O governo federal mudou a gestão e a cobrança dos débitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) inscritos em dívida ativa, que passarão a ser feitas exclusivamente pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
Cerca de R$ 66,8 bilhões, referentes a 500 mil inscrições na dívida ativa do fundo, serão migrados do sistema da Caixa Econômica Federal para a procuradoria.
Atualmente, essa gestão é feita de forma compartilhada entre as duas instituições. A previsão é que a migração esteja completa até o final deste mês.
Para julho, a PGFN já anunciou um edital de transações sobre esses débitos, para que os devedores consigam regularizar a situação com descontos em juros e multas.
A dívida ativa do FGTS é composta pelos valores que deveriam ter sido pagos aos trabalhadores pelo empregador. Se o valor não for pago e nem parcelado, ele é inscrito em dívida ativa.
A consulta, renegociação e emissão de guias de pagamento de débitos em dívida ativa, ajuizados ou não, deverão ser feitas exclusivamente pelo Regularize, o portal de serviços da PGFN.
Uma vez recuperados, os valores devidos vão direto para as contas do FGTS dos trabalhadores.
Continuarão sob gestão da Caixa os débitos administrativos – ainda não inscritos em dívida ativa – ou que já possuem parcelamento ativo pelo banco, até a quitação ou rescisão. A emissão do Certificado de Regularidade do FGTS (CRF) também segue sob responsabilidade da instituição.
A juíza federal Clarides Rahmeier deu dez dias à prefeitura de Porto Alegre para se manifestar na Ação Civil Pública movida pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo e que aponta ilegalidades no projeto de revisão do Plano Diretor, aprovado em abril. A decisão, em grau de recurso, foi assinada na sexta-feira e divulgada nesta segunda, 1/6.
A ação foi ajuizada em agosto do ano passado, antes do projeto do plano ser encaminhado pelo prefeito Sebastião Melo para votaçao naà Câmara.
Alegava violações à gestão democrática, por descumprir normas do Estatuto da cidade, irregularidade na composição do Conselho do Plano Diretor e falta de participação social no processo de revisão.
Foi inicialmente indeferida: o CAU, entidade federal, não teria legitimidade para propor a ação e a Justiça Federal não seria a instância competente o caso.
A decisão de agora reforma a sentença inicial e reabre o processo que pode levar a anulação do plano aprovado pela Câmara. Os “vícios estruturais” apontados na ação civil estão no texto do Executivo encaminhado à Câmara, sendo anterior, portanto, ao processo legislativo.
Diz o texto: “O recurso é provido para anular a sentença, rejeitando-se as preliminares de incompetência da Justiça Federal, ilegitimidade ativa do CAU/RS e inadequação da via eleita, com o retorno dos autos ao juízo de origem para regular processamento e julgamento do mérito, inclusive com a apreciação dos pedidos de tutela de urgência. Cite-se a parte ré para contestar, observando o teor da inicial da Ação Civil Pública e intime-se para que se manifeste sobre o pedido de tutela de urgência no prazo de 10 (dez) dias”.
Mais de 80% (44 em 52) das universidades brasileiras tiveram queda no ranking das melhores no mundo de 2026.
Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (1º) pelo Centro para Rankings Universitários Mundiais (CWUR).
Apenas cinco universidades brasileiras subiram de posição, enquanto duas federais– do Rio Grande do Sul e da Bahia- mantiveram seus postos e 44 tiveram queda especificamente no indicador de pesquisa.
A Universidade de São Paulo (USP) continua sendo a melhor colocada do país, mas caiu uma posição em relação ao ano anterior, ocupando agora o 119º lugar mundial devido a declínios nos indicadores de educação, corpo docente e pesquisa.
Em seguida, aparecem a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que caiu 15 posições para o 346º lugar, e a Universidade de Campinas (Unicamp), que desceu 10 postos, ocupando a 379ª colocação.
“Anos de financiamento inadequado e a desvalorização da ciência e da educação como bens públicos”, estas são as principais causas da queda generalizada das universidades brasileiras, na avaliação de Nadim Mahassen, presidente do CWUR.
Universidades brasileiras no ranking
Universidades Brasileiras na Lista Global 2000
Ranking nacional
Instituição
Ranking Global 2026
Ranking Global 2025
Pontuação
1
Universidade de São Paulo (USP)
🔻 119
118
81.2
2
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
🔻 346
331
76.3
3
Universidade de Campinas (Unicamp)
🔻 379
369
75.8
4
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
476
476
74.7
5
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
🔻 479
454
74.6
6
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
🔻 508
497
74.3
7
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
🔻 621
617
73.3
8
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)
🔻 682
668
72.8
9
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
🔻 732
727
72.4
10
Universidade Federal do Paraná (UFPR)
🔻 799
783
71.9
11
Universidade de Brasília (UnB)
831
833
71.6
12
Fundação Getúlio Vargas (FGV)
🔻 885
880
71.3
13
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
🔻 886
870
71.3
14
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
🔻 891
887
71.3
15
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
🔻 959
951
70.8
16
Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
🔻 969
966
70.8
17
Universidade Federal do Ceará (UFC)
🔻 1002
961
70.6
18
Universidade Federal Fluminense (UFF)
🔻 1006
982
70.5
19
Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
🔻 1013
986
70.5
20
Universidade Federal de Viçosa (UFV)
🔻 1015
984
70.5
21
Universidade Federal da Bahia (UFBA)
1024
1024
70.4
22
Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
🔻 1071
1031
70.2
23
Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
🔻 1102
1090
70.0
24
Universidade Federal de Goiás (UFG)
🔻 1129
1119
69.9
25
Universidade Federal do ABC (UFABC)
🔻 1183
1122
69.6
26
Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF)
🔻 1214
1099
69.4
27
Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
🔻 1275
1268
69.1
28
Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
1283
1294
69.1
29
Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
🔻 1284
1267
69.1
30
Universidade Federal do Pará (UFPA)
🔻 1295
1288
69.0
31
Universidade Federal de Lavras (UFLA)
🔻 1302
1284
69.0
32
Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS)
1347
1367
68.8
33
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)
🔻 1382
1330
68.6
34
Universidade Estadual de Maringá (UEM)
🔻 1422
1368
68.4
35
Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ)
🔻 1479
1385
68.2
36
Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)
🔻 1482
1455
68.2
37
Pontifícia Universidade Católica do RS (PUCRS)
🔻 1539
1506
67.9
38
Universidade Federal de Sergipe (UFS)
🔻 1595
1584
67.7
39
Universidade Estadual de Londrina (UEL)
🔻 1601
1526
67.7
40
Universidade Federal do Rio Grande (FURG)
1629
1644
67.6
41
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA)
🔻 1632
1558
67.5
42
Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
🔻 1715
1691
67.2
43
Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
🔻 1778
1745
67.0
44
Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR)
🔻 1827
1785
66.8
45
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)
🔻 1838
1774
66.8
46
Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
1931
1946
66.4
47
Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM)
🔻 1944
1836
66.4
48
Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA)
🔻 1952
1831
66.3
49
Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)
🔻 1962
1930
66.3
50
Universidade Federal do Piauí (UFPI)
🔻 1971
1950
66.3
51
Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)
🔻 1974
1911
66.3
52
Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA)
🔻 2000
1994
66.2
Fonte: Centro para Rankings Universitários Mundiais (CWUR)
O grande destaque positivo é a China: 98% das universidades chinesas melhoraram suas posições, lideradas pela Universidade Tsinghua (36ª). A China é agora o país mais representado no Global 2000, com 360 instituições, superando as 313 dos Estados Unidos.
Na Europa, o quadro é de dificuldades, com quedas generalizadas no Reino Unido, França e Alemanha devido à competição global intensificada.
As 100 melhores da Lista Global
Instituição
Ranking Global 2026
Ranking Global 2025
País
Pontuação
Harvard University
1
1
EUA
100
Massachusetts Institute of Technology
2
2
EUA
96.8
Stanford University
3
3
EUA
95.2
University of Cambridge
4
4
Reino Unido
94.1
University of Oxford
5
5
Reino Unido
93.3
Princeton University
6
6
EUA
92.7
University of Pennsylvania
7
7
EUA
92.1
Columbia University
8
8
EUA
91.6
Yale University
9
9
EUA
91.2
University of Chicago
10
10
EUA
90.8
California Institute of Technology
11
11
EUA
90.5
University of California, Berkeley
12
12
EUA
90.2
University of Tokyo
13
13
Japão
89.9
Cornell University
14
14
EUA
89.6
Northwestern University
15
15
EUA
89.3
University of Michigan, Ann Arbor
16
16
EUA
89.1
University of California, Los Angeles
17
17
EUA
88.9
Johns Hopkins University
18
18
EUA
88.7
University College London
19
20
Reino Unido
88.5
PSL University
20
19
França
88.3
Duke University
21
21
EUA
88.1
University of Illinois at Urbana–Champaign
22
22
EUA
87.9
University of Toronto
23
23
Canadá
87.8
New York University
24
25
EUA
87.6
University of Washington
25
26
EUA
87.4
Kyoto University
26
24
Japão
87.3
Imperial College London
27
28
Reino Unido
87.2
McGill University
28
27
Canadá
87.0
University of Wisconsin–Madison
29
30
EUA
86.9
Seoul National University
30
31
Coreia do Sul
86.8
ETH Zurich
31
32
Suíça
86.6
Institut Polytechnique de Paris
32
35
França
86.5
Paris-Saclay University
33
34
França
86.4
University of California, San Diego
34
33
EUA
86.3
University of Texas at Austin
35
36
EUA
86.2
Tsinghua University
36
37
China
86.1
University of Copenhagen
37
38
Dinamarca
85.9
Paris City University
38
29
França
85.8
University of California, San Francisco
39
39
EUA
85.7
Peking University
40
44
China
85.6
University of Chinese Academy of Sciences
41
46
China
85.6
Karolinska Institute
42
41
Suécia
85.5
University of North Carolina at Chapel Hill
43
40
EUA
85.4
King’s College London
44
42
Reino Unido
85.3
Sorbonne University
45
43
França
85.2
Washington University in St. Louis
46
47
EUA
85.1
Dartmouth College
47
45
EUA
85.0
University of Minnesota – Twin Cities
48
49
EUA
84.9
University of British Columbia
49
48
Canadá
84.8
University of Edinburgh
50
51
Reino Unido
84.8
Ludwig Maximilian University of Munich
51
50
Alemanha
84.7
University of New South Wales
52
52
Austrália
84.6
University of Manchester
53
53
Reino Unido
84.5
Shanghai Jiao Tong University
54
61
China
84.5
University of Southern California
55
54
EUA
84.4
Vanderbilt University
56
56
EUA
84.3
Free University of Berlin
57
59
Alemanha
84.2
Ohio State University
58
55
EUA
84.2
Humboldt University of Berlin
59
58
Alemanha
84.1
University of California, Davis
60
60
EUA
84.0
Pennsylvania State University
61
57
EUA
84.0
Zhejiang University
62
68
China
83.9
University of Zurich
63
62
Suíça
83.8
University of Melbourne
64
64
Austrália
83.8
Rutgers University
65
63
EUA
83.7
Fudan University
66
73
China
83.7
Hebrew University of Jerusalem
67
65
Israel
83.6
Purdue University
68
66
EUA
83.5
University of Texas Southwestern Medical Center
69
67
EUA
83.5
Heidelberg University
70
72
Alemanha
83.4
Georgia Institute of Technology
71
74
EUA
83.4
Brown University
72
71
EUA
83.3
University of Florida
73
86
EUA
83.2
Weizmann Institute of Science
74
70
Israel
83.2
University of Virginia
75
76
EUA
83.1
Rockefeller University
76
69
EUA
83.1
Technical University of Munich
77
77
Alemanha
83.0
University of Colorado Boulder
78
75
EUA
83.0
National University of Singapore
79
80
Singapura
82.9
Utrecht University
80
78
Países Baixos
82.9
Sun Yat-sen University
81
95
China
82.8
University of Alberta
82
81
Canadá
82.8
University of Amsterdam
83
83
Países Baixos
82.7
Huazhong University of Science and Technology
84
98
China
82.7
University of Science and Technology of China
85
96
China
82.6
University of Pittsburgh
86
84
EUA
82.6
Leiden University
87
88
Países Baixos
82.5
University of Oslo
88
87
Noruega
82.5
University of Rochester
89
79
EUA
82.4
University of Basel
90
85
Suíça
82.4
Texas A&M University, College Station
91
82
EUA
82.3
University of California, Irvine
92
89
EUA
82.3
Australian National University
93
90
Austrália
82.2
Carnegie Mellon University
94
97
EUA
82.2
University of Birmingham
95
93
Reino Unido
82.1
Uppsala University
96
91
Suécia
82.1
Aarhus University
97
100
Dinamarca
82.1
KU Leuven
98
105
Bélgica
82.0
University of Maryland, College Park
99
92
EUA
82.0
University of Sydney
100
94
Austrália
81.9
Fonte: Centro para Rankings Universitários Mundiais (CWUR)
Metodologia
O CWUR utiliza quatro indicadores principais para classificar as instituições, sem depender de pesquisas de opinião ou dados enviados pelas próprias universidades:
Educação (25%): baseado no sucesso acadêmico de ex-alunos.
Empregabilidade (25%): baseado no sucesso profissional de ex-alunos em grandes empresas.
Corpo docente (10%): medido por distinções acadêmicas de alto nível.
Pesquisa (40%): inclui produção total, publicações em jornais de elite, influência e citações.
A arte de Tina Felice faz parte do imaginário, das memórias, das ruas e da história da capital gaúcha. Suas “Meninas” são uma marca-registrada. Ao completar 40 anos de arte, Tina mostra um pouco do tudo que já produziu, com esculturas impressionantes, as tradicionais “Meninas” e suas criações em arte abstrata, inéditas para o público gaúcho. A exposição “Tina Felice: 40 anos de arte” tem vernissage no sábado, 30 de maio, das 11 às 13 horas, na Galeria Bublitz. A mostra fica no local até o dia 30 de junho, com entrada franca.
“Essa exposição não é só uma homenagem a uma grande artista gaúcha, mas também uma oportunidade de o público conhecer outras faces de Tina Felice e admirar sua produção”, destaca o marchand Nicholas Bublitz. “Também vamos fazer uma homenagem ao Carlos Alberto Pippi da Motta, que faleceu recentemente. Ele foi o padrinho que nos aproximou e tornou essa exposição possível”, revela.
A seleção de obras em exposição na galeria é formada por trabalhos escolhidos pela própria artista e que fazem parte do seu acervo. Formada em Direito, Tina fez da arte sua profissão. Aprendeu com os grandes mestres da arte do Rio Grande do Sul, como Vasco Prado e Xico Stockinger, além de Cláudio Martins Costa, seu professor no Atelier Livre. Sua trajetória artística começou em 1986 e foi marcada pela superação, em função da talidomida, e pelas adaptações que fez ao longo da carreira. Em vez de pincéis, o rolo de pintura e o cabo de vassoura viraram suas ferramentas de trabalho. Mas a deficiência não a limitou. Ao contrário. Tina é conhecida por esculturas gigantescas que ocupam espaços públicos, como a obra “Túnel do Túnel”, localizada junto ao Túnel da Conceção, e o “Monumento aos 100 anos da Escola de Engenharia da UFRGS”.
Na foto, Diana da Motta, Carlos Alberto Pippi da Motta, Tina Felice e Nicholas Bublitz. Divulgação
As famosas “Meninas” nasceram há 25 anos e marcam o ingresso de Tina na pintura, quando resolveu enfrentar uma tela em branco pela primeira vez. Os rostos alongados, com olhos expressivos e boca pequena reproduzem características físicas da própria artista. “Mas não são um autorretrato”, avisa Tina. Tais como Monalisa, as “Meninas” de Tina Felice conversam com quem as vê e suscitam múltiplas interpretações. “Tem gente que acha que elas são tristes, mas são pensativas, às vezes até debochadas e seguem se transformando”, conta a arista.
A artista Tina Felice. Divulgação
Além das pinturas mais marcantes e das esculturas, Tina apresenta suas criações em arte abstrata ainda inéditas no Brasil. São obras que carregam também a identidade da artista com formas orgânicas e diferentes cores e que foram exibidas apenas em uma mostra em Londres, até o momento.
Exposição: “Tina Felice: 40 anos de arte” Local: Bublitz Galeria de Arte Endereço: Av. Neusa Goulart Brizola, 143 Vernissage: sábado, 30 de maio, das 11h às 13h. Visitação da exposição: segundas às sextas, das 10h às 18h, e sábados, das 10h às 13h Período da exposição: até 30 de junho. Entrada Franca
Numa exposição que reúne nomes reconhecidos como Britto Velho, Cláudia Sperb, Leandro Selister, Paulo Favalli, Leonardo Loureiro e o uruguaio Gustavo Tabares, entre outros, no Espaço Físico, em Porto Alegre, a curadora Ana Zavadil dispõe as obras, de diferentes linguagens, de maneira inovadora: “Menos pela tentativa de unificação conceitual e mais pela construção de uma experiência espacial compartilhada”, explica ela.
Idealizadora do Espaço Físico (Rua Felipe Camarão, 700, sala 101), a curadora da mostra “Entre passagem e permanência” usa o local expositivo não como suporte neutro, mas como proposição ativa. “Em vez de organizar as obras a partir de um conceito temático único, a curadoria assume a própria arquitetura como eixo articulador: o espaço determina a forma de encontro, o ritmo do olhar e a experiência do corpo diante das obras”, esclarece Ana.
Obra de Paulo Favalli. Foto Divulgação
Assim, o percurso da exposição começa no corredor, que funciona como um dispositivo curatorial: um espaço que cria tensão, expectativa e sequência, fazendo com que o olhar seja constantemente ativado e reposicionado.
O ambiente a seguir rompe a linearidade e introduz outra presença. “Se o corredor sugere passagem, esse espaço final sugere permanência. Nesse ponto, a exposição se expande: o percurso não se encerra, mas se reorganiza”, diz Ana, que foi curadora-chefe do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS), curadora-chefe do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS) e curadora assistente da 10ª Bienal do Mercosul, em 2015.
Obra de Brito Velho. Foto Divulgação
Essa é a terceira exposição no Espaço Físico, dirigido por Ana, que o inaugurou em janeiro deste ano. “A diversidade de obras da mostra não é ruído: é matéria de relação. As obras coexistem em um mesmo território, porque o espaço, ao conduzir e redistribuir a atenção, cria um campo comum de leitura”, afirma a curadora.
Obra de Simone Barros. Foto Divulgação
Artistas participantes
São as(os) seguintes artistas que participam da exposição: Alexandra Eckert, Britto Velho, Cátia Usevicius, Cláudia Sperb, Cleci Altermann Serpa, Fernanda Martins Costa, Gustavo Tabares, Heloísa Biasuz, Jane Maria, Juliana Desconsi, Jussara Moreira, Leandro Selister, Leonardo Loureiro, Márcia Marostega, Mylène d’Huyer, Paulo Favalli, Rita da Rosa, Sílvia Brum, Simone Barros e Wischral.
Obra de Leandro Selister. Foto Divulgação
SERVIÇO:
Exposição “Entre passagem e permanência”
Curadoria: Ana Zavadil
Abertura: 30/05 (sábado), das 10h30 às 12h30
Visitação: de 1º de junho a 1º de julho, de segunda a sexta, das 14h às 19h
Local: Espaço Físico
Endereço: Rua Felipe Camarão, 700 – sala 101 – Bom Fim, Porto Alegre/RS
Inteiramente reformado, ao custo de R$ 3,6 milhões, reabriu na quarta-feira (27/5), o Teatro Bruno Kiefer, no 6º andar da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), em Porto Alegre.
O governador Eduardo Leite, do secretário da Cultura, André Kryszczun, e da diretora da CCMQ, Adriana Sperandir participaram da reinauguração.
A obra contemplou restauração integral da plateia, adequações às normas de acessibilidade e substituição de poltronas, carpetes e forros. As melhorias também alcançaram o foyer, o telhado, as portas de segurança e as instalações elétricas. No palco, foram realizadas intervenções que incluíram a renovação da iluminação, a instalação de um novo rack de comando e a recuperação do assoalho – o que modernizou a estrutura e qualificou as condições para artistas e público.
“Não basta defender a cultura no discurso, é preciso transformá-la em prioridade nas políticas públicas e no orçamento”, disse o governador .
Os convidados puderam conferir também o teaser de um vídeo institucional sobre o Projeto de Restauração do Teatro, que será lançado na versão completa em breve. O material, produzido pela produtora Ocorre Lab, conta com imagens da obra captadas no último ano, depoimentos de integrantes da classe artística e registros de atividades educativas realizadas em 2025, vinculadas ao projeto de restauro.
Restauração
O Teatro Bruno Kiefer é um dos principais espaços culturais do Rio Grande do Sul e grande referência para a cena artística e teatral. Ao longo de décadas, consolidou-se como local de encontros, trocas e produção para artistas, técnicos e público, contribuindo para a formação de espectadores e para o desenvolvimento das artes em Porto Alegre.
A reforma começou em fevereiro de 2025, com projeto assinado pelos arquitetos Flávio Kiefer e Joel Gorski. Ambos são autores também do plano que transformou o antigo Hotel Majestic na CCMQ, nos anos 1990.
Programação do segundo semestre
Nos próximos meses, o teatro recebe diversos espetáculos de música, artes cênicas, drag e dança. Dentre eles, projetos selecionados no Edital de Ocupação dos Teatros da CCMQ; espetáculos de curadoria, organizados pelo Núcleo de Administração dos Teatros da CCMQ; festivais de artes cênicas; e uma programação alusiva aos 120 anos de nascimento de Mario Quintana.
Uma programação especial, a partir desta sexta-feira, 29, vai marcar o centenário de um dos pontos mais tradicionais do centro histórico de Porto Alegre, o Espaço Força e Luz, na rua da Praia.
Projeto do arquiteto Adolfo Stern, o prédio começou a ser construído em 1926 e foi concluído dois anos depois.
Foi projetado originalmente para a ampliação do famoso “Clube dos Caçadores”, um cabaré-cassino, que se tornou famoso ponto de encontro de intelectuais e políticos da época.
Por sua condição de casa de jogos, ficou popularmente conhecido como o “Palácio das Lágrimas”.
Em 1929, o edifício foi alugado pela Foreign Light and Power, empresa americana, concessionária de energia em Porto Alegre.
Quando a Light foi encampada pelo então governador Leonel Brizola, nos anos 1960, tornou-se a sede da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), o que deu origem ao nome atual.
De estilo eclético, tem forte influência da arquitetura francesa do início do século XX, com adornos e cabeças de leão na fachada. Foi tombado como patrimônio histórico em 1994.
Em 2002, passou por uma completa reciclagem, em projeto assinado pelo arquiteto Flávio Kiefer, reabrindo suas portas como centro cultural. Atualmente, é conhecido como Espaço Força e Luz e abriga de forma permanente o Museu da Eletricidade do Rio Grande do Sul e o Memorial Erico Verissimo..
Ao completar 100 anos, o Espaço Força e Luz promove uma exposição comemorativa que convida a população a revisitar experiências ligadas ao edifício e ao próprio desenvolvimento da cidade.
A programação inicia às 10h30 e foi pensada para aproximar o público da trajetória do prédio por meio de experiências acessíveis e atividades de participação coletiva.
A fachada está em reforma para as comemorações do centenário;
Entre as atrações previstas estão a instalação de uma fachada comemorativa alusiva ao centenário, gravações especiais com participação do público, distribuição de brindes e ações interativas ao longo da manhã do dia 29/05.
Pela tarde, será realizada uma apresentação sobre a história do edifício, contextualizando sua importância para Porto Alegre e sua relação com a memória energética, cultural e social da capital.
Como parte da programação educativa, o evento contará ainda com uma oficina em celebração ao Dia Mundial da Energia, promovendo reflexões sobre sustentabilidade, conscientização e o papel da energia na vida cotidiana.
A comemoração terá momentos voltados ao caráter afetivo da data, com uma atração surpresa às 11h, distribuição de mimos ao público e sorteios de brindes e kits comemorativos.
Oito em cada dez pessoas (85%) já notam interferências das mudanças climáticas em seu cotidiano, sendo que quase metade (46%) julga esse impacto “intenso”.
Os dados são de uma pesquisa do Aurora Lab e da More in Common, que será lançada na próxima quarta-feira (27), em São Paulo. A Agência Brasil teve acesso ao resultado.
Foram ouvidas 2.630 pessoas que apontaram como consequências das mudanças climáticas no seu cotidiano:.
Ter que arcar com um custo maior de vida – 53%
Problemas de saúde física – 45%
Obstáculos ao acesso a seu local de trabalho – 40%
Adoecimento mental – 32%
Perda de renda – 17%
Perda de emprego – 10%
A proporção de brasileiros que confia que o governo deve ser a principal figura a garantir a proteção de trabalhadoras e trabalhadores nesse contexto é de sete a cada dez (67%).
Outros indicados a essa função são empregadores (7%) e grupos auto-organizados, como os de direitos socioambientais (menos de 6%).
A preferência pelo Estado como o agente mais adequado para apresentar soluções de mitigação e outras medidas pertinentes surpreendeu os pesquisadores.
“Também é um dado muito preocupante, porque ele tira ou não coloca a responsabilidade em cima dos empregadores. Cada vez mais a gente vai ter eventos climáticos extremos e eles têm um papel muito importante em garantir a proteção dos trabalhadores no processo de transição também”, complementa a diretora-executiva do Aurora Lab, Gabriela Vuolo.
O levantamento ainda demonstra elevada consciência (93%) de que os modelos de produção e consumo da sociedade precisam ser transformados para se enfrentar a crise climática. No total, 74% concordam totalmente com tal afirmação.
Uma parcela de 67% acredita que essas mudanças trarão bons frutos para a classe trabalhadora, em termos de abertura de vagas. Somente 10% discordam disso e pensam que terão o efeito contrário, de redução dos postos de trabalho.
As entrevistas também sondaram a avaliação das pessoas sobre a ligação entre a transição e a configuração social do país. A maioria (45%) acredita que a passagem para outros estágios energéticos promoverá redução das desigualdades sociais, contra 40% que acreditam que haverá uma manutenção ou, então, um aumento das desigualdades (23% acham que vão aumentar + 17% que não vão mudar).
Segundo Gabriela Vuolo, parte dos respondentes imagina que até mesmo os salários poderão aumentar.
De acordo com a pesquisa, mesmo em uma era de disseminação de fake news, os brasileiros ainda confiam no que a ciência diz. Universidades e cientistas são a fonte com mais credibilidade para 69% dos entrevistados, enquanto as redes sociais são o principal meio de informação de 65% deles, quando o assunto é clima.
A pesquisa Clima, Trabalho e Transição Justa será compartilhada no encontro “Quem move o Brasil? Debates sobre Trabalho, Energia e Desenvolvimento”.
As entrevistas realizadas para a análise contaram com a participação de pessoas com 16 anos de idade ou mais, de nove capitais: Belém, Brasília, Fortaleza, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. O questionário foi aplicado entre maio e setembro de 2025.
No dia 1º de junho de 2026, a capital gaúcha receberá o 1º Congresso Gaúcho de Comunicação Pública. O evento presencial ocorrerá no auditório da Associação dos Auditores-Fiscais da Receita Municipal de Porto Alegre (AIAMU), no Centro Histórico, com transmissão virtual para todo o país. O encontro visa qualificar gestores, secretários e assessores, transformando a comunicação institucional em ferramenta estratégica de transparência.
A programação contará com especialistas para debater temas urgentes do setor. As inscrições estão abertas no site oficial do eventoe as vagas presenciais são limitadas a 200 participantes. Entre os debatedores, Soraia Hanna comandará o painel sobre gestão de crises, enquanto Daniela Machado abordará o combate à desinformação. A simplificação de termos técnicos para o cidadão será discutida por Maria José Finatto, e Rodrigo Abella apresentará diagnósticos de maturidade digital baseados em evidências, entre outros destaques.
Em entrevista ao JÁ, o professor e escritor Adeli Sell, um dos organizadores do Congresso, fala da importância deste encontro.
Adeli Sell
JÁ – O que podes nos falar deste 1° Congresso, os objetivos?
Adeli – É o primeiro, por isso, enfatizamos na chamada, pelo ineditismo e ousadia. Nosso objetivo é atingir o máximo de pessoas. Será presencial aqui em Porto Alegre, por isso, “gaúcho”. Mas terá transmissão online.
É um congresso que vai debater uma temática ampla para falar com dirigentes públicos de todas as esferas – do Executivo e do Legislativo. E como não é só estatal, é público em geral, queremos falar com os que fazem a mídia em sindicatos e Ongs.
JÁ – Qual é o principal mote?
Adeli – Quando falo com as pessoas, começo pelo velho bordão do Velho Guerreiro Chacrinha – os mais jovens não devem saber quem foi José Abelardo Barbosa, com seu inigualável “Cassino do Chacrinha”, mas o que ele dizia continua atual segundo leituras minhas: ‘Quem não se comunica se trumbica’. É isso, comunicar melhor.
JÁ – E quais os temas que vocês vão abordar?
Adeli – Recentemente, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) instituiu o Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples, para eliminar o uso do juridiquês. O objetivo é tornar decisões judiciais, documentos e o atendimento ao público mais claros, diretos e acessíveis a todo cidadão, garantindo o direito à informação e facilitando o entendimento da Justiça.
E a também uma lei (Nº 15.263, novembro de 2025) que institui a Política Nacional de Linguagem Simples nos órgãos e entidades da administração pública direta e indireta de todos os Poderes da União. Ou seja, vale em todas as esferas governamentais, para todas as pessoas.
Dias atrás, em uma audiência pública sobre o Plano Diretor, um sujeito abre o evento dizendo: Vamos tratar aqui de “recuo de jardim”, “volumetria”, “área permeável”, etc, etc. Entendeu? Pois então, como já disse em outra entrevista: “a Lei passou meio distante da população e da imprensa corporativa”. Creio que ainda teremos um grande caminho pela frente.
JÁ – Então, o tema da Linguagem Simples, vamos sublinhar aqui para nossos leitores…
Adeli – Especificamente sobre a “linguagem simples”, teremos um painel que pretende mostrar como aos cidadãos podem encontrar, entender e usar as informações publicadas pelos órgãos e entidades da administração. A lei torna obrigatório que órgãos públicos se comuniquem de forma clara, objetiva e acessível, usando técnicas como frases curtas, palavras comuns e recursos visuais para facilitar o entendimento e o acesso à informação.
A palestra será de Maria José Finatto que vai nos conduzir para transformar linguagem burocrática em texto que o cidadão compreende, metodologia premiada pelo Google. Finatto é doutora em Estudos da Linguagem e especialista em Acessibilidade Textual (UFRGS). Pesquisadora premiada pelo Google.
Já na fala da Daniela Machado, vamos entender como identificar, barrar e corrigir desinformação antes que ela comprometa a credibilidade da sua instituição. Pois, em tempos de “fake news”, manipulações, mentiras e falsificação histórica, é essencial informar com verdade, precisão e simplicidade. Daniela é jornalista e especialista em Letramento Digital e Coordenadora do EducaMídia.
JÁ – E a comunicação pública propriamente dita?
Soraia Hanna
Adeli – O Congresso pretende ser inédito e ousado, porque em geral se fala genericamente de comunicação. E aí, quando vêm uma crise – enchentes, um secretário que desviou recurso, etc,- aí é a crise, e no geral junto vem o caos. Por isso, vamos ouvir Soraia Hanna para não perder tempo e nos dizer o que fazer nas primeiras horas de uma crise: protocolos testados em quatro governos estaduais. Soraia é autora do livro “Gerindo crises, construindo reputação”. É também sócia da empresa Critério.
Sandra Bitencourt vai começar a conversa do dia para mostrar como a imagem pública de uma instituição se constrói e desmorona, nos momentos de instabilidade política. Sandra é doutora em Comunicação (UFRGS), e assessora do Tesouro do Estado (RS).
Como neste mundo líquido estamos todos navegando nas águas muitas vezes turvas da Internet, estamos trazendo Rodrigo Abella para nos dizer como medir o que realmente importa: diagnóstico de maturidade digital e os indicadores que revelam se a comunicação está blindada ou exposta. Abella é diretor-executivo da Social MedIA Gov. Especialista em comunicação baseada em evidências, estágios de maturação digital e sintonia fina com o público.
JÁ – Podemos ter participação até da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação), certo?
Adeli – Em não sendo possível ouvir especialistas nas três esferas de poder estatal, optamos pela vinda do representante da EBC, Leandro Rolim. Vai nos falar de como a TV 3.0 e a mídia pública nacional podem ampliar a voz da sua instituição além das redes sociais.
E ao falar de mídia pública, é obrigação falar de dados, de segurança, de transparência. Por isso, Gustavo Ferenci irá dizer como usar transparência e LGPD como instrumentos ativos de legitimidade, não como obrigações a cumprir. Ferenci é presidente do Fórum de Proteção de Dados dos Municípios.
Ou seja, será um dia repleto de temas, uma programação completa, para que possamos sair todos do Congresso com a alma um pouco mais leve.
JÁ – O que mais vocês vão ofertar?
Adeli – Em tempos de preocupações com o meio ambiente, os temas sociais e a governança, o Congresso buscou um local com fácil acessibilidade, com uma “pegada ESG” real. Os resíduos terão o devido destino para uma entidade de reciclagem, a alimentação, além de saudável – sem lactose, sem glúten, virá da economia solidária, de agroindústria familiar, de entidades sociais. O evento terá acompanhamento de uma arquiteta especializada em acessibilidades para pessoas idosas e PCDs. Haverá uma coleta de livros para doação a uma biblioteca.
JÁ – Alguma coisa específica para os estudantes da área de comunicação?
Adeli – Sim, os estudantes terão, em breve, no site, uma área para inscrições de forma gratuita. É outra de nossas contrapartidas sociais.
JÁ – Vocês certamente terão patrocinadores.
Adeli – Sim, aproveitamos para agradecer a todos aqui. Além do apoio de entidades de classe da área da comunicação – ARI, SINDIJOR – o evento conta com o apoio da Caixa Econômica Federal, Governo Federal, Corsan, a Associação dos fiscais de tributos/AIAMU, Associação dos Procuradores, Governo do Estado, Assembleia Legislativa. Na divulgação temos o apoio da IMOBI, LIFE OOH, Trensurb, entre outros.
Sandra Bitencourt: Doutora em Comunicação (UFRGS). Jornalista e Pesquisadora. Assessora do Tesouro do Estado (RS).
Soraia Hanna: Sócia-diretora executiva da Critério. Especialista em gestão de imagem (trajetória em 4 governos estaduais).
Maria José Finatto: Doutora em Estudos da Linguagem e especialista em Acessibilidade Textual (UFRGS). Pesquisadora premiada pelo Google.
Daniela Machado: Jornalista e especialista em Letramento Digital (EUA). Coordenadora do EducaMídia. Foco em Integridade da Informação e curadoria responsável de conteúdos.
Rodrigo Abella: Diretor-executivo da Social MedIA Gov. Especialista em comunicação baseada em evidências, estágios de maturação digital e sintonia fina com o público.
Leandro Rolim: Doutor em Comunicação Audiovisual (Universidad de Salamanca), Professor da UCB, Produtor Executivo e Assessor na SUDIM – EBC
Gustavo Ferenci: Secretário de Transparência de Canoas e Presidente do Fórum de Proteção de Dados dos Municípios. Tema: Transparência Pública Inteligente e Governo Digital.
Com o Teatro Simões Lopes Neto lotado, estreou ontem o Casa da Palavra, projeto do Multipalco Eva Sopher que prevê rodas de conversa mensais entre personalidades de diferentes áreas sobre temas relacionados às artes e questões sociais.
Começou com o bate-papo Quem conta o país? O Brasil em cena e em prosa, com o cineasta Jorge Furtado e o escritor José Falero, que aproveitaram para revelar um suposto segredo: estão trabalhando juntos no roteiro de um filme baseado no livro Os Supridores.
Furtado e Falero têm diferença de uma geração. Furtado era fã de Mário Quintana. Fez em 1984 seu primeiro filme, Temporal. Depois, O Dia em que Dorival Enfrentou a Guarda e Ilha das Flores, que o levou a escrever para a TV Globo. O trabalho de maior audiência foi Memorial de Maria Moura. Trabalhou muito com Luis Fernando Verissimo em séries, como Os Normais.
Falero contou que sentiu vontade de escrever a partir de assistir na TV seriados de ficção. Prefere escrever seguindo a intuição. Já tentou pesquisar pra se aprofundar nos temas mas concluiu que “investigar acaba atrapalhando”.
Furtado escreve todos os dias e testa as falas em voz alta porque escreve pra filmar. Fez a plateia rir com a frase: “O prazo é a nossa musa”.
Falero contou que se esforçou muito para publicar seus escritos, quando trabalhava como porteiro ou supridor. Só conseguia escrever depois que ganhava o suficiente para sobreviver. Agora a situação se inverteu: é a escrita que o está sustentando. Então, nas horas vagas, ele vai jogar sinuca ou vai pro samba.
Pra encerrar, a mediadora da conversa, jornalista Bruna Paulin, perguntou o que cada um gostaria de eliminar do discurso das pessoas. Furtado: o racismo; Falero: a meritocracia. E o que cada um de vocês gostaria que mudasse no país? “Gostaria que a política não fosse vista como uma coisa suja”, disse Furtado. A seguir ele comentou: “Parece que não se roubam mais quantias como 100 mil; agora são milhões” (risos). Respondendo ao desafio final, Falero disse que gostaria de ver ampliar-se a diversidade ou, seja, deseja que haja uma melhor distribuição de recursos ou menos desigualdade. E deu um exemplo que parece uma parábola: “Vamos pegar um saco de feijão e escolher o maior dos grãos… Como se faz? Ora, você não vai catar grão por grão até achar o maior. Você pega um punhado (uma amostra) e logo acha o maior. É uma escolha arbitrária e nós estamos acostumados e conformados com isso, mesmo sabendo que no saco de feijão provavelmente tem um grão maior que o escolhido”.
O público riu quando Falero confessou que detesta o livro Os Supridores, que lhe deu fama nacional. Acha que tem defeitos que está tentando corrigir no roteiro, enquanto Furtado, baseado em sua experiência como adaptador de 40 histórias literárias, insiste em respeitar o conteúdo do livro. Ambos divergem mas estão se entendendo. Não se falou em prazo ou datas de filmagem ou orçamento.
O ingresso para o Casa da Palavra é a doação de um livro, em boas condições, na entrada do teatro, a serem distribuídos a bibliotecas.
A iniciativa, com patrocínio da Casa da Memória Unimed/RS e apoio do Sescoop/RS, seguirá reunindo, nos próximos meses, profissionais de múltiplas vertentes, entre literatura, dança, teatro, dramaturgia, jornalismo e outras expressões artísticas e intelectuais. Com o projeto, o Multipalco Eva Sopher pretende reafirmar sua identidade como centro pulsante de produção cultural e pensamento contemporâneo. O objetivo é ampliar o papel do teatro como território de reflexão cultural.