{"id":100914,"date":"2026-03-04T21:56:35","date_gmt":"2026-03-05T00:56:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/geral\/?p=100914"},"modified":"2026-09-05T22:08:32","modified_gmt":"2026-09-06T01:08:32","slug":"heranca-de-brizola-sempre-foi-causa-de-conflitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novo.jornalja.com.br\/noticiario\/heranca-de-brizola-sempre-foi-causa-de-conflitos\/","title":{"rendered":"\u201cHeran\u00e7a de Brizola sempre foi causa de conflitos\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ELMAR BONES<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O jornalista Cleber Dioni Tentardini garimpou ao longo de 20 anos os m\u00ednimos detalhes da vida de Leonel Brizola. Encontrou um amigo de inf\u00e2ncia chorando \u00e0 beira do t\u00famulo da fam\u00edlia, em Cruzinha. Na escola agr\u00edcola onde Brizola estudou, localizou a ficha de matr\u00edcula, que a escola j\u00e1 dava por perdida. At\u00e9 a desconhecida filha que o l\u00edder trabalhista teve fora do casamento ele achou e convenceu a falar. No in\u00edcio de 2025, ele lan\u00e7ou \u201cNo Fio da Hist\u00f3ria &#8211; a Vida de Leonel Brizola\u201d, com 290 p\u00e1ginas e fotos de todas as fases de vida dele, cuja edi\u00e7\u00e3o est\u00e1 esgotada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O autor falou ao J\u00c1 sobre a pol\u00eamica em torno de uma entrevista de Brizola, que ser\u00e1 lan\u00e7ada como livro, e que adquiriu dimens\u00e3o pol\u00edtica por envolver a ex-deputada estadual Juliana Brizola, neta do ex-governador, e pr\u00e9-candidata ao governo do Rio Grande do Sul. A autora da entrevista, historiadora Silvana Moura, acusa Juliana de se apropriar indevidamente do seu trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark><\/strong> <strong>Sabias dessa entrevista in\u00e9dita do Brizola?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cleber &#8211;<\/strong> Sim, falei v\u00e1rias vezes com a Silvana. Ela \u00e9 historiadora de Carazinho, com v\u00e1rias pesquisas sobre o trabalhismo. Em abril de 1996, ela e outro historiador receberam Brizola e um pessoal que o acompanhava na C\u00e2mara de Vereadores de Carazinho, isso tem fotos e tudo, e gravaram mais de quatro horas com ele. Foram quatro fitas cassetes que ficaram guardadas com a Silvana por todos esses anos. N\u00e3o tive acesso ao texto, mas conversei com ela a respeito, \u00e9 um material impressionante. Ela me convidou inclusive para um debate sobre o Brizola no ano passado e falou muito da entrevista.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"598\" height=\"478\" src=\"https:\/\/novo.jornalja.com.br\/noticiario\/geral\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2026\/03\/fotos-da-entrevista-do-brizola-arquivo-pessoal-de-silvana-moura-e1772671916889.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-100916\" srcset=\"https:\/\/novo.jornalja.com.br\/noticiario\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/03\/fotos-da-entrevista-do-brizola-arquivo-pessoal-de-silvana-moura-e1772671916889.jpeg 598w, https:\/\/novo.jornalja.com.br\/noticiario\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/03\/fotos-da-entrevista-do-brizola-arquivo-pessoal-de-silvana-moura-e1772671916889-300x240.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 598px) 100vw, 598px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Reprodu\u00e7\u00e3o da foto da entrevista de Brizola em 1996. Arquivo pessoal da professora Silvana Moura<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><b><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark><\/b><strong> <\/strong><b>O que tem de novidade nessa entrevista?<\/b><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cleber \u2013 <\/strong>Olha, eu conhecia muitos dos fatos por ter entrevistado os irm\u00e3os dele, a sobrinha que guardava na mem\u00f3ria e em \u00e1lbuns quase tudo sobre a fam\u00edlia, falou sobre a sua chegada em Porto Alegre, as dificuldades na cidade grande, afinal era um menino de 14 anos, sozinho, vindo do Interior, o trabalho de engraxate na Galeria Chaves. A import\u00e2ncia \u00e9 que s\u00e3o coisas narradas por ele, coisas que ficaram na mem\u00f3ria&#8230; por exemplo, o ressentimento que guardou a vida toda por n\u00e3o ter convivido com o pai, que foi assassinado, as dificuldades de sua m\u00e3e para manter quatro filhos e uma sobrinha&#8230; e ainda fazer de tudo para o Leonel seguir os estudos mesmo longe de casa. E a Silvana na sua frente, captando todas suas rea\u00e7\u00f5es, isso \u00e9 muito valioso numa entrevista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark><\/strong> <strong>E essa pol\u00eamica com a Juliana?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cleber &#8211;<\/strong> Eu falei com a Silvana logo depois que saiu a mat\u00e9ria no jornal O Globo. Fiquei surpreso porque n\u00e3o havia o nome dela. Ainda confirmei se era esse o seu trabalho. Ela ainda parecia at\u00f4nita com tudo. Porque a Silvana entrevistou, fez as transcri\u00e7\u00f5es, imprimiu e deu uma c\u00f3pia para o Romeu Barleze, amigo trabalhista e conterr\u00e2neo, levar a entrevista para o Brizola no Rio. Suponho que a Juliana tenha tido acesso, soube do interesse da Editora Insular publicar em livro e convidou uma amiga dela, jornalista, a assinar a publica\u00e7\u00e3o. Como assim?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><b><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark><\/b> <b>Tu tens contato com a Juliana?<\/b><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cleber &#8211;<\/strong> Olha, a fam\u00edlia do Brizola \u00e9 um tanto dif\u00edcil de conversar hoje em dia. Ele mesmo disse certa vez que n\u00e3o tinha sido muito feliz na quest\u00e3o com os filhos porque quase nunca estava dispon\u00edvel, demonstrava muito carinho, claro, inclusive com a dona Neusa, a quem fazia declara\u00e7\u00f5es de amor p\u00fablicas, mas trabalhava dia e noite e n\u00e3o raro, de madrugada. O Jo\u00e3o Ot\u00e1vio, que era o mais pr\u00f3ximo do pai, publicou um livro que achei bem pesado, um desabafo, cheio de m\u00e1goas. E essa fam\u00edlia, assim como tantas outras, foi muito marcada pela vida no ex\u00edlio&#8230; foi muito vigiada, perseguida, uma confus\u00e3o, nem imagino as dificuldades. Quando estava finalizando o meu livro, tentei v\u00e1rias vezes falar com os netos, mas n\u00e3o me deram retorno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Juliana, que j\u00e1 hav\u00edamos entrevistado e fotografado posando ao lado de v\u00e1rios documentos do av\u00f4, dessa vez n\u00e3o me atendeu. Eu queria saber dos arquivos do Brizola, retirados do apartamento em Copacabana, que foi vendido. Soube por interm\u00e9dio de outras pessoas que os documentos foram colocados no cont\u00eainer de um dep\u00f3sito no Rio, porque n\u00e3o se entenderam sobre o que fazer com o material. Cogitaram doar para o Arquivo Hist\u00f3rico do Rio Grande do Sul, mas o Jos\u00e9 Vicente, filho mais velho, n\u00e3o permitiu. Deu rolo at\u00e9 durante a mudan\u00e7a dos m\u00f3veis do apartamento em Copacabana depois que Brizola morreu, segundo jornalistas no Rio, teve at\u00e9 pol\u00edcia no local. Tanto a heran\u00e7a material de Brizola como a pol\u00edtica sempre foi causa de conflitos. Depois, quando revelei a exist\u00eancia de uma filha do Brizola n\u00e3o reconhecida pela Justi\u00e7a, mesmo com o exame de DNA positivo, tamb\u00e9m n\u00e3o consegui falar com a Juliana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark> E o que tem nesses arquivos do Brizola?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cleber &#8211;<\/strong> A jornalista Dione Kuhn, da Zero Hora, teve acesso ao material depois da morte do Brizola, e munida desses documentos e das entrevistas que realizou com o ex-governador, publicou um livro \u201cDa Legalidade ao Ex\u00edlio\u201d. Muito bom.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark><\/strong> <strong>E a lend\u00e1ria farda de oficial da Brigada Militar que ele usou como disfarce para sair do Brasil em 1964?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cleber &#8211;<\/strong> N\u00e3o se sabe onde foi parar. A companheira dele, a dona Mar\u00edlia, me disse que viu a farda na casa l\u00e1 no Uruguai, a est\u00e2ncia El Repecho. Quando foi negociar a venda da est\u00e2ncia, Brizola estava sozinho, n\u00e3o se sabe onde foi parar o que tinha l\u00e1. A lend\u00e1ria metralhadora que ele carregava a tira colo durante a Campanha da Legalidade eu encontrei num cofre da Brigada Militar. As que est\u00e3o expostas no Museu da BM e no por\u00e3o do Piratini s\u00e3o r\u00e9plicas. Ganhei autoriza\u00e7\u00e3o para fotograf\u00e1-la e publicar no meu livro. A hist\u00f3ria \u00e9 que ela foi trazida desmontada do Uruguai.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark><\/strong> <strong>Eram tr\u00eas os filhos de Brizola?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cleber &#8211; <\/strong>Jos\u00e9 Vicente, Jo\u00e3o Ot\u00e1vio e a Neusinha, na ordem, e todos j\u00e1 morreram. Dos irm\u00e3os, apenas o mais jovem est\u00e1 firme e forte, o seu Jesus, com 93 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark><\/strong> <strong>E a filha fora do casamento, no teu livro \u00e9 a primeira vez que ela aparece?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cleber &#8211;<\/strong> Sim. Eu vi uma nota na coluna do Anselmo G\u00f3is, do Globo, dizendo que enfim ia ser conhecido o resultado dos testes de paternidade de uma poss\u00edvel filha do Brizola, a cabeleireira Giselda Topper. Nem era cabeleireira. Depois, n\u00e3o se divulgou mais nada. Fui atr\u00e1s e cheguei \u00e0 esteticista ga\u00facha. A\u00ed fiquei um ano insistindo at\u00e9 que ela confirmou a hist\u00f3ria. Mais um tempo insistindo e consegui conhec\u00ea-la pessoalmente. Quase ca\u00ed pra tr\u00e1s com a semelhan\u00e7a. Giselda n\u00e3o conseguiu ser reconhecida, mas o exame de DNA n\u00e3o deixa d\u00favida, 99,99% de certeza do v\u00ednculo. Confirmei com o bi\u00f3logo perito, da UFRJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ELMAR BONES O jornalista Cleber Dioni Tentardini garimpou ao longo de 20 anos os m\u00ednimos detalhes da vida de Leonel Brizola. 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