Autor: Elmar Bones

  • Cazarré transplanta personagem em brincadeira (séria) com os mestres

    Cazarré transplanta personagem em brincadeira (séria) com os mestres

    Num feito sem precedentes na história da literatura mundial, a novela brasileira “Breve Memória de Simeão Boa Morte”, do escritor gaúcho-brasiliense Lourenço Cazarré, foi publicada no Brasil em fins de 2025 somente depois de aparecer em Lisboa, onde ganhou 5 mil euros em concurso literário patrocinado pelo governo português.

    O mais surpreendente é que se trata de uma corrosiva paródia do festejado conto “O Alienista” (Rio, 1881), que explora com ironia a reviravolta na carreira do médico Simão Bacamarte, um dos mais famosos personagens de Joaquim Maria Machado de Assis, o jornalista-escritor que viveu no Rio de 1839 a 1908.

    Mais de um século depois da consagração de Machado como o maior escritor brasileiro, eis que um escritor contemporâneo tem a ousadia de inventar que o “médico psiquiátrico” Simão Bacamarte foi plágio de um personagem cuja criação atribui a João Simões Lopes Neto, jornalista-escritor pelotense que viveu a maior parte da vida em Pelotas entre 1865 e 1916.

    Pode? Pode. Na ficção vale tudo, desde que a coisa seja bem feita.

    Como fazem muitos escritores que não desistem de suas intuições, Cazarré começou devagar, como numa brincadeira; com o tempo, muito tempo, a história foi tomando corpo até que se abriu a brecha para fazer o que se pode tomar como um desagravo histórico ao pelotense João Simões Lopes Neto, cuja qualidade literária só foi reconhecida pelo filólogo Aurélio Buarque de Hollanda, que avisou o paulista Mário de Andrade, que conversou com o gaúcho Augusto Meyer, amigo do ditador Getúlio Vargas – mais de trinta anos após sua morte, ao contrário de Machado, que se tornou celebridade em vida.

    Para alcançar o desfecho de sua história, Cazarré explorou coincidências e contradições entre os dois autores e seus personagens, de modo que pode criar um Simeão Boa Morte espelhado em Simão Bacamarte, com direito a pegadinhas que hão de ser gratas aos fãs do autor de “Contos e Lendas do Sul”, brochura parcamente lançada (200 exemplares) em 1912 em Pelotas.

    Sem dúvida, aqui se pode falar de um protesto do Interior contra a Capital, onde mediocridades e/ou nulidades alcançam uma suposta imortalidade acadêmica enquanto gênios da província são descartados, quando não proscritos do cenário artístico. O fato é que o criador de Simeão Boa Morte caprichou na brincadeira, aprofundando a inversão dos papéis entre o Simão original e o Simeão nele inspirado, tendo o desplante de inventar para seu personagem (Simeão) uma morte parecida com a de Brás Cubas, outro célebre personagem de Machado de Assis.

    Nascido em Pelotas em 1953, Lourenço Cazarré passou a vida labutando como jornalista e usando as horas vagas para, igual a Machado, escrever ficções de reconhecida qualidade literária, tanto que ganhou vários prêmios, a começar pela I Bienal Nestlé de Literatura, em 1982. Seu romance “O Calidoscópio e a Ampulheta” ganhou de 445 candidatos. Já nesse livro premiado pela banca de cinco jurados da Nestlé – Adonias Filho, Dirce Riedel, Flavio Loureiro Chaves, Letícia Malard e Marisa Lajolo –, ele usa como referência textos de João Simões Lopes Neto, que lhe forneceu as epígrafes para cada uma das cinco partes do livro.

    Tem mais: como o Bacamarte machadiano, o Boa Morte cazarresco é apresentado como um médico que largou o ofício para abraçar outras atividades. No caso de Simeão Boa Morte, a escolha teria sido o jornalismo, o teatro e pequenos negócios, o que corresponde efetivamente à trajetória pessoal de João Simões Lopes Neto, que na juventude passada no Rio teria estudado medicina, mas sem chegar sequer à metade do curso – história nunca comprovada, como esclarece Carlos Francisco Sica Diniz, autor da mais completa biografia do maior escritor pelotense, publicada em 2023 pela Editora Coragem, de Porto Alegre.

    Em anos recentes, Cazarré esmerou-se em escrever ficções inspiradas em grandes autores nacionais, como Euclides da Cunha (“Os Sertões”) e Graciliano Ramos (“Vidas Secas”). No caso de Machado, a bronca começou durante um curso de mestrado em literatura brasileira na UnB no final dos anos 80, quando lhe tocou analisar a obra de Machado de Assis.

    Para fundamentar sua crítica, Cazarré dissecou, por anos, os 30 melhores contos de Machado (título de um livro do século XX), além de passar os olhos por seus romances, poemas, crônicas e sueltos de imprensa. Tanto fez que se cansou do estilo do escritor carioca. No trabalho universitário escrito em 1987, se destacam alguns trechos de gritante sinceridade:

    “O que me afastou de Machado foi a falta de ação nos seus romances. É tudo arrastado como a vida no Império. Burocratas sem sal satisfeitos com suas vidinhas medíocres. Trambiqueiros ociosos, parasitas empenhados em dar o golpe do baú”.

    Ele prossegue, impiedoso: “No romance ‘Dom Casmurro’ (que plantou no imaginário brasileiro a dúvida sobre a fidelidade da jovem esposa Capitu ao marido Bentinho), “os ricos são apresentados em linguagem sóbria”, enquanto “a galhofa sobra para os trabalhadores como João Pádua ou parasitas pobres que almejam ficar ricos para viver como os ricos”.

    Aprofundando sua crítica, o pós-graduando da UnB observou ainda que os personagens machadianos “carecem de transcendência para o bem ou para o mal”, ficando longe, por exemplo, de escritores da mesma época, como os russos Dostoievski ou Tchekov ou franceses que se dividiam entre a imprensa e a literatura, caso de Balzac. Já as mulheres machadianas sonham com casamento, conforto, jantares, posição social e casa própria bem decorada. Nesse aspecto, ao refletir o clima e o conteúdo de romances ambientados em Paris, Machado teria sido um fiel retratista da futilidade da vida na corte de D. Pedro II, cuja influência alcança hoje os dramalhões apresentados toda noite desde 1950 nas telenovelas brasileiras. Em sua monografia engavetada, Cazarré lembra que o elogiado escritor carioca, além de escrever para jornais, era colaborador assíduo de revistas femininas que lhe pagavam “por linhas publicadas”. Além de ter um emprego público, o sujeito era frila…

    Naturalmente, Cazarré reconhece os méritos jornalísticos e literários do Bruxo de Cosme Velho, autor de 200 contos, uma dezena de romances, 800 crônicas, além de poemas e artigos na imprensa carioca. Mas, depois de muitos anos, não resistiu à tentação de criar um personagem inspirado em Simão Bacamarte.

    Manipulando um vocabulário rebuscado que lembra escritores como José Candido de Carvalho, Dias Gomes e Ariano Suassuna, Cazarré elabora em sua “Breve Memória de Simeão Boa Morte” um folhetim galhofeiro de 82 capítulos curtos em que — em nome de Simeão, claro — vergasta Machado de Assis como criador de personagens repetitivos: rapazes à caça de sinecuras estatais e dotes de jovens casadoiras ou viúvas abonadas. Assim, em cada página de seu memorando, Simeão trata o autor de “Dom Casmurro” como “mercenário”, “casamenteiro literário”, “pérfido, matreiro e pernicioso”, “amanuense do Império”, “pintor de fuxicos”, “alfaiate de lengas lengas matrimoniais” e assim por diante, num rol depreciativo nunca visto no jornalismo ou na literatura nacionais.

    Ao apontar Machado como “malévolo e caçoísta”, Cazarré se revela um baita iconoclasta. Sua ousadia foi abonada por um crítico que, à boca pequena, o considerou “muito corajoso” por criticar o maior ícone da literatura nacional, fundador da Academia Brasileira de Letras. É uma irreverência que confirma a habilidade do jornalista-escritor contemporâneo no manejo das palavras: desde seus primeiros escritos, ele carregou na ironia ao construir tramas compactas com personagens autênticos movendo-se em ambientes quase sem enfeites.

    Embora tenha escrito alguns romances para os públicos adulto e juvenil, sua especialidade são contos inspirados em acontecimentos de sua terra natal, que chegou a ter codinome (Tapera) e, no caso da sua última novela, é São Francisco do Laranjal, um belo nome que evoca o padroeiro da cidade e seu balneário na Lagoa dos Patos.

    Várias de suas histórias são inspiradas em episódios da infância num arrabalde denominado Vila do Sapo, assim chamado por ocupar uma várzea úmida cortada pelo Arroio Pepino, que passa(va) atrás do campo de futebol do GE Brasil, o bravo Xavante. Por aí fica claro que o escritor pelotense acolheu com gosto o conselho do russo Leon Tolstói: “Se queres ser universal, pinta tua aldeia”. A aldeia natal do jovem pelotense era tipo uma favela de banhado.

    Transbordando ironia, a história de Simeão Boa Morte combina avaliação literária e crítica social, a qual se estende sem perdão da corte imperial carioca à atual ciranda de Brasília, onde o novelista vive há quase 50 anos.

    No Brasil, o livro passou até agora em branco, ressalvada a apreciação positiva de Adelton Gonçalves, ensaísta renomado, com vários livros publicados. Para ele, a novela é tão boa que pode ser considerada uma grande homenagem ao autor de “O Alienista”.

    Na orelha da edição brasileira, o crítico André Seffrin afirma que Simeão é uma obra-prima e, como tal, poderia ser, “gaiatamente”, assinada pelo próprio Machado de Assis.

    È claro que as tiradas carrazeanas não desfazem a aura que envolve o autor de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, mas na literatura ninguém está imune à crítica, embora seja muito mais fácil tecer elogios às novidades bem escritas. Outros escritores brasileiros laureados como José de Alencar, Lima Barreto, Jorge Amado, Erico Verissimo, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Oswald de Andrade e Dalton Trevisan foram criticados por seus estilos narrativos, suas posições políticas e até por suas manias pessoais.

    No auge da forma técnica, Cazarré não se cansa de trabalhar em projetos novos ou na revisão de livros que relança com inovações formais, distribui aos amigos e põe à venda onde acredita que possam conquistar leitores. Em 2025, inaugurou uma parceria com Fernando Duval, consagrado artista plástico pelotense que mora há décadas no Rio e lhe forneceu ilustrações para a capa de seus dois últimos livros, “Contos Pelotenses” e “Breve Memória de Simeão Boa Morte”.

    Com mais de meio século de militância no jornalismo e na literatura, Cazarré tem cacife para ser convidado a tomar chá na ABL. É duvidoso que se interesse por envergar o ridículo fardão dos acadêmicos. De louros literários, a esta altura do campeonato, talvez aprecie ser indicado ao Nobel de Literatura.

    Sim, teria café no bule, mas para chegar à Academia Sueca precisaria enfrentar outros bons usuários da língua portuguesa no Brasil, na África e em Portugal. De Milton Hatoun a Mia Couto, é cada vez maior a lista de candidatos potenciais a prêmios literários internacionais, com o agravante de que o idioma português somente é falado, lido e escrito por não mais do que 4% da população do planeta. Cazarré leva alguma vantagem por ser dos mais jovens. Em julho completará 73 anos.

    SERVIÇO FINAL

    Lançada no Brasil pela Faria e Silva, editora do Rio ligada ao grupo Alta Books, a novela sobre Simeão Boa Morte ocupa pouco mais da metade de um livro de 180 de páginas enriquecido com cinco outros contos típicos da verve cazarreana, difundida em dezenas de livros próprios, coletâneas e textos avulsos publicados em sites brasileiros e de Portugal. Está à venda na Amazon por R$ 44.

  • Caso Master: Cais Mauá foi laboratório do esquema que lesou 100 fundos de previdência

    Caso Master: Cais Mauá foi laboratório do esquema que lesou 100 fundos de previdência

    As investigações da Polícia Federal que levaram à prisão do empresário João Carlos Mansur, indicam que o Fundo Cais Mauá foi um ensaio do esquema fraudulento que carreou R$ 17 bilhões dos fundos de previdência para os papéis podres do banco Master.

    Segundo a Polícia Federal, mais de 100 fundos colocaram dinheiro em carteiras do Master, através da Reag, de João Carlos Mansur.

    O Banco Central e a PF identificaram que a estrutura criada por Mansur servia como uma “fábrica de fundos” para ocultar patrimônio através de operações fraudulentas.

    No Cais Mauá foram testadas as “táticas de captação” em institutos de previdência que seriam escaladas para as fraudes bilionárias que culminaram com a liquidação do Master.

    Um projeto ambicioso

    O Fundo de Investimento e Participações Cais Mauá foi criado em outubro de 2012, para captar recursos que financiariam um ambicioso projeto de conversão do principal cais de Porto Alegre, desativado, em área de lazer, turismo e comércio.

    Uma faixa de três quilômetros num sítio histórico da cidade, à beira do Guaíba. Previa-se investimento de R$ 1 bilhão para reurbanizá-la e reequipá-la, inclusive com nove torres com hotéis, escritórios e apartamentos de luxo.

    Nas maquetes e na propaganda, um alto negócio. Na realidade, um projeto contestado, com manifestações de rua e campanhas de opinião publica, além de entraves burocráticos, que foram menosprezados.

    O contrato de concessão com o consórcio Cais Mauá do Brasil, assinado com pompa e circunstância no final do governo Yeda Crusius, em dezembro de 2010, não tinha, por exemplo, a anuência da Antaq, a autarquia federal que regula as áreas portuárias.

    Detalhes que travaram o projeto, mas não impediram que o fundo fosse ao “mercado” em busca de investidores.

    Em 2018, quando a PF entrou em cena, com a operação “Gatekeepers” não havia um tijolo assentado na área do Cais Mauá, mas o fundo havia captado R$ 130 milhões.

    Pela gestão do fundo haviam passado a Positivo, NSG, ICLA e finalmente a Reag, que substituiu a ICLA, quando ela se tornou alvo da PF. Todas ligadas a João Carlos Mansur.

    A operação da Polícia Federal revelou que havia fraude na captação de recursos junto aos fundos de previdência. E alguns estavam entrando na Justiça para obter o resgate dos valores aplicados.

    Em julho de 2020, quando o governo do Estado rescindiu o contrato com a Cais Mauá do Brasil, consórcio que tinha a concessão, a Reag foi substituída na gestão do fundo pela Lad Investimentos.

    A partir daí, o assunto saiu do noticiário e… o dinheiro nunca apareceu. Segundo os gestores do fundo, R$ 40 milhões teriam sido gastos em despesas correntes -prestadoras de serviços, segurança, descontaminação dos armazéns, funcionários, etc. Os R$ 90 milhões restantes teriam sido usados para comprar a parte dos sócios espanhóis que haviam deixado o negócio em 2011.

    Absolvição e prisão

    Uma nota no Valor Econômico registrou o fato no dia 17 de dezembro de 2025: os dez acusados de fraude na administração do Fundo Cais Mauá do Brasil foram absolvidos pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

    A maioria do Colegiado seguiu o voto do relator João Accioly, concluindo que não houve dolo (intenção deliberada de fraudar). Não houve prova de má fé, como se registrou na ata da sessão.

    A diretora Marina Copola deu o único voto contrário, afirmando que houve “omissões graves e equívocos reiterados” e pedindo a condenação dos acusados, com a aplicação de multas.

    Entre os dez absolvidos estava a Reag Trust e seu presidente João Carlos Mansur.

    Um mês depois, em 15 de janeiro de 2026, Mansur foi preso pela Polícia Federal e a Reag teve liquidação decretada pelo Banco Central.

    A reviravolta, pelo menos, abre uma chance para os investidores que foram lesados com a falência do Fundo Cais Mauá. Entre eles o Instituto de Previdência do Estado (IPE Prev) que teria aplicado 17,7 milhões.

    Os principais fundos de previdência identificados em relatórios e auditorias, com os valores aproximados investidos no FIP Cais Mauá, na época:

    Fundo de Previdência Valor Aplicado (Aprox.)
    Igeprev (Tocantins) R$ 21 milhões
    PreviPalmas (Palmas/TO) R$ 15 milhões
    Prev-Amapá (Amapá) R$ 10 milhões
    Manaus Previdência (Manaus/AM) R$ 10 milhões
    AparecidaPrev (Aparecida de Goiânia/GO) R$ 5 milhões
    Cajamar (Cajamar/SP)

    IPE-Prev (Rio Grande do Sul)

    R$ 2 milhões

    R$ 17,7 milhões

                                              

  • Frei Sergio (1956-2026), o missionário dos assentados

    Frei Sergio (1956-2026), o missionário dos assentados

    Geraldo Hasse

    Conheci Frei Sérgio em pessoa na feira do livro de Porto Alegre, onde ele lançou em 2017 “Trincheiras da Resistência Camponesa”, um catatau de 616 páginas editado pelo Instituto Cultural Padre Josimo, que dá suporte ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).

    Depois do autógrafo – “Na luta, sempre” – fiquei por perto, disposto a aproveitar as brechas para entrevistá-lo, mas não deu: a todo momento, ele era reconhecido, abraçado, festejado.

    A única frase dele foi sobre o conteúdo do livro: “São textos militantes”, disse.

    Acabei indo embora, mas lembro que dias depois vi no Facebook uma foto dele cercado por várias pessoas, entre elas os jornalistas Caco Schmidt e Carlos Wagner, que o conheciam do movimento dos agricultores sem terra.

    Em casa, mais tarde, vi que as “Trincheiras” são um apanhado cronológico de textos escritos para cartilhas, documentos para instituições e reflexões em favor dos movimentos pela reforma agrária, distribuição de terras para brasileiros(as) determinados(as) a trabalhar como autônomos na agricultura.

    Como padre franciscano, morador num assentamento em Hulha Negra, ele se mostrava um otimista defensor dos trabalhadores rurais na busca por uma vida melhor, livres da sujeição à agricultura empresarial, hoje resumida pela palavra “agronegócio”, que abrange desde proprietários de terras até os produtores de commodities de exportação, comerciantes de máquinas e insumos de lavouras, transportadores, exportadores, prestadores de serviços etc.

    Nessa luta, ele foi um missionário como tantos religiosos e civis que se dedicam a combater a desigualdade social.

    Folheando o livro, observei a precisão dos seus relatos sobre doenças, secas, enchentes e outros problemas que afetam os pequenos agricultores, que respondem pela oferta de metade dos alimentos consumidos pela população brasileira, embora trabalhem em cima de apenas 24% das terras agricultáveis. É um livro denso, quase um manual de agricultura ecológica, voltado para os praticantes da agricultura familiar.

  • Audiência pública sobre maior projeto agro-industrial do RS não é notícia?

    Audiência pública sobre maior projeto agro-industrial do RS não é notícia?

    Não mereceu manchete nos jornais tradicionais de Porto Alegre a audiência pública sobre a nova fábrica de celulose da CMPC em Barra do Ribeiro, que ocorre neste 29 de janeiro de 2026, às 16h, no Parque Municipal Nenê Naibert.

    A reunião aborda o Projeto Natureza, com investimentos de R$ 24 bilhões, e previsão de 12 mil vagas temporárias na construção  e 1,5 mil empregos diretos/indiretos na operação da fábrica.

    As manchetes tem saudado este chamado “Projeto Natureza”  como o maior investimento privado na história do Rio Grande do Sul, mas tem silenciado sobre o impactos ambientais dessa mega-fábrica, que vai exigir a ampliação dos plantios de eucalipto de 1 milhão de hectares plantados atualmente para 4 milhões de hectare.

    Quando esta área for alcançada nos próximos dez anos no máximo, o Estado terá mais da metade de sua área produtiva (área apta para a agropecuária) ocupada por duas monoculturas, duas commodities, matérias primas de exportação, que pagam pouco ou nenhum impacto.

    Quanto à fábrica,  as entidades ambientalistas alertam para o despejo de mais de 240 milhões de litros de efluentes por dia no Guaíba.

    “Entre os diversos aspectos que preocupam as entidades socioambientais, está a localização do emissário de efluentes líquidos da fábrica — a 3,5 km de Belém Novo, na Capital, próximo de duas novas estações de captação e tratamento de água do Dmae —, além da vazão de efluentes, com substâncias tóxicas, em volumes de 240 mil m3/dia, acima do volume de efluentes de toda a cidade de Porto Alegre”, registrou o Sul21, na quarta-feira..

    A audiência pública desta quinta-feira é a primeira e única prevista no processo de licenciamento ambiental deste mega-projeto.  Por que ela não é notícia? Por que os protestos dos ambientalistas são praticamente ignorados?

    (Cartas para a Redação)

    Obras da nova fábrica estão confirmadas para iniciar em 2026, com operação prevista para 2029.

  • Corrida aos consignados causa colapso no sistema do INSS; em Porto Alegre houve tumulto

    Corrida aos consignados causa colapso no sistema do INSS; em Porto Alegre houve tumulto

    À véspera de uma paralisação programada para atualização do sistema, o INSS foi surpreendido com uma avalanche de acessos em busca de empréstimos consignados.

    O presidente do INSS, Gilberto Waller,  disse em entrevista à Gaúcha que o aplicativo Meu INSS colapsou diante de uma demanda seis vezes maior nos últimos dias.

    Nesta segunda-feira, 26, em Porto Alegre, na agência central do INSS, onde há atendimento presencial, uma grande fila se formou desde cedo e houve tumulto quando as pessoas que estavam há horas sob sol quente foram informadas que o sistema havia caído, sem previsão de retomar.  A Brigada Militar foi chamada para conter os ânimos.

    Segundo o INSS, a situação foi causada por um erro na divulgação de um mutirão de atendimento, que não ocorreu na unidade central.

    O tumulto ficou restrito a Porto Alegre, mas a instabilidade digital é nacional. A suspensão temporária de serviços como bloqueio e desbloqueio de consignado afeta beneficiários em todo o país.
    O aplicativo Meu INSS e a Central 135 já apresentam falhas intermitentes nos últimos dias.

    A causa da corrida é o aumento da margem consignável para aposentados e pensionistas do INSS com o reajuste salarial e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

    O salário mínimo foi reajustado para R$ 1.621,00, representando um aumento de 6,79% em relação ao ano anterior. Benefícios acima do mínimo tiveram um reajuste de 3,90%, elevando o teto do INSS para R$ 8.475,55.

    A isenção do Imposto de Renda até R$ 5.000, a partir de 1º de janeiro, aumenta o valor líquido do benefício e amplia diretamente a capacidade de crédito para milhões de segurados que antes tinham imposto  retido na fonte.

    Com o novo piso, a margem de 35% destinada a empréstimos subiu para R$ 567,35.
    A nova margem começou a ser liberada após o processamento da folha de pagamento de janeiro de 2026 na semana passada.

    Além da pane momentânea, o INSS confirmou que o sistema passará por uma paralisação programada para modernização a partir desta terça-feira (27/01), às 19h, com retorno previsto apenas para 2 de fevereiro.
    O atendimento presencial será suspenso em todo o Brasil de 28 a 30 de janeiro para a atualização dos sistemas.

     

  • Privatização da água foi manchete nos jornais deste fim de semana (em Londres)

    Privatização da água foi manchete nos jornais deste fim de semana (em Londres)

    A privatização dos serviços de abastecimento de água foi manchete neste fim de semana.

    Não em Porto Alegre, onde um polêmico projeto de concessão está em exame na Câmara de Vereadores.

    Foi em Londres, onde o princípio de delegar serviços públicos à iniciativa privada se instaurou, com Margaret Thatcher, há quase meio século.

    “Como as empresas de água se tornaram uma vergonha nacional” foi a manchete de The Independent, no sábado.

    O jornal diz que a Thames Water (empresa que atende Londres) “perdeu toda a credibilidade” depois das últimas falhas que deixaram Kent e Sussex, na região metropolitana de Londres, toda a semana sem água. Foram 75 acidentes num período em que as tarifas subiram 35%. “O dinheiro que deveria ter sido gasto na manutenção e reparação foi desviado para dividendos e bônus aos acionistas”.

    Apesar das altas tarifas, a empresa deve bilhões de libras, mas “os dividendos dos acionistas e os bônus dos executivos não foram afetados”, diz o jornal.

    Sob investigação da agência reguladora, não é descartada uma “nacionalização de emergência”.  O problema seria o custo disso, por que lá houve a venda do patrimônio público, que agora o poder público não tem como reaver.

    Os jornais destacam o plano de reforma (“white paper”) a ser apresentado pelo governo que prevê punições severas, incluindo multas pagas do próprio bolso por executivos de empresas de água em caso de falhas graves.

    Destacam ainda os jornais londrinos que “a polêmica sobre a privatização da água é um tema central em diversos países europeus, onde cresce um movimento por reestatização (ou “remunicipalização”).

    A França “tornou-se o símbolo da reversão desse modelo”. Em 2010, a capital não renovou contratos com gigantes como Veolia e Suez, criando a operadora pública Eau de Paris, que anunciou redução de tarifas e melhoria na eficiência.

    Outros pontos destacados nas edições dos jornais (londrinos):

    Alemanha: “Após forte pressão popular e um referendo, Berlim recomprou as ações de sua empresa de saneamento entre 2012 e 2013”.

    Espanha: “Cidades como Barcelona e Arenys de Munt têm sido palcos de batalhas jurídicas entre prefeituras que tentam retomar o controle da água e concessionárias privadas que alegam quebra de contrato”.

    Portugal: “Há uma tendência de remunicipalização em várias autarquias devido ao aumento excessivo das tarifas e à falta de investimento em infraestrutura rural”.

     

  • Financeira ligada ao Master administrou Fundo do Cais Mauá de onde sumiram R$ 130 milhões

    Financeira ligada ao Master administrou Fundo do Cais Mauá de onde sumiram R$ 130 milhões

    A REAG Investimentos, que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central esta semana, deixou um rastro de milhões no Rio Grande do Sul.

    Em março de 2018, ela assumiu a gestão do Fundo de Investimentos em Participações do Cais Mauá, o principal cais de Porto Alegre, desativado e, desde 2010, concedido a um consórcio privado.

    O consórcio ganhou a concessão e criou um Fundo de Investimentos e Participações para engajar investidores no projeto, orçado em R$ 350 milhões, que incluía a construção de nove espigões de 30 andares à beira do Guaíba.

    Uma operação da Polícia Federal, meses depois, revelou que o Fundo Cais Mauá, administrado inicialmente pela Icla Trust, captara R$ 130 milhões de investidores, dos quais R$ 40 milhões já haviam sido consumidos em “despesas operacionais”,  sem que nenhuma obra tivesse iniciado.

    As investigações da PF apontaram que a maior parte daqueles R$ 130 milhões havia sido captada junto a entidades de previdência privada de servidores públicos, e de maneira fraudulenta.  Muitas queriam o dinheiro de volta.

    O IPE, Instituto de Previdência do Estado, dos funcionários públicos estaduais do Rio Grande do Sul, era uma delas.

    A Reag alegou que assumira a gestão do fundo exatamente para sanar as irregularidades, praticadas na gestão anterior, da Icla Trust.

    As revelações da PF, no entanto, levaram ao rompimento do contrato de concessão do governo do Estado  com o consórcio Cais Mauá, em julho de 2019. A PF prosseguiu com as investigações, mas o assunto saiu do noticiário.

    Em 2023, a PF revelou que dados coletados na operação de 2018 (Operação Gatekeepers) ajudaram a identificar um esquema maior de desvio de R$ 239 milhões de
    regimes de previdência em diversos estados brasileiros.
    O mesmo esquema adotado pelo FIP Cais Mauá.

    Em setembro de 2025,  a REAG e seu fundador, João Carlos Mansur, foram alvos da Operação Carbono Oculto  que investigou lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado (PCC) e ao setor de combustíveis.

    Neste janeiro de 2026, João Carlos Mansur foi preso e  a Reag tornou-se alvo central da investigação das fraudes bilionárias em fundos de investimento ligados ao Banco Master.

    O Fundo Cais Mauá tinha  R$ 130 milhões quando iniciaram as investigações da PF,  R$ 40 milhões haviam sido gasto em “despesas operacionais” e restavam R$ 90 milhões. Em janeiro de 2026, o FIP Cais Mauá do Brasil CNPJ 17.213.821/0001-09 consta como encerrado.

    Os R$ 90 milhões remanescentes mencionados nas fases iniciais da Operação Gatekeepers (2018) foram consumidos ao longo dos anos “por desvalorização de ativos, custos de manutenção de uma estrutura paralisada e taxas de administração”.  

    Registros financeiros de 2026 indicam que o fundo possui  patrimônio líquido de R$ 0,00 e status de “cancelado” ou “encerrado” nos sistemas de análise de ativos.

    Institutos de previdência que investiram no fundo tiveram que reconhecer a perda integral do capital, pois o fundo não possuía liquidez nem ativos reais após o cancelamento do contrato de concessão anterior.
    Embora o dinheiro não tenha sido recuperado,  em 16 de dezembro de 2025, o Colegiado da CVM absolveu  os dez acusados de fraude. O entendimento foi de que não houve prova de dolo (intenção de fraudar) nas operações de transferência de ações, mas sim um insucesso empresarial agravado pela rescisão do contrato pelo governo estadual em 2019. 
  • Lula sanciona orçamento de 2026 com corte de quase R$ 500 milhões nas universidades federais

    Lula sanciona orçamento de 2026 com corte de quase R$ 500 milhões nas universidades federais

    O presidente Lula sancionou a Lei Orçamentária de 2026  mantendo o corte de R$ 488 milhões na verba das universidades federais, aprovado anteriormente pelo Congresso.
    O corte incide sobre os recursos destinados ao custeio básico, como contas de água, luz, limpeza, segurança e manutenção predial.
    Há uma preocupação direta com a redução de bolsas e programas de permanência para estudantes de baixa renda.
    Com os cortes, a verba orçamentária das 69 universidades  caiu para cerca de R$ 6,43 bilhões, 7% a menos do que o executado em 2025, sem considerar a inflação do período.
    Reitores apontam que a redução nesses recursos “pode consolidar um ciclo de precarização administrativa e científica, dificultando o funcionamento pleno das universidades federais ao longo de 2026”.
    O governo justificou o corte como parte do esforço para cumprir as metas do arcabouço fiscal.
    Lula sancionou o orçamento aprovado pelo Congresso com veto a apenas dois dispositivos que destinavam cerca de R$ 400 milhões para emendas parlamentares, que não estavam previstas no projeto original.

     

     

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    A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) publicou uma nota manifestando “profunda preocupação” com os cortes no orçamento das Universidades Federais feitos pelo Congresso Nacional durante a tramitação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. A entidade pede a recomposição imediata dos valores, “sob pena de comprometer o funcionamento regular das universidades e limitar o papel estratégico dessas instituições no desenvolvimento científico, social e econômico do país.”

    De acordo com cálculos feitos pela própria Andifes, o orçamento originalmente previsto no PLOA 2026 para as 69 universidades federais acabou sendo cortado em 7,05%, o que significa uma redução de R$ 488 milhões.

    “Esses cortes incidiram de forma desigual entre as universidades e atingiram todas as ações orçamentárias essenciais ao funcionamento da rede federal de ensino superior”, diz a nota publicada pela associação.

    A Andifes argumenta ainda que os cortes, de aproximadamente R$ 100 milhões, na área de assistência estudantil, comprometem diretamente a implementação da nova Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), instituída pela Lei nº 14.914/2024, “colocando em risco avanços recentes na democratização do acesso e da permanência no ensino superior público”.

    “Os cortes aprovados agravam um quadro já crítico. Caso não haja recomposição, o orçamento das Universidades Federais em 2026 ficará nominalmente inferior ao orçamento executado em 2025, desconsiderando os impactos inflacionários e os reajustes obrigatórios de contratos, especialmente aqueles relacionados à mão de obra”, complementa o texto.

    De acordo com a Andifes, cortes semelhantes também vão impactar o orçamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ).

    “Estamos em um cenário de comprometimento do pleno desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão nas Universidades Federais, de ameaça à sustentabilidade administrativa dessas instituições e à permanência dos estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica”, diz a entidade.

  • Fraudes do Banco Master podem chegar a R$ 17 bilhões em títulos falsos

    Fraudes do Banco Master podem chegar a R$ 17 bilhões em títulos falsos

    A Polícia Federal realiza nesta manhã de quarta-feira (14) a segunda fase da Operação Compliance Zero para investigar, novamente, o Banco Master do empresário Daniel Vorcaro.

    As autoridades apuram prática de crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.

    Ao todo, 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), estão sendo cumpridos em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

    Também há medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que ultrapassam os R$ 5,7 bilhões.

    A operação tem como objetivo interromper a atuação da organização criminosa, além de recuperar ativos.

    Preso em novembro pela PF, enquanto tentava embarcar para o exterior em seu jatinho particular, no Aeroporto de Guarulhos PF, Daniel Vorcaro teve a prisão relaxada e está em prisão domiciliar.

    Defesa
    Em nota, a defesa do dono do Master informou que ele tem colaborado com as autoridades: “Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência.”

    “O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito”, complementa a nota.

    Entenda
    Em novembro, o ex-presidente do BRB e Daniel Vorcaro foram alvos da Operação Compliance Zero, que investiga a concessão de créditos falsos. As fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões em títulos forjados. “Podemos estar diante da maior fraude da história bancária do país”, como disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

    Em março de 2025, o BRB anunciou a intenção de comprar o Master por R$ 2 bilhões, mas o Banco Central (BC) rejeitou a negociação. Em novembro, foi decretada a falência da instituição de Vorcaro.

    (Com a Agência Brasil) 

  • Exercício militar do Brics: Brasil participará como observador

    Exercício militar do Brics: Brasil participará como observador

    Como o nosso quadro de repórteres internacionais está desfalcado e a imprensa nacional não deu nada até agora, perguntamos ao Google se o Brasil vai participar do “Will for peace 2026” ? De que forma? Confirmamos também o anúncio do “exercício marítimo” e as reações a ele até agora.

    Confira:

    O Brasil participará do exercício marítimo “Will For Peace 2026” apenas na condição de observador.

    O país declinou o convite para participação ativa com navios de guerra, optando por enviar apenas observadores, assim como Egito, Etiópia e Indonésia.

    O exercício foi anunciado oficialmente pelo Ministério da Defesa Nacional da China em 9 de janeiro de 2026. Ele ocorre entre os dias 10 e 16 de janeiro de 2026* nas águas da África do Sul, com base naval em Simon’s Town.
    Objetivo oficial: operações conjuntas de segurança marítima, exercícios de interoperabilidade e proteção de rotas comerciais contra ameaças como pirataria e terrorismo.
    Reações ao Exercício

    As reações têm sido polarizadas devido ao contexto geopolítico:

    Países do BRICS+: China, Rússia e Irã (participantes ativos) apresentam o exercício como um novo modelo de cooperação de segurança do Sul Global, focado na “vontade coletiva de manter a ordem marítima” e romper monopólios de alianças tradicionais.
    Críticas internas (África do Sul): Partidos de oposição, como a Aliança Democrática (DA), criticam o governo sul-africano por comprometer sua neutralidade internacional ao realizar manobras com Rússia e Irã em meio a tensões globais.
    Percepção ocidental: Analistas e governos ocidentais veem o exercício como uma “militarização” do bloco BRICS e um desafio estratégico às arquiteturas de segurança dominadas pelo Ocidente.
    Posição do Brasil e Índia: Ambos optaram por não participar militarmente (a Índia declinou formalmente), o que é interpretado como uma tentativa de manter o equilíbrio diplomático e evitar alinhamentos automáticos em blocos militares opostos aos Estados Unidos.
    * A data ainda não foi divulgada. A agência chinesa Xinhua fala em “meados de janeiro”.