{"id":92430,"date":"2026-09-03T09:35:27","date_gmt":"2026-09-03T12:35:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/?p=92430"},"modified":"2026-09-03T09:35:27","modified_gmt":"2026-09-03T12:35:27","slug":"casa-ramil-a-transicao-geracional-de-uma-familia-musical","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novo.jornalja.com.br\/noticiario\/casa-ramil-a-transicao-geracional-de-uma-familia-musical\/","title":{"rendered":"Casa Ramil: a transi\u00e7\u00e3o geracional de uma fam\u00edlia musical"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Casa Ramil, espet\u00e1culo musical que vem se apresentando em cidades brasileiras, \u00e9 um caso raro de sucesso de cr\u00edtica e de p\u00fablico. No \u00faltimo fim de semana de agosto, lotou por duas noites seguidas os 900 lugares do Teatro Ademir Rosa em Floripa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o sete figuras no palco, seis homens e uma mulher, v\u00e1rios instrumentos se alternando nas m\u00e3os de pais, filhos, tios e sobrinhos, uns compositores, todos cantores unidos pelo sobrenome Ramil. Uma caixinha de m\u00fasica recicl\u00e1vel cujos integrantes moram em cidades distantes (Rio, Pelotas, Porto Alegre e Macap\u00e1), onde est\u00e3o sempre prontos e dispostos a se juntar para mais um show.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A reinven\u00e7\u00e3o dos Ramil n\u00e3o acontece s\u00f3 no palco. Nos bastidores tamb\u00e9m atua um grupo de mulheres portadoras da mesma gen\u00e9tica. Com Branca no comando, Karina, Isabel e Khris d\u00e3o o chamado suporte art\u00edstico ao grupo musicista&nbsp;<em>made in Laranjal Beach&nbsp;<\/em>em 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Recordemos: no in\u00edcio, h\u00e1 mais 50 anos, os dois mais velhos da irmandade montaram um grupo chamado Almondegas, que deu \u00e0 luz a dupla Kleiton e Kledir, estrelas da m\u00fasica popular que subiram de Pelotas ao Rio com trilhas de novelas da Globo. Solito no pampa, com os ouvidos abertos para a m\u00fasica da fronteira, ascendeu o ca\u00e7ula Vitor com uma s\u00e9rie de can\u00e7\u00f5es de raro lirismo. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quarenta anos depois, os Ramil vivem uma transi\u00e7\u00e3o geracional. Os veteranos KK+V passam a bola para Ian, Thiago, Gutcha e Jo\u00e3o. Al\u00e9m de mesclar hits antigos como Vira Virou (de Kleiton) a can\u00e7\u00f5es recentes como Artigo 5\u00ba (de Ian), o ajuntamento art\u00edstico-familiar enriqueceu as apresenta\u00e7\u00f5es com conversas, lembran\u00e7as, coment\u00e1rios e cita\u00e7\u00f5es nos intervalos entre as can\u00e7\u00f5es. Tanto para o p\u00fablico como para os artistas, \u00e9 um achado que propicia distens\u00e3o e intimidade. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessas pausas relaxadas, os mais novos jogam conf\u00e9ti nos mais velhos (suas \u201crefer\u00eancias\u201d), que lan\u00e7am farpas e lantejoulas entre si. \u00c9 tudo t\u00e3o natural que nem parece ser combinado. Segundo Vitor, \u201ca gente se diverte enquanto vai mostrando nosso trabalho\u201d. S\u00e3o momentos em que se misturam emo\u00e7\u00e3o e bom humor, sem l\u00e1grimas nem baixarias, como nas boas casa do ramo. Tudo leve, lindo e solto com deve ter sido em outras casas mais antigas de fam\u00edlias musicais (Caymmi, Gil e Velloso).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eles falam da casa de veraneio na praia do Laranjal, na Lagoa dos Patos, em Pelotas, ponto de encontro familiar nos finais de ano. A casa foi constru\u00edda pelo imigrante uruguaio Miguel Ramil, cuja sensibilidade como marceneiro transparece no vitral mostrado na abertura do show \u2013 \u00e9 tipo um logo familiar. Num painel no fundo do palco, aparecem folhas e galhos do salso chor\u00e3o do jardim, imagem fotogr\u00e1fica tamb\u00e9m usada em show solo de Vitor Ramil. Em alguns momentos, um \u00e1udio passeia trechos de cantorias caseiras da matriarca Dalva (1926-2024), a antena musical da fam\u00edlia a quem os filhos e netos quiseram homenagear neste espet\u00e1culo ao mesmo tempo singelo e grandioso. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sem d\u00favida, a mescla de gera\u00e7\u00f5es veio em boa hora. A ascens\u00e3o dos jovens est\u00e1 permitindo que, na altern\u00e2ncia dos versos e das vozes, os veteranos possam descansar as cordas vocais calejadas ap\u00f3s tantos anos de estrada. Ainda assim, o vocal coletivo \u00e9 t\u00e3o intenso que a Casa Ramil poderia reduzir o volume da engenharia de som, aparentemente desnecess\u00e1ria nos solos da gurizada.Sem desfazer da pot\u00eancia do macharedo que a cerca, postada no fundo do palco, Gutcha Ramil \u00e9 uma revela\u00e7\u00e3o: toca flauta e rabeca em algumas can\u00e7\u00f5es, mas seu forte \u00e9 a percuss\u00e3o, do pandeiro ao bombo leguero. E a voz, um brado de fera. Segundo o l\u00edder Kleiton, a sobrinha (filha da mana K\u00e1tia e irm\u00e3 de Thiago Ramil) est\u00e1 madura para gravar um trabalho solo. \u201cMerece\u201d, como se diz em Pelotas.\u00a0<strong>(Geraldo Hasse)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Casa Ramil, espet\u00e1culo musical que vem se apresentando em cidades brasileiras, \u00e9 um caso raro de sucesso de cr\u00edtica e de p\u00fablico. No \u00faltimo fim de semana de agosto, lotou por duas noites seguidas os 900 lugares do Teatro Ademir Rosa em Floripa. S\u00e3o sete figuras no palco, seis homens e uma mulher, v\u00e1rios [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":92431,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-92430","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/novo.jornalja.com.br\/noticiario\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92430","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/novo.jornalja.com.br\/noticiario\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/novo.jornalja.com.br\/noticiario\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/novo.jornalja.com.br\/noticiario\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/novo.jornalja.com.br\/noticiario\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=92430"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/novo.jornalja.com.br\/noticiario\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92430\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/novo.jornalja.com.br\/noticiario\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/novo.jornalja.com.br\/noticiario\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=92430"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/novo.jornalja.com.br\/noticiario\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=92430"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/novo.jornalja.com.br\/noticiario\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=92430"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}