Autor: da Redação

  • Copa das Bets: MP investiga publicidade abusiva e omissão do governo

    Copa das Bets: MP investiga publicidade abusiva e omissão do governo

    O Ministério Público Federal (MPF) está investigando se há omissão do governo federal na fiscalização de anúncios de apostas durante a Copa do Mundo de 2026. O inquérito foi motivado por denúncias de “publicidade abusiva” em canais de streaming, foca nos seguintes pontos:

    • Narrativas enganosas: Comentários sugerindo palpites (testemunhal) e garantias de ganho fácil.
    • Promoções agressivas: Ofertas de “segunda chance” e “odds turbinadas”.
    • Falta de avisos: Ausência de alertas sobre riscos financeiros e dependência.

    O Conar suspendeu anúncios testemunhais de marcas como Bet365 e Betnacional, enquanto a Senacon e o Ministério da Fazenda exigiram explicações.

    O mercado estima um investimento superior a R$ 2 bilhões em patrocínios e mídia por parte das casas de apostas.

    O inquérito civil público do Ministério Público Federal (MPF) para investigar a omissão e falta de fiscalização do governo federal sobre a publicidade de plataformas de apostas online (bets) foi instaurado em 3 de julho de 2026.

    O expediente está tramitando na Procuradoria da República no Distrito Federal (PRDF), em Brasília. focando no cumprimento da Lei nº 14.790/2023 para proteger o consumidor.

    A investigação começou após denúncias de publicidades agressivas e direcionadas a públicos vulneráveis (como crianças e adolescentes) durante as transmissões da Copa do Mundo de 2026 pela CazéTV.

    O MPF do DF expediu pedidos de informações para a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, o Banco Central, a Senacon (Ministério da Justiça) e o Conar.

  • “Copa das Bets”: a eliminação do Brasil   e seu efeito no mercado de apostas

    “Copa das Bets”: a eliminação do Brasil e seu efeito no mercado de apostas

    A presença maciça das casas de apostas online fez da Copa do Mundo de 2026 a “Copa das bets”, com bilhões injetados em parcerias oficiais, patrocínios, publicidade e investimento nas transmissões

     A própria Fifa fechou parceria com plataformas como a Betano, que foi nomeada apoiadora oficial do torneio para a América do Sul e Europa, garantindo a presença da marca em todas as seleções e entrevistas.

    As plataformas de apostas (como Bet365, Betnacional e KTO)  dominaram as cotas de patrocínio, chegando a injetar até R$ 2 bilhões de reais em canais de TV.

    Em jogos da Seleção, chegaram a ser contabilizados mais de 20 anúncios, com destaque para a CazéTV (10 inserções), SBT (6) e Globo (5). O setor consolidou-se como o maior investidor privado em mídia esportiva no Brasil.

    A influência foi tanta que narradores e comentaristas passaram a incentivar palpites em tempo real, gerando inclusive investigações do Ministério Público Federal sobre os limites da publicidade.

    O assunto extrapolou para o campo da saúde pública e das finanças, pois a facilidade para jogar através de smartphones atua como um gatilho para o vício e o endividamento de famílias.

    A eliminação precoce da Seleção Brasileira nas oitavas de final altera o ecossistema de apostas do Brasil.

    Especialistas e operadoras de mercado apontam que os jogos da Seleção são responsáveis por atrair o chamado “apostador recreativo” (aquele que joga apenas por emoção ou engajamento social).

    Um levantamento da fintech Klavi, publicado pela Folha, apontou que a parcela de brasileiros que enviou dinheiro para as bets triplicou durante a Copa, atingindo 34,8% da população, com depósitos médios subindo para R$ 272 nos dias de jogos decisivos. Sem o Brasil no torneio, esse público recreativo deixa de injetar dinheiro novo nas plataformas.

    Projeta-se que o volume total transacionado em solo brasileiro nas fases de quartas, semifinal e final caia entre 40% e 50% em comparação com o cenário onde o Brasil avançaria até as finais.

    Embora o volume total caia, o interesse não zera. O mercado passa a ser dominado pelos apostadores regulares ou profissionais. O foco sai do “patriotismo” e migra para jogos de grande apelo técnico.

    Os mercados de longo prazo (como “Quem será o campeão?” ou “Quem será o artilheiro?”) sofrem uma forte “recalibragem de odds”, já que o Brasil figurava entre os favoritos antes do início do torneio.

    Grande parte do volume das apostas em tempo real (live betting) ocorre devido aos picos de audiência em plataformas interativas de streaming. Com a eliminação da Seleção, a audiência do público brasileiro tende a diminuir de forma expressiva nos jogos restantes, reduzindo diretamente os palpites de impulso — como apostar em quem fará o próximo gol ou quantos escanteios acontecerão nos minutos finais.

  • Eleições 2026: frente de servidores pode ser decisiva na disputa estadual

    Eleições 2026: frente de servidores pode ser decisiva na disputa estadual

    “Ninguém ganha eleição só com o funcionalismo, mas ninguém ganha eleição contra o funcionalismo”

    A frase, atribuída a Pedro Simon, define o dilema do governo Eduardo Leite que, no início de um ano eleitoral, vê se formar uma frente de servidores com uma pauta de reivindicações que ele não pode atender.

    Leite não é candidato, mas seu vice, Gabriel Souza, é o candidato à sucessão de um governo que o funcionalismo deplora. Qual vai ser o resultado eleitoral disso?                                    

    De acordo com o Relatório de Pessoal do Tesouro do Estado, o quadro de funcionários do serviço público estadual é composto por cerca de 358,7 mil vínculos (considerando que um servidor pode acumular mais de uma vaga, como professores).

    Se contar seus dependentes diretos chega a um milhão de pessoas, num universo de 8,5 milhões de eleitores gaúchos.

    Numericamente seria decisivo em qualquer eleição se não fosse um universo fragmentado.

    A escolha do voto costuma se dividir de acordo com o setor da carreira: servidores da Educação e Saúde alinham-se eitoralmente à partidos de esquerda e centro-esquerda (como PT, PCdoB, PSOL e PDT). Segurança e Judiciário tendem a um alinhamento maior com partidos de direita e centro-direita (como PL, PP, Republicanos e MDB). Pautas ligadas à segurança pública e à preservação de privilégios corporativos aproximam esses servidores de discursos conservadores e liberais na economia.

    O funcionalismo gaúcho raramente se une em torno de uma ideologia política comum, mas demonstra forte unidade e poder de pressão quando pautas salariais ou de direitos trabalhistas entram em jogo.

    Nesses momentos, frentes amplas se alinham e podem decidir uma eleição. Depois da Copa esse movimento tende a ficar mais visível.

  • Servidores acumulam forças para influir na eleição do próximo governador

    Servidores acumulam forças para influir na eleição do próximo governador

    Dois protestos se juntaram nesta terça-feira, 30/06, na Praça da Matriz, em frente à sede do governo gaúcho e da Assembléia Legislativa, sinalizando o que vem pela frente no ano eleitoral.

    Uma marcha organizada pelas centrais sindicais pelo fim da escala 6 x 1 percorreu as ruas do centro, a partir da avenida Mauá  e se juntou à manifestação dos servidores públicos na frente do Palácio Piratini.

    Apesar do frio intenso e da “ressaca” da vitória do Brasil na Copa do Mundo, cerca de 1.500 pessoas participaram do evento, segundo estimativa dos organizadores.

    As centrais sindicais pressionam pela aprovação da redução da jornada de trabalho, em votação no senado.

    Os sindicatos e entidades dos servidores públicos estaduais querem reposição salarial, data base para reajuste anual e fim do desconto previdenciário para aposentados.

    As lideranças dos servidores sabem que o governo Leite não vai atender suas reivindicações, mas acumulam forças para influir na eleição do próximo governo.

    A defasagem salarial alegada pelas entidades do funcionalismo público gaúcho chega 77%, em perdas acumuladas pela inflação no período entre 2014 e 2024, de acordo com estudos do DIEESE.

    Os servidores apontam que, nos últimos dez anos, o governo estadual concedeu apenas uma revisão geral de 6% (em 2022). Diante disso, o restante do poder de compra foi totalmente corroído pelo avanço da inflação medida pelo INPC/IBGE.

    Como o governo do Estado não incluiu a recomposição na peça orçamentária, as mais de 30 entidades integradas ao Movimento pela Valorização dos Servidores Públicos (Movape) cobram índices emergenciais imediatos.

    A pauta geral exige uma reposição imediata de 12,14% a 15,2% para corrigir fatias recentes dessas perdas.

    Algumas frentes específicas alegam defasagens diferentes devido a reestruturações internas. É o caso dos servidores do Judiciário estadual (Sindjus-RS), que protestam por uma recomposição específica de 17,8% para equiparar seus vencimentos à média de outros tribunais do país.

    O principal argumento técnico dos manifestantes é que o reajuste pleiteado não infringe a Lei de Responsabilidade Fiscal, pois visa apenas recompor o valor que o salário já perdeu para o custo de vida real.

  • Graça Craidy participa da Mostra de Artes Visuais do MST em São Paulo

    Graça Craidy participa da Mostra de Artes Visuais do MST em São Paulo

    A artista gaúcha Graça Craidy está presente na Mostra de Artes Visuais promovida pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema (SP).

    A mostra, com curadoria de Daniela Castro, foi aberta na sexta-feira passada, 26/06, e se estende até sábado, dia 4 de julho.

    Graça apresenta a pintura “Terra Adorada”, inspirada em uma foto de Sebastião Salgado. Na imagem, um grande grupo de sem-terra aparece em postura de reivindicação, empunhando instrumentos como foices e enxadas e também com punhos cerrados.

    A obra (acrílica sobre papel, 59 cm x 84 cm) estará exposta junto com trabalhos de artistas visuais que fortalecem a luta, a cultura e a arte. 

    O Coletivo de Cultura do MST convocou artistas do próprio movimento e estendeu o convite a criadores simpatizantes da reforma agrária. “É com imensa alegria que participo” disse a artista visual gaúcha. 

    A intenção da atividade é fortalecer, segundo o MST, o trabalho voltado às artes visuais que já vem sendo realizado a um tempo em territórios e espaços do Movimento, além de aprofundar a compreensão sobre os fundamentos e a concepção de artes visuais na luta de classes.

    O evento faz parte do I Encontro Nacional de Artes Visuais do Movimento e transforma o espaço da escola em uma grande galeria viva.

  • Ato unificado tem mais de 30 sindicatos de servidores civis e militares na pressão ao governo Eduardo Leite

    Ato unificado tem mais de 30 sindicatos de servidores civis e militares na pressão ao governo Eduardo Leite

    Mais de 30 sindicatos e associações de servidores públicos do Estado estão unidos na manifestação  desta terça-feira, 30/06, que marca o inicio de um amplo movimento articulado para pressionar o governo no ano eleitoral.

    O ato unifica servidores ativos, aposentados e pensionistas civis e militares.

    As principais reivindicações do movimento incluem:

    -Extinção imediata do desconto de contribuição previdenciária cobrado sobre os vencimentos de aposentados, pensionistas e militares da reserva.

    -Aprovação, pela Assembléia, da PEC institui o dia 1º de março como data-base fixa para a recomposição salarial anual dos servidores públicos estaduais.

    • Revisão geral dos vencimentos para recuperar o poder de compra corroído pela inflação acumulada.
    • Contra o sucatecimento do IPE e exigem melhorias na assistência médica oferecida pelo instituto.

    A programação divulgada pelas entidades prevê uma concentração inicial às 9h em frente ao prédio do IPE Saúde, na Avenida Borges de Medeiros, seguida de uma caminhada até a Praça da Matriz, para a realização do ato principal em frente ao Palácio Piratini.

    A manifestação conta com o envolvimento de mais de 30 entidades representativas. Como o protesto reúne servidores civis e militares de diversas áreas (educação, saúde, segurança e administração), ele é organizado através do Movape (Movimento pelo Fim do Desconto dos Aposentados, Pensionistas e Militares da Reserva) e do Fórum das Entidades.

    Entre os principais sindicatos e associações envolvidos na mobilização de 30 de junho, destacam-se:

    • Sintergs: Sindicato dos Servidores de Nível Superior do RS.
    • Sindicaixa: Sindicato dos Servidores da Caixa Econômica Estadual (que abrange servidores de autarquias e secretarias).
    • Fessergs: Federação Sindical dos Servidores Públicos no RS.
    • Sindispge: Sindicato dos Servidores da Procuradoria-Geral do Estado do RS.
    • Sindsepers: Sindicato dos Servidores Públicos do RS.
    • Sindjus: Sindicato dos Servidores da Justiça do RS (que cede espaço para as reuniões de articulação do movimento).

    CPERS Sindicato: Sindicato dos Professores e Funcionários de Escola do RS.

    Simers: Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (que também realiza paralisações na Atenção Básica na mesma data).

    Associação dos Delegados de Polícia do RS.

    Associação dos Sargentos, Subtenentes e Tenentes da Brigada Militar e Bombeiros Militares.

    Associação de Cabos e Soldados da Brigada Militar e Bombeiros Militares.

    Associação de Praças da Brigada Militar do RS.

    Federação das Entidades de Oficiais e Praças da BM e Bombeiros.

    Essa forte união entre civis e militares reflete o impacto unificado do desconto previdenciário sobre todas as categorias de aposentados do Estado.

  • Brasil já tem mais de 8 mil variedades no Banco Mundial de Sementes

    Brasil já tem mais de 8 mil variedades no Banco Mundial de Sementes

    Objetivo é garantir a diversidade vegetal e alimentos em situação de catástrofe, mas o local já sentiu os efeitos do aquecimento climático em 2016

    Márcia Turcato

    Paiol do fim do mu ndo ou arca de Noé dos vegetais são alguns dos apelidos do Banco Mundial de Sementes, localizado no arquipélago noruegues de Svalbard, onde o frio ártico garante a preservação das espécies.

    Neste lugar remoto do círculo polar estão armazenadas mais de um milhão de amostras de sementes de cerca de cinco mil espécies de plantas de todo o planeta e que são reservas estratégicas das nações no caso de um colapso global de safras causado por guerra ou alteração no clima.

    O banco de sementes foi inaugurado em 2008, resultado de uma parceria de longo prazo entre o governo norueguês, por intermédio do NordGen, e a organização não governamental Crop Trust.

    Ele foi projetado para preservar as sementes por milhares de anos a uma temperatura constante de -18° C. O objetivo do banco é o de proteger as sementes da extinção e garantir a segurança alimentar da humanidade. 

    O cofre, localizado na ilha de Spitsbergen, no arquipélago de Svalbard, conserva atualmente cerca de 1,38 milhão de amostras de sementes de mais de 5 mil espécies, originárias de 223 países e territórios.

    Brasil enviou sua primeira remessa de sementes para o Banco Mundial em 2012. Em 2025, foi nova remessa com o envio de 1.351 amostras de arroz e 1.350 de feijão.

    Neste junho de 2026, o Brasil fez nova contribuição ao banco, com 24 acessos, incluindo caju (2), fava (7), amendoim (4), mamona (3) e gergelim (8), vão se somar aos 8.125 já depositados pela Embrapa no silo norueguês.

    A Embrapa mantém um banco genético com cerca de 130 mil amostras de sementes, além de microrganismos, sêmen e embriões de animais, que formam o maior banco de recurso genético da América Latina e o quinto maior do mundo. 

    O Banco Mundial de Sementes tem capacidade para 4,5 milhões de amostras de sementes e o clima glacial do Ártico garante que, mesmo se houver falha no suprimento de energia elétrica das câmaras, as amostras sobrevivam. As câmaras são abertas apenas três vezes durante o ano para não impactar as sementes. A baixa temperatura e a umidade garantem a pouca atividade metabólica das sementes, mantendo a sua capacidade de germinação por séculos. 

    O biólogo Marcos Aparecido Gimenes, coordenador técnico do Sistema de Curadorias de Germoplasma da Embrapa, em Brasília, especialista em genética de plantas, explica que o Brasil aderiu à estratégia do Banco Mundial “porque ela funciona como uma espécie de seguro global da biodiversidade agrícola” . Ele salienta que “a ideia é manter cópias de segurança das sementes mais importantes do país em um local extremamente protegido, evitando perdas provocadas por desastres naturais, mudanças climáticas, guerras ou falhas nos bancos genéticos nacionais”. 

    No entanto, há outro entendimento sobre essa iniciativa global. A Via Campesina Internacional entende que as sementes são patrimônio da humanidade, e não de governos ou empresas, e que as nações precisam ter soberania alimentar, explica o engenheiro agrônomo Álvaro Delatorre, integrante da diretoria do MST- Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. Ele diz que “o conceito defendido pela Via Campesina é ameaçado pela hegemonia imposta pelo agronegócio”.

    Para o agrônomo Delatorre, “a produção de alimentos é constantemente ameaçada pela crise ambiental e conflitos armados, que provocam aquecimento global e geram enchente, furacão e estiagem prolongada, por exemplo, e tudo isso leva à extinção de espécies da flora e da fauna, além do uso de agrotóxicos agressivos e de problemas sanitários e de saúde humana”. Ou seja, o problema é causado pelas empresas multinacionais do agronegócio, com ou sem o aval dos governos, e o Banco Mundial de Sementes surge como uma estratégia desses mesmos grupos para sobreviver a um colapso global.

    Do ponto de vista da Embrapa, Gimenes conta que “a participação brasileira está alinhada aos compromissos assumidos pelo país em tratados internacionais ligados à conservação da biodiversidade agrícola e que todo material enviado para Svalbard também deve possuir uma duplicata conservada na Colbase da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, que tem condições de conservação equivalente às do banco mundial”.

    Participam da iniciativa em Svalbard governos, instituições de pesquisa e bancos genéticos que optam por armazenar duplicatas de sementes no local. “Muitos países participam, mas a adesão não ocorre automaticamente por fazer parte da ONU (Organização das Nações Unidas)”, explica Gimenes. Na prática, a maior parte dos participantes está vinculada aos acordos internacionais de conservação genética e biodiversidade coordenados pela FAO (órgão da ONU para a agricultura) e outros organismos multilaterais. 

    Sobre a resistência das sementes armazenadas na ilha, frente a alguma catástrofe, Gimenes salienta que “o objetivo do projeto é justamente funcionar como um sistema de segurança para conservação de sementes em cenários extremos”. Ele destaca ainda que “o cofre do Banco Mundial de Sementes é administrado em parceria pelo governo da Noruega, pelo NordGen- Centro Nórdico de Recursos Genéticos- e pelo Crop Trust.Trata-se de uma cooperação internacional e não de uma empresa privada”.

    O agrônomo Delatorre acredita que o Banco Mundial de Sementes, como estratégia global, talvez consiga garantir a reprodução das espécies em caso de catástrofe ambiental, “mas a questão é a quem interessa essas estratégias, quem irá se beneficiar. Se esses protagonistas da estratégia estivessem mesmo interessados em salvar a humanidade do colapso da fome, deveriam se preocupar com as 800 milhões de pessoas que passam fome no planeta”. 

    A Síria foi a primeira vítima da guerra a recorrer ao Banco Mundial. A primeira retirada de sementes do Banco Mundial aconteceu em 2015, quando o banco genético da cidade de Aleppo foi bombardeado durante um conflito civil. Foi então que pesquisadores solicitaram exemplares de trigo, cevada e grama para dar continuidade às suas pesquisas e garantir o futuro alimentar da população. A crise na Síria, no entanto, não está resolvida, frente aos constantes bombardeios do governo Israel sob pretexto de combater terroristas. 

    Arquipélago Svalbard

    As ilhas de Svalbard já foram consideradas como “terra de ninguém” e durante vários séculos eram visitadas somente por pescadores de baleias e caçadores. O arquipélago foi incorporado à Noruega em 1925 pelo Tratado de Svalbard, assinado em Paris. A região ficou sob a soberania norueguesa, mas sujeita a um regime especial de acesso aos seus recursos naturais pela comunidade internacional.

    Svalbard tem um clima muito frio e não possui uma população originária e permanente, mas registra cerca de três mil moradores temporários, principalmente noruegueses e russos. Em algumas ilhas do arquipélago ainda ocorre extração de carvão, principalmente realizada por mineradores russos. 

    Mesmo fazendo parte do círculo polar ártico, em outubro de 2016 o futuro do Banco Mundial de Sementes foi ameaçado pelo aquecimento climático. Temperaturas excepcionalmente altas no Ártico provocaram fortes chuvas e derretimento do gelo de Svalbard, resultando na entrada de água no túnel de acesso à câmara do banco. Apesar do banco e das sementes não terem sido afetadas, o governo da Noruega precisou reforçar as paredes da estrutura, confirmando que o aquecimento global é um fato irreversível e que atinge até mesmo as regiões mais geladas do planeta.

  • Governo Leite adia por um mês leilão das 98 escolas que terão gestão privada

    Governo Leite adia por um mês leilão das 98 escolas que terão gestão privada

    Tem nova data o leilão de 98 escolas da rede pública do Rio Grande do Sul que serão entregues à gestão de empresas privadas. Estava marcado para esta sexta-feira, 26/06, foi adiado, segundo o governo a pedido de “potenciais participantes do certame”.

    É possível também que tenha influído no adiamento o expediente aberto na Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público para “investigar a modelagem técnica, os custos e a proteção do interesse público na parceria”, respondendo a contestações enviadas pela oposição e sindicatos.

    Em todo caso, a nova data para entrega das propostas pelas empresas é 16 de julho. O leilão acontecerá no dia 23 na sede da Bolsa de Valores, em São Paulo.

    A proposta do governo Eduardo Leite é transferir para empresas privadas todos os serviços escolares que não sejam do campo pedagógico – zeladoria, manutenção, merenda, segurança, reformas. Um total de R$ 4,5 bilhões serão repassados às empresas ao final de 25 anos de contrato, segundo as estimativas do projeto. Um negócio de R$ 180 milhões por ano, quase R$ 2 milhões anuais por escola.

    O plano alcança 15 municípios gaúchos (incluindo Porto Alegre, Santa Maria e Pelotas), focando em escolas de maior vulnerabilidade social e afetadas pelas enchentes de 2024.

    O projeto foi apresentado oficialmente pelo governador Eduardo Leite em setembro de 2022, com o lançamento da consulta pública para a modelagem da “Parceria Público-Privada (PPP) da Gestão de Estrutura Escolar”.

    O Rio Grande do Sul possui cerca de 2,3 mil escolas estaduais.

     O governo selecionou essas unidades para um projeto-piloto. Elas representam cerca de 4% da rede estadual

    O lote de 98 escolas foi dividido em três blocos regionais no edital, permitindo que diferentes empresas ou consórcios disputem fatias específicas do contrato bilionário:

    • Lote 1 (Região Metropolitana e Porto Alegre): Concentra o maior volume de alunos e abrange a capital e cidades vizinhas de grande porte, fortemente visadas pelas empresas.
    • Lote 2 (Região Norte/Vales): Inclui municípios populosos do interior e da região do Vale do Sinos (como Novo Hamburgo e Canoas).
    • Lote 3 (Região Sul): Engloba municípios como Pelotas e Rio Grande.

    Não serão três leilões separados, mas sim um único evento na Bolsa de Valores (B3) dividido em três rodadas subsequentes, e uma única empresa ou consórcio pode arrematar todos os três lotes.

    Em audiência pública na Assembleia esta semana o projeto foi fortemente questionado. Parlamentares da oposição ressaltaram que o programa estadual Agiliza — que envia verba direta para os diretores consertarem as escolas — já funciona bem. Houve questionamentos jurídicos severos sobre a autonomia de fiscalização, levantando o receio de que as próprias concessionárias subcontratem agentes para auditar seus serviços.

    A Secretaria de Educação afirma que, ao transferir a zeladoria, limpeza, merenda, segurança e reformas para a concessionária, os diretores e professores ficam 100% livres para focar no aprendizado dos alunos.

    O Estado assegura que não há privatização do ensino; o corpo docente continua totalmente composto por servidores públicos de carreira, mantendo a gratuidade.

    A resistência é liderada pelos professores da rede pública através do CPERS Sindicato, contando com deputados de oposição, associações de pais, sindicatos e entidades estudantis.

    O sindicato anunciou que acionará o Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir o leilão.

    Comunidades escolares relataram medo de perder o controle sobre a rotina da escola. Funcionários de limpeza, merenda e portaria passarão a ser geridos por terceirizadas, quebrando o vínculo comunitário com os estudantes.

    Pais e funcionários terceirizados atuais temem demissões em massa nas escolas afetadas, além do receio de que a entrada do setor privado abra precedentes para a precarização ou cobrança velada de taxas futuras.

  • Terremotos que atingiram Venezuela são os maiores e foram sentidos em Belém e Manaus

    Terremotos que atingiram Venezuela são os maiores e foram sentidos em Belém e Manaus

    Dois fortes terremotos consecutivos  de magnitude 7,2 e 7,5 e intervalo de 39 segundos atingiram a região centro-norte da Venezuela  no início da noite desta quarta-feira, 24 de junho de 2026.

    Por terem sido superficiais (entre 10 km e 22 km de profundidade), causaram destruição severa e pânico generalizado. Foram descritos por um sismólogo como “devastadores”. São os maiores desde 1812, quando um grande terremoto destruir parcialmente Caracas.

    O epicentro foi no estado de Yaracuy (próximo a Yumare e San Felipe), mas o impacto foi sentido com força em vários estados e em países vizinhos.

    Localizada a quase 300 km do epicentro, a capital Caracas sofreu graves impactos estruturais. Vários edifícios e casas desabaram por completo, especialmente nos bairros de Altamira, Chacao e Los Palos Grandes.

    Prédios comerciais (incluindo um banco) vieram abaixo, fachadas ruíram e nuvens de poeira cobriram bairros inteiros.

    O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) emitiu um alerta  projetando que o número de mortes pode ser extremamente alto (com probabilidade significativa de ficar em mais de dez mil mortes e os prejuízos econômicos podem ultrapassar 10 bilhões de dólares.

    Até o momento, equipes de resgate buscam sobreviventes presos sob os escombros.

    O Aeroporto Internacional Simón Bolívar em Caracas foi danificado e teve todos os voos suspensos. O governo ordenou o corte emergencial do fornecimento de gás encanado em Caracas para evitar explosões e incêndios nos prédios colapsados.

    Os tremores foram tão fortes que balançaram prédios em Bogotá (Colômbia) e foram nitidamente sentidos no norte do Brasil, com relatos de moradores em Manaus e Belém.

    A Venezuela está posicionada sobre a complexa zona de fronteira entre a Placa Tectônica do Caribe e a Placa Sul-Americana.

    Cerca de 80% da população do país vive em áreas de alto risco sísmico. Históricamente, o país já enfrentou outros grandes desastres:

    O Terremoto de Caracas (1967): De magnitude 6.6, atingiu exatamente as mesmas áreas (Altamira e Los Palos Grandes), deixando cerca de 300 mortos e mais de 1.500 feridos.

    Idosos que testemunharam o terremoto de 1967, relataram que que este agora foi consideravelmente pior.

    Em 1997, outro forte abalo que causou graves destruições no nordeste do país. Em 2018, o Terremoto de Sucre (2018) teve magnitude de 7,3. Na ocasião, embora tenha assustado e sido sentido em dez países (incluindo o Brasil), seu foco foi muito mais profundo, o que evitou colapsos de prédios e mortes em grande escala.

    O mais antigo registrado é de 1812, que destruiu grande parte de Caracas e outras cidades importantes, sendo um dos mais letais da história do país.

    O especialistas descartam relação dos terremotos com o fenômeno do El Niño ou as mudanças climáticas. Os terremotos, explicam,  são fenômenos puramente geológicos que ocorrem a quilômetros de profundidade na crosta terrestre, movidos pelo calor interno da Terra, enquanto o clima e o El Niño operam na atmosfera e na superfície dos oceanos.



  • Porto Alegre: subsídio ao transporte coletivo soma R$ 1 bilhão em seis anos 

    Porto Alegre: subsídio ao transporte coletivo soma R$ 1 bilhão em seis anos 

    Desde 2020, quando começaram os  subsídios, as empresas concessionárias do transporte coletivo já receberam mais de um bilhão de reais da Prefeitura de Porto Alegre. Os dados constam de relatórios oficiais.

    O primeiro repasse, de R$ 39 milhões foi feito de forma emergencial, para cobrir as perdas com a pandemia.

    No ano seguinte, os subsídios foram regulamentados pela Câmara de Vereadores e, desde então, o prefeito decide através de decreto.

    Em 2026, estão previstos R$ 250 milhões, o mesmo valor do ano passado.

    O objetivo do subsídio é manter o preço acessível, preservando o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos, de modo que a qualidade dos serviços também seja mantida.

    Na avaliação dos usuários, o subsídio está segurando certa estabilidade do preço (sem ele a tarifa atual, de R$ 5,30, passaria a R$ 7,35, segundo a prefeitura), mas no quesito da qualidade está longe de satisfatório.

     Na pesquisa periódica da própria prefeitura, a nota para a qualidade dos serviços nos últimos dois anos, ganhou nota 5,7, numa escala de 0 a 10.   

    Evolução Anual dos Subsídios

    • 2020: R$ 39 milhões.
    • 2021: R$ 108 milhões.
    • 2022: R$ 115 a R$ 122 milhões.
    • 2023: R$ 137 milhões.
    • 2024: R$ 180 milhões.
    • 2025: R$ 250 milhões.
    • 2026: R$ 250 milhões

    Total: R$ 1.084 bi

    Em 2024, o valor saltou pelas enchentes.


    Preço da Passagem (Valor pago pelo usuário)

    • 2020: R$ 4,70
    • 2021: R$ 4,80
    • 2022: R$ 4,80
    • 2023: R$ 4,80
    • 2024: R$ 4,80
    • 2025: R$ 5,00
    • 2026: R$ 5,30 (desde fevereiro)