{"id":92083,"date":"2026-03-13T13:55:17","date_gmt":"2026-03-13T16:55:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/?p=92083"},"modified":"2026-03-13T13:55:17","modified_gmt":"2026-03-13T16:55:17","slug":"brizola-abre-o-coracao-e-solta-o-verbo-em-livro-raro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novo.jornalja.com.br\/noticiario\/brizola-abre-o-coracao-e-solta-o-verbo-em-livro-raro\/","title":{"rendered":"Brizola abre o cora\u00e7\u00e3o e solta o verbo em livro raro"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 30 anos, o ex-governador Leonel de Moura Brizola deu um raro depoimento de mais de quatro horas a um pequeno grupo de amigos -nativos, como ele, de Carazinho, ex-distrito de Passo Fundo, no norte do Rio Grande do Sul. A grava\u00e7\u00e3o feita num audit\u00f3rio da C\u00e2mara de Vereadores, na noite de 6 de abril de 1996, rendeu um rolo de fita BASF e quatro fitas Phillips K7, transcritas nos dias seguintes pela historiadora Silvana Moura, que integrou, com o tamb\u00e9m historiador Nei d\u2019Avila, a bancada de profissionais de Hist\u00f3ria Oral escalada para a miss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um m\u00eas depois, Silvana entregou o material impresso \u2013 um catatau de 67 p\u00e1ginas \u2013 ao carazinhense Romeu Barleze, ex-deputado estadual trabalhista que convencera o amigo Brizola a contar em detalhes a hist\u00f3ria de sua vida. Mesmo alegando que sempre esteve mais voltado para o futuro, o ex-prefeito de Porto Alegre concordou em falar sobre o seu passado. E abriu seu cora\u00e7\u00e3o, falou sem parar diante da plateia m\u00ednima, formada por cinco amigos, a dupla de historiadores e o t\u00e9cnico Daniel de Paula Manh\u00e3es, encarregado de operar os dois gravadores.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/novo.jornalja.com.br\/noticiario\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/03\/fotos-da-entrevista-do-brizola-arquivo-pessoal-de-silvana-moura-e1772671916889.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-92093\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Reprodu\u00e7\u00e3o da foto da entrevista de Brizola em 1996. Arquivo pessoal da professora Silvana Moura<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E o que aconteceu? Nada! Seguiu-se um sil\u00eancio de tr\u00eas d\u00e9cadas, s\u00f3 rompido agora pela Editora Insular, de Florian\u00f3polis, que acaba de lan\u00e7ar \u201cLeonel Brizola por ele mesmo\u201d, livro de 208 p\u00e1ginas contendo o depoimento hist\u00f3rico, uma sucess\u00e3o de fotos e o QR Code que facilita a escuta da maior fala do comandante da Campanha da Legalidade de 1961. Ele vai lembrando e, de repente, est\u00e1 falando da paisagem, dos pinheirais, dos trens carregados de madeira, dos trabalhadores, dos irm\u00e3os, da m\u00e3e, do negro Ot\u00e1vio, seu \u201ctutor\u201d, um pe\u00e3o-tropeiro que lhe deu um peti\u00e7o&#8230; \u00c9 comovedor ler e\/ou ouvir Brizola dizendo que tudo aquilo de sua inf\u00e2ncia lembra \u201cAs Vinhas da Ira\u201d, de John Steinbeck, e merecia ser alvo da escrita de um Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com lan\u00e7amento em Porto Alegre, Carazinho e no Rio, esse livro parece predestinado a virar um divisor de \u00e1guas na hist\u00f3ria do Rio Grande do Sul, governado nos \u00faltimos 12 anos por pol\u00edticos de centro-direita, entre os quais se alinhou o que restou do partido fundado por Brizola.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por ora, vale a pena esclarecer o que rolou nesses 30 anos em que a voz do trabalhismo foi perdendo resson\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na esperan\u00e7a de transformar o material em livro, j\u00e1 no s\u00e9culo XXI, Silvana Moura entregou as quatro fitas K7 ao professor Nildo Ouriques, da UFSC, para que as repassasse a Nelson Rolim de Moura, dono da Editora Insular, de Floripa, que constatou que as fitas estavam perdendo qualidade \u2013 atucanado por outras demandas editoriais, ele demorou at\u00e9 ser aconselhado a restaurar o material magn\u00e9tico. Enquanto isso, em 2015, o depoimento impresso foi entregue por Romeu Barleze a Juliana Brizola, neta do ex-governador. Ocupada com seu mandato de deputado estadual, ela passou o calhama\u00e7o para Rejane Guerra, jornalista mineira residente no Rio a quem conheceu no diret\u00f3rio do PDT-RJ. Come\u00e7ou ent\u00e3o um esfor\u00e7o para juntar o impresso \u00e0s fitas que lhe deram origem. Assim, a bola voltou \u00e0s m\u00e3os de Silvana Moura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inicialmente projetado para sair em 2022, o livro somente se materializou agora, \u00e0s v\u00e9speras da campanha para as elei\u00e7\u00f5es gerais de outubro. Sup\u00f5e-se que o depoimento do l\u00edder trabalhista possa ser um trunfo a favor de Juliana Brizola em sua candidatura ao cargo de governadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O \u00fanico sen\u00e3o \u00e9 que a historiadora Silvana Moura, que tanto se empenhou para publicar seu trabalho, <a href=\"https:\/\/novo.jornalja.com.br\/noticiario\/colunas\/entrevista-com-leonel-brizola-como-nascem-as-falsificacoes-historicas\/\" title=\"\"><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">estrilou publicamente diante da omiss\u00e3o de seu nome na capa, onde aparecem como organizadoras Juliana Brizola e Rejane Guerra.<\/mark><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Surpreendido pela pol\u00eamica, o editor Nelson Rolim, que tamb\u00e9m \u00e9 de Moura, acha que fez o certo, tanto que contemplou a historiadora com a primeira orelha do livro, um dos espa\u00e7os mais nobres na ind\u00fastria editorial.\u00a0Afinal, o que fica \u00e9 a voz e mem\u00f3ria de Brizola, por ele mesmo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 30 anos, o ex-governador Leonel de Moura Brizola deu um raro depoimento de mais de quatro horas a um pequeno grupo de amigos -nativos, como ele, de Carazinho, ex-distrito de Passo Fundo, no norte do Rio Grande do Sul. 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