Autor: Kika Freitas

  • Móveis Coloniais de Acaju volta às atividades e aos palcos do Opinião

    Móveis Coloniais de Acaju volta às atividades e aos palcos do Opinião

    Certamente Móveis Coloniais de Acaju não é das bandas mais conhecidas hoje em dia, ainda mais se pensarmos que se passaram 8 anos desde que eles tinham “dado um tempo”. Talvez isso seja o elemento mais surpreendente ao ver um público bem mesclado, mas, com muitos jovens, cantando todas as músicas nesse sábado, 07, no Opinião.

    Se há uma garantia, é que assistir a banda brasiliense ao vivo é sinônimo de diversão. Não unicamente por músicos incríveis e letras que vão do sagaz ao gentil, mas por ser uma miscelânea de entretenimento ao público: quer solo de instrumentos? TEM! Quer fazer a dança da cordinha passando por baixo de um trombone? TEM! Que tal um passinho coletivo? GARANTIDO!

    A cada momento, cada movimentação se dava de forma muito orgânica, e um lugar como o Opinião, mesmo lugar que pudemos assistir ao show há 14 anos, sem dúvida vemos o ambiente perfeito para todo esse frenesi se orquestrar, inclusive abrindo um momento icônico e reflexivo de perguntas e respostas com a plateia, onde se explicou essa “pausa indeterminada” de quase uma década e se refletiu sobre a importância do 8M, Dia Internacional das Mulheres, e sobre o papel do homem em meio a isso, com um longo discurso (para o momento) de uma mulher da plateia. Tal momento foi (talvez) muito intenso para um meio de show, ainda mais seguido de “Campo de Batalha”, tendo uma quebra no ritmo do público que enchia o bar. Mas nada que “Tempo” não levantasse os ânimos novamente, seguida de “Copacabana”, que levou a plateia a loucura!

    Em momento algum a música fica em segundo plano. Ao vivo, inclusive, os metais tomam mais força ainda, e a pegada fica ainda mais presente.

    Fundamental destacar o pique da banda, especialmente de Xande Bursztyn (Trombone) e Beto Mejía (flauta transversal), com dancinhas pulantes dignas de Ska das antigas, animadíssimas e hilárias, impressionantes por manterem o fôlego. Aliás, o divertimento pessoal que se viu em palco é de quem realmente tá em contato com o público, onde amigos cheios de piadas internas se apresentam e estão ali para se divertir. E isso é imprescindível para se acompanhar adequadamente o show: se jogar no divertimento.

    Desde que surgiu, Móveis Coloniais de Acaju chamaram a atenção. Aos viventes do tempo de MTV, pudemos ver que eles faziam parte de uma vertente musical muito inteligente e sarcástica, onde seus clipes tinham muita influência de artes e referências visuais que levavam a uma ascendência cultural muito engrandecedora para algumas gerações. Para mostrar que essa verve segue viva, pudemos sentir uma homenagem a Jorge Ben Jor (em ano de Ogum, “Jorge da Capadócia” é muito adequada para um momento mais luz baixa)

    *Um agradecimento especial ao gentil Fabio Pedrosa, baixista, que nos cedeu um setlist para orientar nessa matéria.

    Confira Imagens do show. Fotos: Fabiane Marques

  • Tributo a Van Halen por Frank Solari: virtuosismo e amor ao Rock

    Tributo a Van Halen por Frank Solari: virtuosismo e amor ao Rock

    Texto feito em parceria com Karina Lacerda

    O exímio guitarrista Frank Solari fez na última quinta-feira, dia 29 de janeiro de 2026, um show Tributo a Van Halen. Acompanhando Frank, estavam os experientes  músicos Jonathas Pozo no vocal (Rage In My Eyes, Icona Rock), André Gomes no baixo (Cheiro de Vida) e Elias Frenzel na bateria (Reação em Cadeia).

    Foto: Karina Lacerda

    O público lotou o Sargent Peppers, tradicional Pub do bairro Moinhos de Vento, para assistir ao espetáculo, sendo que os ingressos já haviam se esgotado duas semanas antes. Inclusive, na fila da entrada do show, havia alguns desavisados que esperavam conseguir entradas na hora e acabaram saindo frustrados. Para esses, um consolo: Frank avisou que em breve haverá novas apresentações do projeto. Visivelmente o público era composto quase que majoritariamente por pessoas acima dos 40 anos – aqueles que presenciaram tanto o auge do Van Halen quanto o início da prodigiosa carreira de Frank nas décadas de 80/90 – embora se visse alguns jovens na plateia.

    Foto: Karina Lacerda

    A poderosa introdução do álbum 1984, que tocou ao fundo enquanto os músicos se posicionavam no palco, preparou a atmosfera do espetáculo. O show começou com a enérgica “Jump”, com Frank nas guitarras e também no teclado, usando nessa um timbre bastante fiel à sonoridade original. Aliás, Frank confessou que já estudava piano há seis anos antes de se dedicar à guitarra, e que justamente foi Eddie Van Halen quem o inspirou a trocar de instrumento principal. No set list ainda constaram hits consagrados das eras mais marcantes da banda: da fase Dave Lee Roth (“Panama”, “Hot For Teacher”, “Running With The Devil”, “Eruption”), à fase Sammy Hagar (“Love Walks In”, “When It’s Love”, “Why Can’t This Be Love”, a emocionante “Dreams” e a clássica “Right Now”). O bis ficou aos encargos de “Pretty Woman” (cover do consagrado sucesso de Roy Orbison) e “You Really Got Me”, uma grata surpresa em um espetáculo que não privilegiou apenas hits, mas também músicas não tão conhecidas do grande público, tais como “Main Street” e “House of Pain”.

    Foto: Karina Lacerda

    Vale lembrar que Frank, além da brilhante carreira solo com os álbuns
    Frank Solari” (que por sinal foi apresentado na íntegra no mesmo Sargent Peppers em 17/10/2024, quando completou 30 anos), “Um Círculo Mágico”, “Acqua” e “Multiversal”, também já se dedicou a outros tributos, tais como Iron Maiden, Santanna e até mesmo ao compositor barroco Antonio Vivaldi, no espetáculo “Vivaldi Elétrico”, apresentado com a Orquestra da Universidade Luterana do Brasil.

    Foto: Karina Lacerda

    Frank se mostra um músico completo e versátil. Não é apenas um “guitar hero” desfilando sua técnica impecável, mas também um grande intérprete, que emociona seu público com sua incontestável sensibilidade e amor ao que faz, confirmando seu lugar definitivo entre os grandes personagens da história da música gaúcha.

  • Erasure em Porto Alegre

    Erasure em Porto Alegre

    Impossível pensar em ir num show como Erasure e não deduzir que será apenas de hits ultradançantes para cantar junto. Apesar disso, Andy Bell trouxe, nesta quarta 21, muito de sua carreira solo para o público que lotou o Araújo Viana em Porto Alegre.

    Com figurino explendoroso e uma banda jovem, inclusive com a presença de Chelsea Blankinship, com quem divide o vocal de “Hart’s a Liar” (no álbum, parceria com Debbie Harry, do Blondie),  com certeza a grande surpresa foi o cover de “Xanadu“, da Electric Light Orchestra (mais conhecida na voz de Olivia Newton John em filme homônimo), especialmente quando Erasure já bebeu muito da fonte do ABBA, que nem deu os ares pelo setlist. Ainda assim, Andy Bell, no auge de seus 61 anos, mostrou carisma impecável, elogiou a plateia (falando da beleza do público aqui do sul), perguntou como se diz “I Love You” em português e fez clássicas danças de pista anos 80/90, num revival de emoções.

    O trabalho solo de Andy, “Ten Crows“, não chegou aqui com a força que o Erasure tem, sendo desconhecido ainda por grande parte do público, mesmo sendo contemporâneo e não abandonando suas origens. Ainda assim, o que levantou o público foram os clássicos “Blue Savannah Song“, “Chains of Love“, “Sometimes“, “Love 2 Hate U“, “Stop“, “Oh L’amour” e “A Little Respect“.

    Sem dúvida, a capital gaúcha vem numa crescente de shows muito interessantes, claramente voltando ao circuito das turnês nacionais, e o synthpop ainda atrai multidões, perceptível até quando, antes do telão subir, começou “Blue Monday“, do New Order, e já colocou as pessoas a dançar e se emocionar.

    Confira algumas imagens do show, de Karina Lacerda.