Autor: da Redação

  • Grupo de pessoas velhas e ativas lança  movimento por direitos, arte e alegria

    Grupo de pessoas velhas e ativas lança movimento por direitos, arte e alegria

    Em Porto Alegre, a capital brasileira mais envelhecida, será lançado o Movimento da Velharada Rebelde (MOVER) dia 18 de junho, às 18 horas, na Casa Alice (Olavo Bilac, 188.).

    A cidade tem o impressionante índice de envelhecimento de 137 idosos para cada 100 crianças até 14 anos de idade (veja quadro abaixo), uma realidade inédita (34,3% têm mais de 50 anos) repleta de consequências e novas demandas.

    A criação do MOVER será apresentada publicamente à cidade no domingo, 21 de junho, às 11 horas, em ato junto ao Monumento do Expedicionário, no Parque da Redenção.

    “Queremos respeito, queremos direitos, queremos arte, queremos alegria. Porque a alegria é revolucionária!”, diz a jornalista Rosina Duarte, da Casa Alice e uma das organizadoras do movimento. “Vem fazer parte!”, convida.

    O lançamento na Casa Alice terá entrada franca.

  • Oficiais de Justiça promovem debate sobre feminicídio e proteção a mulheres

    Oficiais de Justiça promovem debate sobre feminicídio e proteção a mulheres

    A Associação dos Oficiais de Justiça do TJRS reunirá especialistas para discutir medidas que tornem mais eficaz a proteção às mulheres vitimas de violência. Será no Sindibancários, em Porto Alegre, nesta sexta-feira 19.

    Encontro da Abojeris integra a campanha “Por uma Justiça que Chegue a Tempo” e reunirá especialistas, no SindBancários, para discutir medidas que tornem mais eficaz a proteção às vítimas de violência

    “Diálogos sobre Feminicídio e Proteção às Mulheres – O que precisa mudar para a proteção chegar antes?” é uma atividade promovida pelos Oficiais e Oficialas de Justiça do TJRS, por meio da Associação dos Oficiais de Justiça do Rio Grande do Sul (Abojeris), no dia 19 de junho, das 13h30 às 17h, no Auditório do SindBancários, no Centro de Porto Alegre/RS. O encontro integra a campanha “Por uma Justiça que Chegue a Tempo” e reunirá profissionais com reconhecida atuação no enfrentamento à violência doméstica, proteção às mulheres e saúde mental, para discutir medidas que tornem mais eficazes os mecanismos de proteção às vítimas de violência. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo link: https://bit.ly/dialogos-feminicídio

    As palestrantes convidadas são: Taís Culau de Barros, juíza de Direito do 2º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Porto Alegre; Ivana Battaglin, promotora de Justiça e coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (CAOEVCM), do Ministério Público do RS; Waleska Aline Viana de Alvarenga, delegada de Polícia da PCRS e diretora da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher; e Mariana Gonçalves Boeckel, doutora em Psicologia e professora da UFCSPA.

    O aumento dos feminicídios no Rio Grande do Sul e os desafios para garantir que as medidas protetivas cheguem rapidamente às mulheres em situação de risco estarão no centro do encontro. A campanha “Por uma Justiça que Chegue a Tempo”, foi lançada pela Abojeris para estimular o debate público, qualificar a categoria e contribuir com a construção de propostas voltadas ao aprimoramento dos fluxos de proteção às mulheres vítimas de violência. A campanha passou também a contar com a adesão institucional do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), reforçando a importância da atuação conjunta no enfrentamento ao feminicídio.

    Dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP/RS) apontam que o Estado registrou 24 vítimas de feminicídio no primeiro trimestre de 2026, um crescimento de 50% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 16 casos. Conforme dados da SSP/RS, atualizados em junho, o Rio Grande do Sul já contabilizava 36 vítimas de feminicídio consumado em 2026. O cenário reforça a necessidade de integração entre as instituições e de aperfeiçoamento permanente dos procedimentos de proteção.

    A iniciativa da campanha partiu da experiência concreta dos próprios Oficiais e Oficialas de Justiça, profissionais responsáveis pelo cumprimento das medidas protetivas determinadas pelo Poder Judiciário e que acompanham diariamente os desafios para transformar decisões judiciais em proteção efetiva. Para a Abojeris, proteger mulheres em situação de risco exige atuação articulada entre Judiciário, Ministério Público, Polícia Civil, Brigada Militar, rede de apoio, serviços especializados e demais instituições envolvidas. O objetivo do encontro é contribuir para identificar pontos de aprimoramento, fortalecer protocolos e acelerar procedimentos, sempre com foco na proteção da vida das mulheres.

    “Os Oficiais de Justiça estão na linha de frente para a efetivação das medidas protetivas. Conhecem a realidade dos mandados, os obstáculos operacionais e a importância da agilidade quando uma mulher está em situação de risco. Queremos contribuir para a construção de soluções que fortaleçam a rede de proteção e ajudem a salvar vidas”, afirma Valdir Bueira, presidente da Abojeris.

    Segundo Helena Veiga, diretora de Comunicação da Abojeris, o evento também é uma oportunidade de valorizar o papel dos Oficiais e Oficialas de Justiça no enfrentamento a um problema que mobiliza toda a sociedade. “A violência contra a mulher exige uma resposta integrada e permanente. A proteção depende de comunicação eficiente, informações corretas, procedimentos bem definidos e articulação entre todos os atores envolvidos. Este encontro foi pensado para promover reflexão, troca de experiências e construção de propostas concretas”, destaca Helena.

    A campanha “Por uma Justiça que Chegue a Tempo” vem mobilizando a categoria e abrindo diálogo com instituições do sistema de proteção. Conforme notícia publicada pelo Correio do Povo, no dia 15 de abril de 2026, a campanha lançada pela Abojeris passou a orientar os trabalhos do grupo criado pelo TJRS para revisar protocolos e fluxos de atendimento às vítimas de violência doméstica.

    Especialistas convidadas

    As profissionais convidadas para o encontro têm reconhecida atuação no enfrentamento à violência doméstica, proteção às mulheres, segurança pública, sistema de justiça e saúde mental.
    Taís Culau de Barros
    Juíza de Direito do 2º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Porto Alegre, com atuação direta na aplicação da Lei Maria da Penha e no julgamento de processos relacionados à violência contra as mulheres.
    Ivana Battaglin
    Promotora de Justiça e coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher (CAOEVCM) do Ministério Público do Rio Grande do Sul. Também coordena a Comissão Permanente de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Copevid).
    Waleska Aline Viana de Alvarenga
    Delegada de Polícia da Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS). Diretora da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher. Especialista em Direito Penal e Processual Penal e professora de cursos preparatórios para concurso público.
    Mariana Gonçalves Boeckel
    Psicóloga, doutora em Psicologia e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), com atuação nas áreas de saúde mental, violência e proteção social.

  • Eleições 2026: comissão vai criar regras para uso da IA na campanha

    Eleições 2026: comissão vai criar regras para uso da IA na campanha

    Márcia Turcato

    Às vésperas da eleição majoritária de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral- TSE criou uma comissão permanente que vai  “sistematizar iniciativas relacionadas ao uso de inteligência artificial (IA) no âmbito da Justiça Eleitoral”.

    “A pergunta central não é se a inteligência artificial influenciará as eleições. Ela já influencia. A questão é saber sob quais regras, com quais controles, em benefício de quem e com que grau de transparência essa influência será exercida”, afirmou o presidente do TSE, Nunes Marques, num encontro  com embaixadores nesta terça feira, em /brasilia. 

    O foco da comissão é o combate à desinformação e à disseminação de notícias falsas, especialmente no contexto das eleições.

    A iniciativa foi formalizada com a Portaria TSE nº 297/2026, assinada pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, no dia três de junho, e publicada no dia nove.

    O grupo de trabalho tem como principal missão elaborar e monitorar um plano para o uso de ferramentas de IA no contexto eleitoral.

    Participam da comissão apenas pessoas do ambiente da justiça eleitoral, mas com autorização para colher contribuições de especialistas convidados. A portaria não fixa o prazo de conclusão dos trabalhos.

    O TSE demorou para reconhecer a importância e o impacto que as tecnologias de informação podem causar.

    Nas eleições de 2018, o TSE delegou a tarefa aos juízes auxiliares que decidiram que “a atuação dos juízes eleitorais deve ser realizada com a menor interferência e que a liberdade de expressão é um direito inafastável”, condenando apenas a ofensa à honra, o anonimato e fatos inverídicos.

    Nem pensaram em manipulação da informação, de imagem e de som, ou na trolagem com o uso de robôs.

    Na eleição de 2022, houve um pequeno avanço. O STF- Supremo Tribunal Federal e o TSE celebraram um acordo para combater as fakes news e divulgar informações sobre o pleito. Na mesma ocasião, firmaram uma parceria com 35 instituições, entre entidades de classe, universidades e empresas de tecnologia para a disseminação correta de informações e o enfrentamento das notícias falsas.

    Mais um passo importante foi dado em agosto de 2025, quando o STF promoveu a capacitação de 26 produtores de conteúdo- influenciadores digitais, como são conhecidos.

    O objetivo da ação foi o de mostrar o papel das instituições públicas no processo eleitoral e como a Corte faz  a sua comunicação nas redes sociais e o enfrentamento à desinformação intencional, as fakes news.

    O encontro recebeu o nome de “Leis e likes: o papel do Judiciário e a influência digital”.

    O presidente da Corte era o ministro Luís Roberto Barroso. Agora, em 2026, ano da eleição majoritária, o presidente do STF é Edson Fachin, e não há nenhuma capacitação prevista para produtores de conteúdo, ou jornalistas.

    O “Lei e likes” também abordou o uso da Inteligência Artificial (IA). Coube ao ministro Luís Roberto Barroso, então presidente do STF, falar sobre o tema.

    Segundo ele, a inteligência artificial representa a quarta revolução industrial e é motivo de preocupação mundial devido a vários riscos, como a perda do controle humano sobre a tecnologia, seu uso bélico, impactos no mercado de trabalho e a propagação de desinformação.

    A necessidade de regular as redes sociais tem mobilizado defensores do tema e opositores, não apenas no Brasil mas no mundo todo.

    A União Europeia tem um escopo de regulação já em uso e que se baseia em muito nas regras criadas em Portugal, Lei dos Serviços Digitais (DSA) e a Lei dos Mercados Digitais (DMA). Os documentos  definem as responsabilidades das plataformas e buscam garantir um ambiente online mais seguro e democrático.

    No Brasil, o Supremo Tribunal Federal tem se manifestado sobre a necessidade de responsabilização das plataformas por conteúdos ilegais, enquanto o Congresso Nacional discute projetos de lei como o PL 2630, de 2020, conhecido como PL das Fake News, que busca combater a disseminação de notícias falsas e que está com a tramitação suspensa desde 2023.

    De autoria do senador Alessandro Vieira (MDB/SE), o PL tem o deputado federal Orlando Silva (PCdoB/SP) como relator e ele já deu seu parecer a favor da regulação do tema e da urgência da sua votação e aprovação. A discussão também envolve o Marco Civil da Internet e a atuação de entidades como a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), criada em 2018, e ainda com baixa atuação e quadros limitados.

    Anos anteriores

    Em 2018, apenas 50 ações foram protocoladas no TSE sobre fake news durante o processo eleitoral. Em média, o tribunal levou dois dias para analisar cada uma delas. Naquela época, não havia retirada imediata de conteúdo falso das plataformas. Segundo o tribunal, apenas 12% das ações que recebeu durante a eleição eram sobre fake news. Número e índices que confrontam a realidade. Em 2018, uma média de seis informações falsas eram desmentidas diariamente pela mídia, que criou uma parceria para enfrentar as fakes news.

    Naquele ano de 2018, 137 jornalistas foram ameaçados e/ou atacados por apoiadores  da campanha de Jair Bolsonaro. Quatro jornalistas da Folha de S. Paulo foram ameaçados, entre eles a jornalista Patrícia Campos Mello, autora da reportagem que revelou o esquema no WhatsApp que indicava a possibilidade de fraude eleitoral porque a campanha de Bolsonaro utilizou disparos em massa de mensagens por intermédio de uma empresa de tecnologia para divulgar suas propostas e também atacar os adversários, além de enviar fake news, como o kit gay, que nunca existiu. Além disso, Patricia teve seu aplicativo hackeado e usado para disparar mensagens favoráveis a Bolsonaro, além de ser atacada e ameaçada em vários eventos públicos.

    Nas eleições de 2022, um estudo realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostrou que a circulação de fake news aumentou no segundo turno das eleições, em comparação ao primeiro turno. O crescimento foi registrado no Telegram (23%), Whatsapp (36%) e X (57%)- ex-Twitter, Youtube (17%), Facebook (9%) e Instagram (5%). No geral, a média diária de mensagens falsas cresceu de 196,9 mil no primeiro turno para 311,5 mil no segundo. Isso mostra que o desafio em 2026, com o uso da IA, deverá ser muito maior.

  • CPI dos Pedágios recomenda cancelamento de concessões no RS

    CPI dos Pedágios recomenda cancelamento de concessões no RS

    A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Contratos de Concessão de Rodovias Estaduais da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovou, nesta quinta-feira (11), o relatório final de seus trabalhos por 8 votos a 3. Elaborado pelo relator, deputado Miguel Rossetto, o documento de mais de 500 páginas recomenda ao governo estadual o cancelamento imediato dos processos de concessão dos blocos 1 e 2 de rodovias.

    Segundo a CPI, foram identificadas falhas estruturais nos modelos econômico-financeiros dos projetos, incluindo apontamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) sobre metodologias que poderiam resultar em tarifas de pedágio mais elevadas.

    O relatório sustenta que as irregularidades encontradas não poderiam ser corrigidas apenas com ajustes pontuais, comprometendo a legitimidade das concessões planejadas. A comissão também avaliou que o leilão sem interessados do Bloco 2 foi consequência das fragilidades da modelagem apresentada.

    Entre as recomendações, está o redirecionamento de R$ 3 bilhões do Fundo para a Reconstrução do Estado (Funrigs), previstos para os blocos 1 e 2, para investimentos diretos em infraestrutura rodoviária por meio da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) ou de um fundo específico. “Essa é a grande orientação e resolução desta CPI: preservar os R$ 3 bilhões para esses investimentos, cancelar todo e qualquer movimento em relação ao possível bloco 2 e 1, revisar o bloco 3 e iniciar as obras na Região Metropolitana e no Vale do Taquari imediatamente”, disse o relator da CPI, deputado Miguel Rossetto.

    Instalada em dezembro de 2025, a CPI realizou 20 sessões de oitivas, ouviu 27 depoentes e analisou cerca de 30 mil páginas de documentos. Além das recomendações sobre os contratos de concessão, o relatório propõe mudanças na governança do setor, reforço da estrutura da Agergs, revisão do sistema de pedágio free flow e análise de projetos de lei relacionados à transparência, formas de pagamento em pedágios e participação do Legislativo na aprovação de futuras concessões. Apesar das conclusões da comissão, o governador Eduardo Leite reafirmou nesta semana a intenção de dar continuidade aos projetos de concessão dos blocos 1 e 2.

    O texto aprovado ainda deverá passar por votação no plenário da AL-RS, mas já pode ser encaminhado para outros órgãos como: Tribunal de Contas (TCE-RS), Ministério Público de Contas (MPC-RS) e Ministério Público (MP-RS), além do Governo Estadual, que não é obrigado a seguir as recomendações da CPI.

  • Desmatamento na Amazônia cai 61% em maio e faz prever menor taxa anual já registrada

    Desmatamento na Amazônia cai 61% em maio e faz prever menor taxa anual já registrada

    O desmatamento na Amazônia teve redução de 61,4% em maio deste ano, em relação ao mesmo mês de 2025.

    É a maior redução já registrada na região. Dos 960 quilômetros registrados em maio de 2025, a derrubada caiu para 370 quilômetros quadrados no mês passado.

    A divulgação dos dados mereceu  visita do presidente Lula ao Observatório Regional Amazônico, em Brasília.

    Os números, gerados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), orientam as equipes em campo para ações de combate ao desmatamento.

    A queda em maio é importante porque é neste mês que o desmatamento aumenta,  com o início da estação seca na Amazônia.

    O resultado alimenta a expectativa de que a taxa anual de desmatamento a ser consolidada em 31 de julho deste ano, será a menor desde que se tem registros. De agosto até agora, a queda no desmatamento foi de 37,5%.

    “Isso mostra que o controle de desmatamento na Amazônia está funcionando”, segundo o ministro do Meio Ambiente, Joã Paulo Capobianco

    Cerrado

    O Inpe apresentou ainda os dados de alertas para o Cerrado, que apontam para uma tendência de queda no desmatamento no bioma. Em maio de 2026, houve redução de 12,2% no desmatamento, em relação a maio do ano passado.

    Para o período agregado de agosto de 2025 a maio deste ano, a queda na supressão de vegetação foi de 8,2% em relação ao período anterior. Foram de 4.208 quilômetros quadrados de floresta desmatada.

    Acusação

    A persistência do desmatamento ilegal no Brasil é uma das alegações dos Estados Unidos para a imposição de tarifas adicionais a produtos brasileiros importados no país.

    No início deste mês, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu uma taxação punitiva de 25% diante de práticas brasileiras “irrazoáveis” e que “oneram ou restringem” o comércio estadunidense.

    Na avaliação do USTR, mesmo o Brasil tendo um marco legal para combater desmatamentos ilegais, o país tem um histórico de falhas na sua aplicação eficaz.

    O ministro Capobianco ressaltou que os dados mostram o contrário. “A Amazônia está numa nova situação com controle ambiental, com resultados realmente muito positivos”, disse.

    O presidente Lula reforçou que os Estados Unidos estão equivocados quando questionam as ações do Brasil contra o desmatamento. “Eles não sabem o trabalho que nós fazemos para fazer com que o desmatamento chegue a zero até 2030”, disse Lula sobre as metas brasileiras na área do meio ambiente e mudanças climáticas.

    (Com Agência Brasil)

  • Ecos de 1923: A última guerra dos gaúchos em mostra de três documentários na Cinemateca Paulo Amorim

    Ecos de 1923: A última guerra dos gaúchos em mostra de três documentários na Cinemateca Paulo Amorim

    O cineasta Henrique de Freitas Lima tem criado, ao longo de seus 40 anos de carreira, filmes de ficção ou documentários que contam a história do sul do Brasil, seja ela ambientada nas cidades, no campo, ou com enfoque na vida e obra dos artistas que aqui habitam.

    Em Ecos de 1923 – A Última Guerra dos Gaúchos, Henrique e equipe produziram o mais ambicioso e impressionante material audiovisual sobre a história do Rio Grande do Sul jamais feito, com importância fundamental também para o Brasil.

    Por dois anos, de 2023, ano em que a Revolução Libertadora completou seu centenário, a 2025, quando se completou a entrega da 1ª etapa do projeto Os Caudilhos, o cineasta e sua equipe se debruçaram a produzir em nove municípios gaúchos, e no Uruguai, os três filmes de longa metragem que poderão ser apreciados em uma mostra na Cinemateca Paulo Amorim, de 9 a 11 de junho, acompanhados por um ciclo de debates com especialistas sobre o assunto.

    A Ponte do Rio Ibirapuitã, em Alegrete, palco de Batalha em 1923. Reprodução

    Abordando a Revolução de 1923 e focados nos acontecimentos em alguns dos principais palcos do conflito, os municípios de Pedras Altas, Camaquã, Caçapava do Sul, São Gabriel, Rosário do Sul, Alegrete, São Francisco de Assis, Santana do Livramento e Uruguaiana, os filmes aliam depoimentos de especialistas a farto material de arquivo obtido em inúmeros acervos no Brasil e no Uruguai com tratamento moderno e narrativa envolvente. Todos os filmes, fruto da colaboração com produtores locais de cada um dos municípios e realizados com recursos federais da LPG Lei Paulo Gustavo e PNAB Política Nacional Aldir Blanc, estrearam suas versões locais de 30 minutos com grande repercussão em 2024 e 2025 nas cidades que viabilizaram a produção. 

    Na mostra, serão exibidos três programas de 70 minutos de duração: Ecos de 1923 – Parte I, Parte II e Parte III.

    Na impactante abertura, que traz a contextualização da Revolução de 1923, e que leva o espectador ao cerne do conflito, destaca-se na trilha a clássica canção Sabe Moço, de Francisco (Chico) Alves, com novo arranjo de Sérgio Rojas e a interpretação de Vitor Hugo.

    Beraldo Figueiredo, historiador de São Gabriel. Reprodução

    Após as projeções, haverá debates mediados pelo historiador Günter Axt com alguns dos principais nomes que participaram do projeto e participação do público.

    Terça-feira, 9 de junho – Parte I

    A deflagração do conflito: contexto, adesão e consciência política

    – Uruguaiana, São Gabriel e Caçapava do Sul –

    Com os debatedores Miguel do Espírito Santo e João Aloísio Degrazia

    Apresenta o contexto, os personagens históricos e o motivo da guerra, abordando Uruguaiana com a construção do ambiente político, rivalidades, articulações e tensão pré-guerra; São Gabriel com ênfase no aprofundamento humano e simbólico, a cidade como corpo que reage à guerra. Aqui a Revolução deixa de ser apenas estrutura e passa a ser experiência vivida; e Caçapava do Sul, que em tom mais reflexivo e conceitual, funciona como uma espécie de epílogo filosófico do primeiro ato.

     Fazenda da Figueira, em Camaquã. Reprodução

    Quarta-feira, 10 de junho – Parte II

    O corpo da guerra: trauma, violência, cicatriz

    – Camaquã, São Francisco de Assis e Rosário do Sul –

    Com os debatedores Coralio Cabeda e Fernando Azambuja

    Mergulha no núcleo trágico da Revolução. Aqui o espectador não observa mais a história — ele a atravessa. Camaquã abre o segundo dia com impacto direto: bombardeio aéreo, coluna de Zeca Netto, memória oral. Funciona como o “portão do inferno” do segundo ato. São Francisco de Assis aprofunda o trauma psicológico. O próprio título interno – o dia seguinte que nunca acabou – desloca o foco da batalha para a ferida que permanece no tempo. Opera quase como cinema de luto. Rosário do Sul fecha com a maior densidade trágica: degolas, participação das mulheres, resquícios físicos da guerra, pacto, repercussão nacional. É o ponto mais alto de tensão emocional de toda a mostra.

    Quinta feira, 11 de junho – Parte III

    Elaboração simbólica: memória, política, conciliação e legado

    – Alegrete, Livramento e Pedras Altas –

    Com os debatedores Marcos Hernandez e Rodrigo Aguiar

    Transforma trauma em compreensão. Leva o espectador da dor para o significado. Alegrete começa o dia com estrutura mais coral, múltiplas histórias, lembranças, personagens locais. Santana do Livramento traz densidade política novamente, mas agora com mais sofisticação: fronteira, influência uruguaia, assassinatos, ascensão de Flores da Cunha. O conflito retorna, mas agora filtrado pela complexidade histórica. Pedras Altas fecha a mostra com perfeição simbólica. O castelo, o pacto, Assis Brasil, o gesto de conciliação. Dramaturgicamente, é um epílogo natural: onde antes havia guerra, agora há assinatura; onde havia sangue, agora há papel; onde havia ruptura, agora há memória organizada.

    Leonel Gomez, compositor de Santana do Livramento. Reprodução

    ECOS DE 1923 – Mostra de filmes de Henrique de Freitas Lima / Cinematográfica Pampeana

    Dias 9, 10 e 11 de junho, às 19h

    Cinemateca Paulo Amorim – Casa de Cultura Mario Quintana

    Rua dos Andradas, 736

    Entrada franca

     Marcas da Batalha de 1923 na praça de São Francisco de Assis. Reprodução 

  • Exportação de carne suspensa: Europa quer garantias sobre uso de antibióticos

    Exportação de carne suspensa: Europa quer garantias sobre uso de antibióticos

    A entrada de carne brasileira estará suspensa nos países da União Européia a partir de setembro. A decisão, anunciada há um, mês foi oficializada nesta sexta-feira, 5.

    A justificativa é que o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem as exigências sanitárias europeias, especialmente quanto ao uso de antibióticos ( também chamados antimicrobianos).

    Esses medicamentos são indicados para tratar infecções em animais, mas são usados indevidamente para estimular o crescimento e aumentar o peso. Eles já estão proibidos no país desde abril, mas a União Européia quer garantias e provas.

    A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor. 

    As restrições ao uso de antibióticos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo.

    Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

    A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos.

    O principal objetivo da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.

    Na pecuária tradicional, alguns tipos de antibióticos são misturados à ração em doses baixas para funcionar como “promotores de crescimento”. Eles mudam a flora intestinal do animal, fazendo com que ele absorva melhor os nutrientes, gaste menos energia combatendo microinfecções e, consequentemente, ganhe mais peso em menos tempo.

    O uso contínuo de antibióticos em animais cria bactérias ultra-resistentes. Essas “superbactérias” podem passar para os humanos através do consumo ou manejo da carne.

    Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados.

    Isso exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

    A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec)disse em nota que o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.

    A decisão não significa que a carne brasileira esteja contaminada. O bloco removeu o Brasil da lista porque o governo e os produtores ainda não conseguiram fornecer documentos e sistemas de fiscalização oficiais que comprovem, animal por animal, que essas substâncias banidas não foram utilizadas.

  • Ebola: Congo registra quase 500 casos com 82 mortes desde o inicio do surto

    Ebola: Congo registra quase 500 casos com 82 mortes desde o inicio do surto

    A República Democrática do Congo informou nesta sexta-feira (5) que o número de casos confirmados de ebola aumentou para 452, após a confirmação de 71 novos diagnósticos nas últimas 24 horas. As infecções causaram 82 mortes.

    As informações foram noticiadas pela agência Reuters e atribuídas ao governo da nação africana. 

    O surto de ebola causado pela cepa Bundibugyo do vírus é um dos mais graves registrados desde que a doença foi descoberta e, além do Congo, também já afetou Uganda.

    A situação foi declarada emergência de saúde pública de interesse internacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

    Para fazer frente ao surto, a OMS e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África, vinculado à União Africana, anunciaram nesta sexta-feira (5) um plano conjunto de resposta continental

    O plano tem duração de junho a novembro de 2026 e pretende arrecadar 518 milhões de dólares para ajudar os países africanos e parceiros a agilizarem a preparação, detecção e resposta.

    Como não há vacinas ou tratamentos específicos para o ebola causado pelo vírus Bundibugyo, o plano traça medidas para aumentar a resiliência dos sistemas de saúde mesmo que os países se encontrem em emergências sanitárias agudas. A implementação das medidas já começou nos países afetados e naqueles sob maior risco.

    Além dos dois países onde já há casos confirmados, são considerados sob maior ameaça de importar a doença Sudão do Sul, Ruanda, Quênia, Zâmbia, República Centro-Africana, Tanzânia, Etiópia, Angola, Congo (Brazzaville) e Burundi.

    (Com Agência Brasil)

  • Caso Master: manobras travam CPI pedida em novembro do ano passado

    Caso Master: manobras travam CPI pedida em novembro do ano passado

    O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, negou pedido de quatro senadores que alegaram suspeição do ministro Kassio Nunes Marques para julgar um mandado de segurança que pede a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master.  A decisão foi proferida na quarta-feira (3).

    A ação foi protocolada em março deste ano e ainda não houve decisão do ministro, que é relator do caso.

    Os senadores Eduardo Girão (Novo-CE), Alessandro Vieira (MDB-SE), Marcos Pontes (PL-SP) e Plínio Valério (PSDB-AM) alegaram que o ministro tem relação de amizade com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos investigados no caso Master, e possui “interesse direto” no caso.

    Fachin negou o pedido de suspeição do relator e disse que a questão deveria ser levantada cinco dias após a escolha do relator.

    Os senadores alegam suposta omissão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que ainda não leu o requerimento de instalação da comissão. O documento foi protocolado no dia 26 de novembro de 2025.

    De acordo com os parlamentares, o requerimento conta com 53 assinaturas, superando os 27 apoiamentos mínimos para criação da CPI, equivalente a um terço do total de 81 senadores.  

  • Débora Falabella transforma Prima Facie em experiência inesquecível

    Débora Falabella transforma Prima Facie em experiência inesquecível

    CRISTIANO GOLDSCHMIDT

    Na noite desta quinta-feira, 4 de junho, no Salão de Atos da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, a sensação ao final de Prima Facie não era exatamente a de ter assistido a um espetáculo teatral convencional. O que se experimentava ali era algo mais raro e mais difícil: a impressão de ter sido atravessado por uma obra que obriga o público a reorganizar moralmente as próprias certezas. Poucas peças contemporâneas conseguem alcançar esse efeito com tamanha precisão. Menos ainda quando sustentadas por um monólogo. E raríssimas quando dependem quase integralmente da potência de uma única atriz em cena. Mas é exatamente isso que ocorre na montagem brasileira de Prima Facie, protagonizada por Débora Falabella.

    O texto da dramaturga australiana Suzie Miller já nasce impregnado de densidade ética e sofisticação estrutural. Não se trata apenas de uma narrativa sobre violência sexual ou sobre os limites do sistema jurídico. A peça vai além do discurso temático para investigar a própria linguagem institucional do direito, os mecanismos de validação da verdade e o modo como as estruturas de poder produzem silêncios socialmente legitimados. Prima Facie é uma obra sobre o abismo entre aquilo que aconteceu e aquilo que pode ser provado. E é justamente nesse intervalo que o espetáculo finca sua força devastadora.

    A tradução brasileira de Alexandre Tenório preserva a inteligência afiada do original sem sacrificar fluidez ou oralidade. Há um rigor técnico admirável na construção verbal do texto, sobretudo porque ele alterna velocidades emocionais muito distintas: em certos momentos, a narrativa opera como uma aula brilhante de retórica jurídica; em outros, desce abruptamente às zonas mais íntimas do trauma, da humilhação e da vulnerabilidade. Essa oscilação poderia facilmente comprometer a unidade da peça, mas aqui ela se transforma em virtude dramatúrgica. O texto respira com organicidade. Não há pedagogia panfletária. Há arte. E há pensamento.

    A direção de Yara de Novaes compreende perfeitamente essa natureza híbrida da obra. Em vez de sobrecarregar o palco com soluções ilustrativas ou excessos emocionais, aposta numa depuração cênica inteligente, permitindo que a palavra e o corpo ocupem o centro gravitacional do espetáculo. O resultado é uma encenação de rara maturidade estética. Cada escolha parece submetida a um princípio de necessidade. Nada sobra. Nada distrai. Nada concorre com o essencial.

    É nesse território que o trabalho de Débora Falabella alcança algo próximo do extraordinário. Sua atuação não se limita a interpretar uma personagem; ela constrói uma arquitetura emocional inteira diante do público. A atriz domina ritmo, pausa, respiração, inflexão e presença com uma precisão impressionante. Sua performance possui musculatura intelectual e combustão afetiva simultaneamente. Em muitos momentos, o espectador percebe que ela pensa em cena — e não apenas representa emoções previamente determinadas. Isso confere à personagem uma densidade rara.

    A construção inicial da protagonista é particularmente brilhante. Débora apresenta uma advogada criminalista segura, veloz, sedutora e profundamente adaptada às engrenagens competitivas do sistema judicial. Há ironia, humor e até certo cinismo elegante em sua maneira de ocupar o espaço. O público ri diversas vezes nos primeiros movimentos da peça, e esse riso é importante porque estabelece uma relação de proximidade antes do colapso dramático. Quando a narrativa muda de eixo, a atriz altera completamente sua frequência corporal. O que antes era domínio torna-se hesitação; o que era fluidez converte-se em fragmentação. E tudo isso sem recorrer a soluções fáceis ou melodramáticas.

    O mais impressionante talvez seja justamente sua recusa ao excesso. Débora Falabella compreende que o trauma profundo muitas vezes não explode: ele corrói. Sua atuação evita sentimentalismos previsíveis e aposta em pequenas fissuras emocionais, em silêncios abruptos, em olhares interrompidos, em frases que parecem perder o ar antes de terminarem. É uma interpretação construída menos pelo espetáculo da dor e mais pela erosão progressiva da linguagem. Poucas atrizes brasileiras contemporâneas possuem tamanho domínio de nuances.

    O cenário concebido por André Cortez merece reconhecimento especial pela inteligência com que compreende a natureza psicológica de Prima Facie. Em vez de optar por uma reprodução naturalista de ambientes jurídicos ou por soluções cenográficas excessivamente simbólicas, Cortez cria um espaço cênico de aparência funcional e quase austera, mas carregado de tensão invisível. A arquitetura do palco sugere simultaneamente tribunal, memória e confinamento emocional. Há uma geometria fria na disposição dos elementos, como se o espaço estivesse permanentemente organizado segundo a lógica impessoal das instituições. E justamente por isso a presença humana da personagem ganha ainda mais vulnerabilidade. O cenário não busca ilustrar a narrativa: ele amplifica silenciosamente sua sensação de exposição e isolamento. Trata-se de uma cenografia que entende algo fundamental sobre o grande teatro contemporâneo — às vezes, a verdadeira sofisticação está naquilo que permite ao drama respirar sem jamais disputar protagonismo com ele.

    O desenho de iluminação de Wagner Antônio merece destaque especial. Em um espetáculo sustentado quase integralmente pela palavra, a luz assume papel dramatúrgico decisivo. Aqui, ela não funciona apenas como recurso estético, mas como extensão psicológica da personagem. Os cortes luminosos criam atmosferas de isolamento, exposição e vulnerabilidade com enorme inteligência visual. Há momentos em que a luz parece reproduzir o funcionamento de um tribunal: fria, objetiva, quase clínica. Em outros, torna-se uma espécie de campo mental fragmentado, acompanhando a desorganização subjetiva da protagonista. A sofisticação está justamente na discrição.

    O figurino de Fabio Namatame também opera com grande eficiência simbólica. A escolha de um visual sóbrio, elegante e funcional ajuda a revelar a identidade profissional da personagem sem transformá-la em caricatura corporativa. À medida que o espetáculo avança, a roupa parece adquirir outro peso, como se aquilo que antes representava autoridade passasse lentamente a significar armadura. É um trabalho de figurino que compreende a dramaturgia sem precisar chamar atenção para si.

    A trilha sonora e o desenho de som de Morris seguem caminho semelhante. Em vez de manipular emocionalmente o público com grandiloquência, trabalham por tensão subterrânea. Os sons surgem como pulsações internas, ecos emocionais ou atmosferas de desconforto. Em certos momentos, o silêncio é utilizado com inteligência brutal. E talvez seja justamente nesse silêncio que Prima Facie alcança sua dimensão mais perturbadora: a percepção de quantas experiências humanas permanecem sem linguagem adequada dentro das instituições.

    Há também algo profundamente relevante na recepção coletiva da plateia. Assistir a essa peça em um grande auditório universitário produz uma camada adicional de sentido. O espetáculo dialoga diretamente com temas urgentes da contemporaneidade: gênero, poder, violência, credibilidade e justiça. Mas o faz sem simplificações ideológicas. Sua inteligência reside precisamente em demonstrar que sistemas jurídicos podem ser simultaneamente necessários e insuficientes. A peça não propõe respostas fáceis. Propõe desconforto crítico. E talvez seja essa uma das funções mais nobres do teatro.

    Em tempos de produções frequentemente ansiosas por impacto instantâneo, Prima Facie impressiona por confiar radicalmente na força da interpretação, da escrita e da presença humana em cena. Não há efeitos espetaculares. Não há pirotecnia emocional. O que existe é teatro em estado de alta concentração artística. Teatro que exige escuta. Teatro que convoca pensamento. Teatro que permanece reverberando horas depois do aplauso final.

    E o aplauso, nesta noite de 4 de junho, possuía algo além do entusiasmo habitual. Havia ali um reconhecimento quase físico de que o público acabara de testemunhar uma obra importante. Não apenas importante por seu tema, mas importante por sua excelência artística. Porque grandes espetáculos não são aqueles que apenas emocionam ou informam. São aqueles que transformam nossa percepção do mundo. Prima Facie realiza isso com rara potência.

    Quem ainda não assistiu ao espetáculo tem uma oportunidade preciosa. A temporada no Salão de Atos da PUC-RS continua nesta sexta e sábado, 5 e 6 de junho, e trata-se de uma experiência teatral que merece ser vivida. Ver Débora Falabella em estado de tamanha entrega artística, sustentando um texto dessa complexidade com inteligência, humanidade e precisão técnica, é testemunhar uma das interpretações mais impactantes do teatro brasileiro recente. Prima Facie não é apenas uma peça necessária. É grande teatro.