animais silvestres, inadequado para manter aquelas atividades, segundo biólogos e veterinários.

    O serviço de acolhimento e uma parte dos mais de cem animais foram deslocados para a sede do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), órgão do Ministério da Agricultura e Pecuária, que fica ao lado do Jardim Botânico, um espaço totalmente precário.

    A situação se agravou mais com a descoberta pela Polícia Federal, naquele ano de 2024, de um esquema de destinação ilegal de animais para dez criadouros de fauna e criadores amadoristas de pássaros silvestres, com o fim de serem vendidos.

    De um total de seis pessoas indiciadas pela PF, dois são servidores do Ibama regional, e foram afastados do trabalho temporariamente. Entre os animais, havia uma harpia, ou gavião-real, a maior ave de rapina das Américas, espécie ameaçada de extinção.

    MP-RS entra em ação e cobra soluções

    Em maio do ano passado, o Ministério Público gaúcho propôs uma Ação Civil Pública (ACP) para cobrar do governo estadual um plano com estratégias de acolhimento e tratamento dos animais até que possam ser reintroduzidos ao ambiente natural.

    A promotora de Justiça Annelise Steigleder, da Promotoria de Meio Ambiente de Porto Alegre, que assina a ACP, diz que os animais silvestres apreendidos em ações de fiscalização da polícia militar ou da SEMA não podem correr o risco de ser mantidos com os próprios infratores.

    Ainda em 2025, a SEMA criou o programa Guardiões da Fauna, para que particulares pudessem receber os animais fruto das apreensões da polícia ambiental, mas foi impugnado judicialmente pela ausência de consulta pública e porque estava em desconformidade com a legislação federal e estadual, além de conter “graves falhas jurídicas e técnicas apontadas em análises especializadas e representações de entidades ambientais”, diz a decisão judicial.

    Dentre as fragilidades apontadas, “causam especial apreensão a ausência de lista prévia de quais animais silvestres podem ser objeto desse tipo de destinação, a falta de exigência de responsável técnico pelo mantenedouro, a ausência de garantias mínimas para o manejo adequado dos animais sob guarda, e o sistema de fiscalização insuficiente, favorecendo riscos de maus-tratos, tráfico, fraudes e ‘petização’ da fauna”, aponta a promotora de Justiça Annelise Steigleder.

    Entre os anos de 2018 e 2020, discutiu-se a possibilidade de uma parceria entre SEMA e Ibama para que o órgão federal transferisse o CETAS sob sua responsabilidade para uma área anexa ao Jardim Botânico, onde funcionavam os laboratórios da Fepam. Foram feitas medições, avaliações e, em dezembro de 2020, foi assinado um Termo de Cessão de Uso da área de 1.300m². Mas o Ibama desistiu do local.

    Agora, uma nova parceria está sendo formatada entre os dois órgãos públicos para instalar e administrar um CETAS na Reserva Florestal Padre Balduíno Rambo, ao lado do Zoo, em Sapucaia do Sul.

    Essa reserva de 620 hectares, que faz homenagem ao religioso e botânico gaúcho, autor do clássico “A fisionomia do Rio Grande do Sul” (1942), é uma das áreas verdes mais cobiçadas da região metropolitana. Uma parte da reserva chega às margens do Rio dos Sinos e protege a mata ciliar por mais de dez quilômetros de extensão.

  • Móveis Coloniais de Acaju volta às atividades e aos palcos do Opinião

    Móveis Coloniais de Acaju volta às atividades e aos palcos do Opinião

    Certamente Móveis Coloniais de Acaju não é das bandas mais conhecidas hoje em dia, ainda mais se pensarmos que se passaram 8 anos desde que eles tinham “dado um tempo”. Talvez isso seja o elemento mais surpreendente ao ver um público bem mesclado, mas, com muitos jovens, cantando todas as músicas nesse sábado, 07, no Opinião.

    Se há uma garantia, é que assistir a banda brasiliense ao vivo é sinônimo de diversão. Não unicamente por músicos incríveis e letras que vão do sagaz ao gentil, mas por ser uma miscelânea de entretenimento ao público: quer solo de instrumentos? TEM! Quer fazer a dança da cordinha passando por baixo de um trombone? TEM! Que tal um passinho coletivo? GARANTIDO!

    A cada momento, cada movimentação se dava de forma muito orgânica, e um lugar como o Opinião, mesmo lugar que pudemos assistir ao show há 14 anos, sem dúvida vemos o ambiente perfeito para todo esse frenesi se orquestrar, inclusive abrindo um momento icônico e reflexivo de perguntas e respostas com a plateia, onde se explicou essa “pausa indeterminada” de quase uma década e se refletiu sobre a importância do 8M, Dia Internacional das Mulheres, e sobre o papel do homem em meio a isso, com um longo discurso (para o momento) de uma mulher da plateia. Tal momento foi (talvez) muito intenso para um meio de show, ainda mais seguido de “Campo de Batalha”, tendo uma quebra no ritmo do público que enchia o bar. Mas nada que “Tempo” não levantasse os ânimos novamente, seguida de “Copacabana”, que levou a plateia a loucura!

    Em momento algum a música fica em segundo plano. Ao vivo, inclusive, os metais tomam mais força ainda, e a pegada fica ainda mais presente.

    Fundamental destacar o pique da banda, especialmente de Xande Bursztyn (Trombone) e Beto Mejía (flauta transversal), com dancinhas pulantes dignas de Ska das antigas, animadíssimas e hilárias, impressionantes por manterem o fôlego. Aliás, o divertimento pessoal que se viu em palco é de quem realmente tá em contato com o público, onde amigos cheios de piadas internas se apresentam e estão ali para se divertir. E isso é imprescindível para se acompanhar adequadamente o show: se jogar no divertimento.

    Desde que surgiu, Móveis Coloniais de Acaju chamaram a atenção. Aos viventes do tempo de MTV, pudemos ver que eles faziam parte de uma vertente musical muito inteligente e sarcástica, onde seus clipes tinham muita influência de artes e referências visuais que levavam a uma ascendência cultural muito engrandecedora para algumas gerações. Para mostrar que essa verve segue viva, pudemos sentir uma homenagem a Jorge Ben Jor (em ano de Ogum, “Jorge da Capadócia” é muito adequada para um momento mais luz baixa)

    *Um agradecimento especial ao gentil Fabio Pedrosa, baixista, que nos cedeu um setlist para orientar nessa matéria.

    Confira Imagens do show. Fotos: Fabiane Marques

  • OSPA e grandes nomes da música gaúcha celebram 400 Anos das Missões

    OSPA e grandes nomes da música gaúcha celebram 400 Anos das Missões

    Para celebrar os quatro séculos das Missões Jesuíticas Guaranis a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) promove um encontro artístico com a tradição gaúcha no concerto “400 Anos das Missões”. Sob regência de Manfredo Schmiedt, orquestra e artistas missioneiros convidados interpretam algumas das canções mais representativas da região. Promovido pela Secretaria da Cultura (Sedac), a apresentação ocorre no Complexo Cultural Casa da OSPA na sexta-feira (13/3), às 20h. Os ingressos custam entre R$ 15 e R$ 70 na plataforma Sympla. O concerto também será transmitido ao vivo pelo canal da OSPA no Youtube.

    A apresentação reúne no palco da Casa da OSPA a histórica Família Ortaça, que será representada por Marianita, Gabriel e Alberto Ortaça, filhos de Pedro Ortaça — último “Tronco Missioneiro” vivo e referência da cultura popular missioneira.

    Família Ortaça. Foto Divulgação/OSPA

    Como participações especiais, o concerto contará com o contrabaixista uruguaio Miguel Tejera, reconhecido por sua atuação na cena instrumental sul-americana, e o violonista, compositor e produtor Guilherme Castilhos, premiado em importantes festivais do Estado.

    O repertório valoriza sobretudo os quatro representantes do tronco missioneiro: Pedro Ortaça, Cenair Maicá, Jayme Caetano Braun e Noel Guarany. “Esses quatro nomes são a essência desse concerto, cada um tem pelo menos uma obra bem importante presente no repertório. Além disso, temos outras obras que foram de festivais e outros eventos ao redor das missões”, comenta o diretor artístico da OSPA, Manfredo Schmiedt.

    A ponte entre a música regional e a sonoridade sinfônica foi construída com arranjos inéditos compostos pelo violinista da OSPA Dhouglas Umabel, que tem formação clássica, mas também ampla experiência em festivais de música regional gaúcha. Todos os arranjos do concerto, com exceção de “Milonga para as Missões”, que foi arranjada pelo violinista da OSPA Arthur Barbosa, são de Umabel. 

    Participam ainda nomes consagrados como Lucio Yanel, um dos pilares do violão solista na música sulina; Ernesto Fagundes e Neto Fagundes, representantes de uma linhagem que mantém viva a tradição do Pampa em diálogo com a contemporaneidade; Shana Müller, uma das principais vozes femininas da música regional e latino-americana; Érlon Péricles, compositor de destaque e autor recorrente dos temas dos Festejos Farroupilhas; Patrício Maicá, herdeiro artístico de Cenair Maicá; Laura Guarany, intérprete da tradição missioneira e da herança de Noel Guarany; Lincon Ramos, gaiteiro, cantor e multi-instrumentista com três décadas de atuação; e Angelo Franco, cantor e compositor com mais de seiscentas músicas gravadas e trajetória marcada pela integração cultural missioneira.

    O espetáculo está estruturado em três partes temáticas: “Parte I – O Grito e a Resistência”, que evoca o trabalho de Pedro Ortaça na preservação da tradição; “Parte II – A Alma, o Verso e a Mística”, que ressalta o lirismo do cancioneiro regional, incluindo o poema campeiro “Bochincho”, de Jayme Caetano Braun; a “Parte III – Legado, União e Fronteiras” reafirma os laços entre passado e presente com obras como Veterano (Antônio Augusto Ferreira / Ewerton Ferreira) e Milonga para as Missões (Gilberto Monteiro); e o encerramento traz de volta ao palco todos os artistas convidados para interpretar o emocionante “Canto dos Livres” (Cenair Maicá). “É um repertório que fala das músicas da região das Missões, mas também como isso se espalhou pelo Rio Grande do Sul e formou a nossa cultura de música tradicional gaúcha”, pontua o diretor artístico da OSPA.

    Programação 400 Anos das Missões – O concerto da OSPA integra o conjunto de ações orientado pelo Decreto nº 57.369/2023, que institui 2026 como o ano oficial das Missões. O calendário comemorativo do governo estadual valoriza o patrimônio histórico e cultural das Missões Jesuíticas Guaranis, fundadas em 1626, enquanto promove o desenvolvimento sustentável da região.

    Serviço 

    Concerto especial da Ospa celebra os 400 Anos das Missões Jesuíticas Guaranis

    Quando: Sexta-feira (13/3), às 20h

    Onde: Complexo Cultural Casa da Ospa (Caff – Av. Borges de Medeiros, 1.501, Porto Alegre, RS)

    Ingressos: De R$ 15 a R$ 70, na bilheteria do Complexo Cultural Casa da Ospa no dia do concerto, das 15h às 20h

    Descontos: Ingresso solidário (com doação de 1kg de alimento), clientes Banrisul, Amigo Ospa, associados AAMAC RS, sócio do Clube do Assinante RBS, idoso, doador de  sangue, pessoa com deficiência e acompanhante, estudante, jovem até 15 anos e ID Jovem

    Estacionamento: Gratuito, no local

    Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 6 anos

    Transmissão ao vivo: A partir das 20h, no canal da Ospa no YouTube
    O evento disponibiliza medidas de acessibilidade.

  • Atrasadas e mais caras, obras no Centro Histórico chegam ao fim

    Atrasadas e mais caras, obras no Centro Histórico chegam ao fim

    As três maiores obras no Centro Histórico de Porto Alegre acumulam atrasos que causam prejuízo de R$ 26,5 milhões.

    A Usina do Gasômetro, símbolo da cidade, ficou 12 anos fechada. O custo da reforma, estimado em R$ 12,5 milhões no edital de 26 de agosto de 2019, acabou em 25,9 milhões no final das obras em 2025. Ainda não foi entregue ao público.

    Um convênio entre o Governo Federal, dono do prédio, e a prefeitura de Porto Alegre foi firmado na semana passada, definindo as normas para ocupação e uso do espaço de 10 mil metros quadrados, com instalações para cinema, teatro, serviços, exposições, eventos.

    Aguarda-se um edital de parceria público-privada (PPP), para escolher a empresa que vai gerir o maior espaço cultural do Estado. Para atrair interessados, a prefeitura oferece um “aporte público” de R$ 7,5 milhões na fase de implantação do projeto. O contrato deve visar à ativação, operação e manutenção da usina ao longo dos 20 anos e o parceiro privado poderá explorar economicamente a usina por meio de eventos culturais, oficinas e gastronomia.

    Viaduto Otávio Rocha

    Escadarias do passeio Primavera foram liberadas para o público. Foto: Pedro Piegas/PMPA

    Prevista para durar 18 meses e ser concluída em maio de 2024, a revitalização do Viaduto Otávio Rocha, na Borges de Medeiros, ainda não terminou e já custou R$ 6 milhões a mais do orçado inicialmente. Saiu de R$ 13,7 milhões para R$ 19,7 milhões.

    Nesta sexta-feira, 6 de março, as escadarias do Passeio Primavera do viaduto – sentido rua Duque de Caxias/rua Fernando Machado – foram liberadas ao público.

    Obras no viaduto Otávio Rocha atrasaram dois anos. Foto/JÁ

    A obra de recuperação estrutural e de revitalização do espaço, com 9.500 metros quadrados, está concluída. 

    Conforme a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi), restam pequenos reparos no revestimento em cirex (um tipo de argamassa decorativa), arremates de pintura, limpeza geral dos espaços e desmobilização da obra. Até o final do mês estará tudo pronto, garante a Prefeitura.

    Revitalização do Quadrilátero Central

    Entregue há quatro dias pela Prefeitura, a revitalização do Quadrilátero Central custou 54% a mais do valor inicialmente projetado e com um atraso de quase dois anos. A Prefeitura anunciou um investimento inicial de R$12,7 milhões, gastou R$19,8.

    A ‘nova’ Rua dos Andradas faz parte das obras no Quadrilátero Central. Foto: Alex Rocha/PMPA

    “Essa é uma obra muito importante e um marco para a cidade. Melhoramos a caminhabilidade, a segurança, o que se reflete no movimento do comércio. A revitalização faz parte de uma série de investimentos que estão e continuarão sendo feitos no centro histórico”, destaca o secretário da Smoi, André Flores.

    O trabalho foi realizado em 16 mil metros quadrados de calçada e em 2,5 quilômetros de via. As intervenções aconteceram nas avenidas Otávio Rocha e Borges de Medeiros; e nas ruas General Vitorino, Voluntários da Pátria, Marechal Floriano Peixoto, Vigário José Inácio, Doutor Flores, Andradas e Uruguai.

    Seis toneladas e meia de concreto para colocar 128 esferas no passeio. A maioria já foi retirada do local. Foto/JÁ

    Foram executadas ao todo 11 frentes de trabalho. Não sem polêmicas – como a das esferas de concreto que foram colocadas no Largo Glênio Peres. Seis toneladas e meia de cimento foram utilizadas para a confecção das 128 esferas (52 quilos cada uma). Elas serviriam para delimitar o espaço de circulação e impedir que carros estacionem em áreas de pedestres ou próximas às fontes d’água do largo. Mas a instalação gerou críticas devido aos impactos na acessibilidade e chegou a atrapalhar o corpo de bombeiros no atendimento a um incêndio em um prédio próximo. Grande parte das esferas já foi retirada do local.

    A Prefeitura justifica que o atraso nas obras se deu por conta da enchente de 2024, e problemas nas estruturas subterrâneas.